A Prefeitura de Palmeira das Missões notificou extrajudicialmente a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), nesta quarta-feira (4), e cobrou explicações e providências diante das sucessivas reclamações sobre os serviços de abastecimento de água no município. O documento estabelece prazos para a apresentação de esclarecimentos e medidas emergenciais, além de cobrar soluções para problemas na distribuição, na qualidade da água e na recuperação de ruas após intervenções da concessionária.
A notificação foi encaminhada por meio da Procuradoria-Geral do Município e busca apurar possíveis descumprimentos das obrigações previstas no Contrato de Concessão nº 73/2023, além de exigir a regularização dos serviços.
Entre os problemas apontados estão interrupções frequentes no fornecimento, demora no restabelecimento do abastecimento e reclamações sobre a qualidade da água distribuída. A Prefeitura também destaca a crise recente, com relatos de falta de água entre 30 de outubro e 3 de novembro, em diferentes regiões e em toda a cidade.
Município questiona qualidade da água e recuperação de ruas
A Administração Municipal solicita à Corsan os resultados das análises da água realizadas nos últimos 90 dias e esclarecimentos sobre reclamações de alteração na coloração e na turbidez do produto fornecido aos consumidores.
Outro ponto abordado é a recuperação das vias públicas após obras e intervenções da companhia. Relatório técnico da Secretaria Municipal de Planejamento e Meio Ambiente identificou problemas na recomposição do pavimento asfáltico, como falhas de nivelamento, compactação e acabamento, além de desníveis e deterioração nos locais onde foram realizados os reparos.
Corsan terá prazos para apresentar respostas
A notificação estabelece três prazos principais para o encaminhamento das informações e providências:
24 horas: apresentação de esclarecimentos detalhados sobre as interrupções no abastecimento, com identificação das causas, dos locais atingidos e das medidas emergenciais adotadas.
48 horas: apresentação de um plano emergencial de contingência, com ações para garantir o fornecimento de água, especialmente em hospitais, instituições de ensino e outros serviços essenciais.
Cinco dias úteis: encaminhamento de relatórios técnicos, documentos comprobatórios e cronogramas para a regularização das demais irregularidades apontadas pelo Município.
A Prefeitura também solicita informações sobre o atendimento aos consumidores, os canais oficiais de comunicação, o número de reclamações recebidas nos últimos 90 dias e as providências adotadas pela concessionária.
O documento ainda cobra esclarecimentos sobre a possibilidade de compensação, revisão de faturamento ou abatimento nas contas dos consumidores prejudicados, conforme as normas regulatórias.
Prefeitura prevê encaminhamento a órgãos de fiscalização
A notificação alerta que o descumprimento injustificado das exigências poderá resultar em representação formal à Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS), responsável pela fiscalização e eventual aplicação de penalidades.
Também estão previstas a possibilidade de comunicação ao Ministério Público e a adoção de medidas judiciais para exigir a regularidade do abastecimento.
A Administração Municipal ressalta que a notificação é uma medida formal de fiscalização e cobrança do cumprimento do contrato de concessão e não representa, neste momento, a aplicação de penalidade à Corsan.
O documento é assinado pelo prefeito Evandro Luís Massing e pela procuradora-geral do Município, Izana Patrícia Santos da Silva. Com a iniciativa, a Prefeitura busca obter respostas formais da concessionária e cobrar providências para garantir a continuidade, a qualidade e a regularidade dos serviços prestados à população.
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