Secretaria da Agricultura lança força-tarefa contra o caruru-gigante na região de Frederico Westphalen
Ações de fiscalização e educação sanitária iniciam em municípios fronteiriços a partir de 13 de abril
Publicado em 10/04/2026 às 17:00
Atualizado em 10/04/2026 às 14:00
Capa Secretaria da Agricultura lança força-tarefa contra o caruru-gigante na região de Frederico Westphalen

Foto de Dionizio Graziero | Embrapa

A região do Alto Uruguai será a primeira do Rio Grande do Sul a receber uma força-tarefa da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) para combater a introdução da praga quarentenária Amaranthus palmeri, popularmente conhecida como caruru-gigante.

Entre os dias 13 e 17 de abril, 26 servidores do Departamento de Defesa Vegetal atuarão em propriedades rurais e entidades de municípios estratégicos, como Frederico Westphalen, Seberi, Alpestre, Nonoai e Palmeira das Missões.

A prioridade inicial são as cidades próximas à divisa com Santa Catarina e as fronteiras com Argentina e Uruguai, áreas consideradas de maior risco devido à presença já confirmada da planta daninha nessas localidades.

 – Abordaremos as principais diferenças entre o caruru-gigante e outras espécies de caruru, os potenciais danos que essa planta daninha pode causar nas propriedades, bem como as formas de controle e prevenção. Daremos especial atenção à importância da aquisição de sementes certificadas e aos cuidados com o trânsito de maquinário, especialmente aquele proveniente de fora do Rio Grande do Sul –, explica o fiscal estadual agropecuário Alonso Duarte de Andrade.

Controle rigoroso

Segundo o fiscal agropecuário, a orientação é para que os maquinários que ingressarem no Estado passem por sanitização e limpeza completa, com a remoção de quaisquer resíduos que possam conter sementes da praga.

Além disso, os agentes do Estado orientam sobre os procedimentos adotados pela defesa agropecuária em caso de identificação de plantas suspeitas, incluindo a coleta de amostras e, se confirmada a presença da espécie, a contenção do foco.

– Nesse sentido, realizamos a orientação ao produtor, promovendo a educação sanitária. Buscamos integrá-lo ao sistema de defesa agropecuária, pois entendemos que ele é parte fundamental desse processo, assim como transportadores e demais envolvidos, formando uma engrenagem que visa impedir a introdução e possível disseminação dessa praga no Rio Grande do Sul –, enfatiza Alonso.

Praga oferece alto risco à produtividade de soja e milho

O caruru-gigante é monitorado com rigor devido ao seu potencial devastador, podendo reduzir a produtividade da soja em até 79% e a do milho em 91%. A planta possui crescimento acelerado, alta produção de sementes e resistência múltipla a diversos herbicidas, o que encarece o controle e dificulta a colheita.

 

Foto mostra uma lavoura com destaque para o caruru-gigante.
Produtores rurais devem ficar atentos e comunicar ocorrências suspeitas imediamente à Seapi - Foto: Dionizio Graziero/Divulgação Embrapa

Durante as visitas, os fiscais agropecuários orientarão os produtores sobre a identificação da espécie, que se diferencia por inflorescências femininas espinhosas e pecíolos longos.

As diretrizes principais incluem a limpeza rigorosa de maquinários vindos de fora do estado e o uso exclusivo de sementes certificadas para evitar a disseminação. Suspeitas de focos devem ser reportadas imediatamente à defesa sanitária vegetal para coleta de amostras e interdição preventiva da área.

Principais medidas para erradicação e contenção

  • Interdição da área infestada;

  • Proibição do trânsito de solo, material vegetal e outros resíduos;

  • Remoção e destruição das plantas;

  • Levantamento de delimitação em áreas vizinhas e naquelas que compartilharam máquinas e implementos.
     

Alerta e orientação aos produtores

  • Entre as características da planta, é uma espécie altamente adaptada a ambientes quentes;

  • Crescimento acelerado, podendo ultrapassar 5 cm por dia;

  • Espécie dióica (plantas masculinas e femininas separadas), o que aumenta a variabilidade genética;

  • Inflorescências femininas com aspecto espinhoso, diferentemente das masculinas; cada planta fêmea pode produzir de 200 mil a 1 milhão de sementes, pequenas e facilmente dispersáveis;

  • Folhas podem apresentar mancha esbranquiçada em formato de “V” invertido;

  • Pecíolo (haste) geralmente igual ou maior que o limbo foliar; espécie com alta capacidade de resistência múltipla a herbicidas.

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Almir Felin