O Rio Grande do Sul projeta uma das maiores safras de uva de sua história para o ciclo 2025/2026. Segundo estimativas da Emater/RS-Ascar, o volume total pode chegar a 905.291 toneladas, representando um crescimento de até 10% em comparação a uma colheita considerada normal.
O desempenho positivo é atribuído à qualidade do inverno de 2025, que registrou temperaturas estáveis e um acúmulo de frio superior a 400 horas em diversas regiões, fator essencial para a brotação uniforme das videiras.
A viticultura exerce um papel socioeconômico fundamental no Estado, envolvendo cerca de 15 mil famílias, majoritariamente da agricultura familiar. Atualmente, o território gaúcho conta com 42,4 mil hectares cultivados, com uma concentração massiva de 36,6 mil hectares na Serra Gaúcha.
Embora a maior parte da produção seja destinada à indústria para a elaboração de vinhos, sucos e espumantes, o Estado também mantém uma área expressiva voltada ao consumo de uvas de mesa.
Desenvolvimento das variedades e ciclo da colheita
A colheita deste ano apresenta um atraso de aproximadamente 15 dias devido às temperaturas mais amenas e à menor luminosidade registradas no mês de setembro. De acordo com o extensionista rural Thompsson Didone, esse fenômeno apenas alongou o ciclo vegetativo, sem prejudicar a sanidade dos frutos.
O processo de industrialização já foi iniciado por algumas vinícolas e deve ganhar força nas próximas semanas, com o pico da safra previsto para os próximos dois meses.
A composição da produção gaúcha permanece majoritariamente formada por uvas americanas e híbridas, que representam 85% do total e exibem produtividade superior à média nesta temporada.
As variedades viníferas, responsáveis por cerca de 15% da área plantada, também mostram resultados acima do normal. O destaque fica para a uva Chardonnay, matéria-prima essencial para a produção de espumantes, que são o carro-chefe da economia na Serra Gaúcha.
Perspectivas de qualidade e mercado
As avaliações iniciais sobre a qualidade da uva são otimistas, embora o resultado final dependa das condições meteorológicas até o encerramento da colheita. Períodos de sol pleno e baixa umidade nas próximas semanas serão decisivos para garantir o teor de açúcar ideal para a vinificação.
Se as projeções se confirmarem, o acréscimo de 5% em relação à safra passada consolidará um período de bonança para o setor vitivinícola gaúcho.
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