A busca por alternativas eficientes, sustentáveis e de baixo custo para o saneamento básico motivou o desenvolvimento de um projeto de pesquisa inovador no Campus da Universidade Federal de Santa Maria em Frederico Westphalen (UFSM/FW). A iniciativa utiliza wetlands construídos de fluxo vertical (WCFV), uma tecnologia baseada na natureza que emprega plantas e microorganismos para o tratamento de efluentes.
O projeto surgiu em 2020, a partir de uma demanda da direção do Campus, para melhorar o sistema de tratamento de esgoto da Casa do Estudante Universitário (CEU), que atende atualmente 72 estudantes.
– Além de atender a uma necessidade concreta da universidade, o projeto possibilitou a criação de uma estrutura voltada ao ensino, à pesquisa e à extensão, contribuindo para o desenvolvimento de estudos aplicados e para a formação de recursos humanos na área de saneamento ambiental –, explica Samara Terezinha Decezaro, docente do Departamento de Engenharia e Tecnologia Ambiental e coordenadora do projeto.
Tecnologia e eficiência no tratamento de efluentes
Durante o processo, os pesquisadores testam diferentes materiais filtrantes, como areia grossa e brita. O monitoramento do sistema inclui análises laboratoriais e o sequenciamento genético de bactérias. Os testes servem para que os envolvidos possam compreender como processos naturais purificam a água e tratam os efluentes.
Segundo a professora Samara, o objetivo “é produzir dados confiáveis que permitam aprimorar os parâmetros de projeto para as condições climáticas brasileiras, especialmente para o Noroeste do Rio Grande do Sul”. A ideia, pontua, “é consolidar essa tecnologia como uma alternativa viável para o saneamento descentralizado”.
Impacto social e formação de recursos humanos
Desde a implantação em 2023, a estrutura serve como campo de aprendizado para estudantes da graduação em Engenharia Ambiental e para alunos de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA). Além de solucionar um problema local, ainda contribuiu para o fortalecimento da formação acadêmica.
O uso dessa tecnologia beneficia a população de locais onde não há rede de coleta convencional, como, em áreas rurais e municípios do interior. A simplicidade operacional e os baixos custos de manutenção são fatores que tornam os wetlands uma alternativa eficiente em relação aos desafios do crescimento urbano e das mudanças climáticas.

O futuro do reuso de água
A equipe avalia a adequação do esgoto tratado para diferentes formas de reuso, o que alinha a iniciativa aos objetivos da Economia Circular. Ao transformar o efluente em um recurso passível de aproveitamento, o projeto contribui para a preservação dos recursos hídricos locais. "O principal legado desse trabalho é demonstrar que o tratamento de esgoto ocorre com base nos próprios princípios da natureza", enfatiza Samara.
A pesquisa conta com parcerias estratégicas, como o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Soluções Baseadas na Natureza (INCT-SBN) e o Instituto de Pesquisas Hidráulicas - IPH da UFRGS.
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