“Precisamos de fôlego para continuar produzindo”, diz coordenadora do SOS Agro RS
Apesar do esforço da bancada gaúcha e do apoio de frentes parlamentares, a votação do projeto da securitização foi adiada e deverá ocorrer na próxima semana
Publicado em 10/07/2025 às 13:08
Atualizado em 10/07/2025 às 13:38
Capa “Precisamos de fôlego para continuar produzindo”, diz coordenadora do SOS Agro RS

Foto de Divulgação SOS Agro RS

A luta dos produtores rurais por medidas concretas de apoio financeiro segue intensa em Brasília. A coordenadora do movimento SOS Agro RS, Graziele Camargo, em entrevista à rádio Luz e Alegria, atualizou sobre a luta pela aprovação do Projeto de Lei 320/2025, que dispõe sobre a securitização das dívidas de produtores rurais cujos empreendimentos tenham sido impactados por eventos climáticos adversos. A proposta, relatada pelo deputado federal Afonso Hamm (PP-RS), foi apensada a outro projeto em tramitação e deve ser votada na próxima semana.

– O que nós, produtores rurais, precisamos é que tenhamos um fôlego. E esse fôlego virá através do projeto que está tramitando na Câmara Federal –, afirmou Graziele. Segundo a coordenadora, o texto propõe renegociação das dívidas com 10 anos para pagamento, três anos de carência e taxas de juros mais acessíveis, de 5,5% a 7,5%, dependendo da natureza da operação.

Apesar do esforço da bancada gaúcha e do apoio de frentes parlamentares, a votação do projeto foi adiada. “Ontem (quarta-feira) não conseguimos avançar porque ele era o 13º item da pauta. Agora, aguardamos votação para terça ou quarta da próxima semana, a não ser que o governo federal proponha uma medida provisória com os mesmos termos”, explicou Graziele.

Mobilização contínua

Mesmo com a diminuição da presença de produtores nas rodovias, o movimento segue ativo em cidades como Cacique Doble, São Sepé, Pantano Grande e Tio Hugo. A previsão é de novos tratoraços, como o que deve ocorrer em Cruz Alta nesta sexta-feira.

– O governo precisa entender que não estamos bem. A mobilização nas ruas é a forma que temos de mostrar que a demora por soluções tem consequências –, ressaltou. Ela também destacou a união entre entidades do setor: “A Farsul, a CNA e a Fetag estão conosco. Era para o prazo de pagamento ser de 20 anos, mas chegamos a um acordo para reduzir um pouco, e mesmo assim manter o alívio necessário”.

Impactos da crise e apoio da sociedade

Segundo Graziele, o PL 5122/2024 não se restringe ao Rio Grande do Sul. “Ele é nacional, mas nosso estado é o que mais sofreu com estiagens e enchentes nos últimos cinco anos. Somos o epicentro dessa tragédia climática e precisamos de respostas urgentes.”

Ela também comentou a recente decisão dos Estados Unidos de taxar em 50% produtos agropecuários brasileiros. “Isso não tem avaliação positiva. Quem vai pagar a conta serão os produtores e, no fim, os consumidores”, lamentou.

Graziele aproveitou para convocar a sociedade a apoiar o setor. “As pessoas precisam entender o que é a securitização. Não é perdão de dívida, é um pedido de prazo para pagar. Se o campo sofre, a cidade também sente. Cada R$ 1 que entra pela porteira gera R$ 4 fora dela. Sem comida, ninguém vive”, alertou.

Aliança municipal e estadual

Além da bancada federal, prefeitos e vereadores gaúchos também aderiram ao movimento. “Chamamos a Famurs, e os gestores locais têm se empenhado. Agora buscamos o apoio dos deputados estaduais, porque o Rio Grande do Sul está unido pelos seus produtores”, garantiu.

A expectativa do SOS Agro é de que, com o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que reúne mais de 300 deputados, a aprovação venha ainda na próxima semana. “Se Deus quiser, será aprovado. Mas seguimos vigilantes. O governo já entendeu a urgência, e não aceitaremos menos do que o proposto no projeto”, concluiu.

A mobilização continua. E os produtores seguem esperando, não por favores, mas por condições mínimas para continuar garantindo a segurança alimentar do Brasil.

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Almir Felin