Diocese de Frederico Westphalen celebra os 17 anos da Beatificação de Manoel e Adílio
Com fé renovada e profunda devoção, comunidade católica relembra o dia histórico e aguarda o milagre que levará os mártires à santidade
Publicado em 21/10/2024 às 17:01
Atualizado em 21/10/2024 às 15:36
Capa Diocese de Frederico Westphalen celebra os 17 anos da Beatificação de Manoel e Adílio

Foto de Diego Macagnan

A Diocese vive nesta segunda-feira, 21 de outubro, um dia de grande de devoção ao celebrar os 17 anos da beatificação dos seus mártires: o padre Manoel e o coroinha Adílio. Em 2007, a cerimônia que marcou a elevação de ambos ao reconhecimento de beatos reuniu uma impressionante multidão de mais de 40 mil fiéis no Parque de Exposições Monsenhor Vitor Battistella, em Frederico Westphalen. Foi um dia abençoado, marcado por uma forte manifestação de fé e reconhecimento da coragem daqueles que deram suas vidas em defesa da verdade cristã.

A celebração histórica contou com a presença de 30 bispos, 100 sacerdotes e cerca de 3.500 coroinhas, em uma das maiores concentrações religiosas da região. O legado de Manoel e Adílio, que enfrentaram o martírio com fé inabalável, continua vivo e pulsante na comunidade. 

– Aquele foi um dia inesquecível, um verdadeiro marco para a nossa diocese e para toda a Igreja. Foi um momento em que sentimos, de maneira profunda, a presença de Deus entre nós. A presença daqueles que deram a vida por Cristo foi palpável, e até hoje seguimos com a convicção de que essa jornada ainda não terminou –, relembra padre Tiago, vice-postulador da causa de canonização dos beatos.

Com a beatificação, os mártires Manoel e Adílio foram reconhecidos por seu testemunho de fé, mas o clamor por sua canonização não cessou. A comunidade diocesana continua suas orações, aguardando com expectativa o milagre necessário para que ambos sejam proclamados santos.

– Nós seguimos com fé e confiança, pedindo incessantemente por esse milagre –, afirma padre Tiago. "Sabemos que a graça virá, se já não veio, porque a intercessão de Manoel e Adílio é poderosa. Eles já estão junto de Deus, e o que falta é o reconhecimento final da Igreja."

Além da comemoração do aniversário de beatificação, a diocese também vive um momento de devoção renovada com a realização da 18ª Cavalgada da Fé. Cavalarianos estão rumando em direção a Três Passos, seguindo os passos dos mártires, enquanto grupos de peregrinos refazem o Caminho dos Mártires, saindo do local do martírio e passando por importantes pontos históricos da fé, como a paróquia Cristorei, em Pinheirinho do Vale.

"A fé e a coragem de Manoel e Adílio continuam a nos inspirar", ressalta padre Tiago. "Cada passo dado pelos cavalarianos, cada oração dos peregrinos, cada vela acesa é uma demonstração de que eles são intercessores poderosos e de que seu exemplo continua a moldar a fé do nosso povo."

A expectativa pela canonização dos beatos Manoel e Adílio segue crescendo entre os devotos, que acreditam que o reconhecimento como santos será um momento de grande bênção para a Igreja e para a diocese.

– Estamos rezando e aguardando, com os corações cheios de esperança. E sabemos que, quando esse dia chegar, será mais um sinal de que Deus nunca abandona aqueles que, como Manoel e Adílio, deram tudo de si por Ele –, conclui padre Tiago, com a mesma fé que há 17 anos uniu milhares de fiéis em um dos momentos mais importantes da história da diocese.

Histórico 
O Padre Manuel Gómez González é espanhol de nascimento. Exerceu seu ministério sacerdotal em sua diocese natal até 1904, quando passou para a vizinha diocese de Braga, em Portugal. Devido às perseguições políticas, a Igreja em Portugal vem para o Brasil. Primeiro na arquidiocese do Rio de Janeiro, por trinta dias, depois veio para a diocese de Santa Maria–RS, onde foi vigário coadjutor na paróquia de Soledade. Por fim, é nomeado pároco de Nonoai. Aqui encontrou um período cultural muito violento.

Desenvolveu seu trabalho para superar os conflitos e consolidar a paz, pregava a mudança de vida e o perdão, organizando sua paróquia no âmbito religioso, promovendo obras sociais, auxiliando as famílias que sofriam violência e atuando na educação escolar. Devido à sua atuação em nome da fé, foi vítima da violência que queria superar.

Adílio Daronch era um jovem, filho de um emigrante italiano que se radicou em Nonoai, que aos quinze anos perdeu o pai assassinado devido aos conflitos violentos daquela época. Desde criança, colaborava nas celebrações que o Pe. Manuel realizava na paróquia de Nonoai. Pela grande extensão da paróquia, o padre necessitava viajar muitos dias para atender à demanda do povo. O jovem Adílio acompanhava, atuando como coroinha. Quando estava chegando a uma comunidade onde hoje é a cidade de Três Passos, foi assassinado ao lado do Pe. Manuel em uma emboscada.

Além deste motivo de ordem histórica, há uma razão de modelo para a juventude. O jovem Adílio assumiu os riscos daquela viagem, pois o padre já há tempo recebia ameaças de morte, caso não mudasse sua pregação e ação. Apesar disso, enfrentou a situação. Ele torna-se um modelo para a juventude de coragem, de ideais, de ousadia.

Na Igreja Católica, o coroinha Adílio é o primeiro jovem brasileiro a ser elevado ao altar. A divulgação e conhecimento dos Beatos Manuel e Adílio é necessária para a conclusão do processo de canonização, quando serão declarados santos. Beatificação Fé, emoção e muita expectativa estavam voltadas para a celebração

Após uma caminhada de 40 anos, o desejo de fiéis e devotos foi realizado. No domingo, dia 21 de outubro de 2007, na cidade de Frederico Westphalen, foi realizada a missa de beatificação dos Mártires de Nonoai e do RS, Padre Manuel Gomes Gonzalez e o coroinha Adílio Daronch. O evento foi realizado no Parque Municipal Monsenhor Vitor Batistella, localizado no km 32 da BR-386. A partir de agora, o Rio Grande do Sul e o Brasil têm o primeiro coroinha beatificado. A chuva da tarde não impediu a presença da multidão na beatificação dos primeiros beatos gaúchos e do primeiro beato coroinha do mundo.

Antes da Santa Missa, apresentou-se o Grupo de Teatro de Três Passos, que encenou a vida e o martírio do Padre Manuel e do Coroinha Adílio. A missa teve uma duração de 2 horas, sendo presidida pelo cardeal português José Saraiva Martins, prefeito da Congregação da Causa dos Santos, enviado especial do Papa Bento XVI ao evento. Estiveram presentes aproximadamente 30 bispos, mais de 100 padres, 3.500 coroinhas. Na comitiva episcopal havia também o Frei Paolo Lombardo, postulador da Causa da Beatificação, em Roma, além do Núncio Apostólico, no Brasil, Dom Lorenzo Baldissera.

Familiares do padre Manuel vindos da Espanha e familiares do Coroinha Adílio vindos de Dona Francisca–RS, entre outros lugares, acompanharam a missa. Durante o evento, as irmãs do coroinha foram amparadas por familiares, Zulmira, 96 anos, e Anita Daronch, 94 anos, as quais apresentaram aos devotos a relíquia — fragmento de ossos dos mártires, num relicário dourado. A multidão aplaudiu com fervor, o que as levou a um momento de grande emoção.

Outro momento de encanto foi no ato de leitura da carta do Papa declarando beatos os mártires quando desceu do teto do altar um imenso banner contendo as fotos do padre Manuel e do coroinha Adílio, emocionando a multidão.

A Celebração contou com a presença, do bispo emérito de Frederico Westphalen, Dom Bruno Maldaner, do Bispo da diocese de Novo Hamburgo, Dom Zeno Hastenteufel, do Administrador Diocesano, Padre Luiz Dalla Costa, do Padre Alexender Jaeger, Vice - Postulador da Causa da Beatificação, do Secretário Geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa e Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre. O pároco da paroquia da Catedral também participou da celebração, assim como os párocos de Nonoai, Ângelo Dal Piva e de Três Passos, Hélio Welter.

*Histórico retirado do site oficial dos Beatos Manuel e Adílio (Saiba mais clicando no link)

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Foto Almir Felin
Almir Felin