Dados recentes do Mapa da Inadimplência da Serasa indicam que o Rio Grande do Sul possui mais de 4,1 milhões de pessoas com restrições de crédito, o que representa 46,47% da população adulta gaúcha. O índice registrou um aumento de 2,41 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.
O montante total das dívidas no estado atinge a marca de R$ 31,9 bilhões, sendo que mais de um quarto desses débitos está concentrado em instituições bancárias e cartões de crédito.
Na capital, Porto Alegre, o cenário revela 587 mil inadimplentes que, somados, devem R$ 4,9 bilhões. Especialistas alertam que o hábito de "emprestar o nome" para terceiros pode agravar esse quadro, transferindo riscos financeiros e ampliando a exposição de quem assume a dívida formalmente.
Enquanto a inadimplência geral cresceu, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS) observou uma leve melhora no percentual de famílias com contas em atraso, que recuou de 27,0% em fevereiro para 26,7% em março de 2026. Essa redução foi impulsionada pela faixa de renda de até 10 salários mínimos.
Em contrapartida, famílias com ganhos superiores a esse patamar registraram alta no endividamento, subindo para 8,5% no mesmo período. O estudo também aponta que 1,7% das famílias gaúchas declararam não ter condições de quitar qualquer parte de seus débitos pendentes.
Programa Desenrola inicia renegociações com descontos de até 90%
Com a maioria dos inadimplentes gaúchos dentro da faixa de renda elegível, o programa Novo Desenrola Brasil surge como a principal ferramenta para a regularização de crédito a partir desta terça-feira.
A iniciativa é voltada para pessoas com renda mensal de até R$ 8,1 mil e contempla dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026, que possuam atraso entre 90 dias e dois anos.
O programa oferece descontos que podem chegar a 90% do valor total e juros reduzidos. Uma das facilidades é a possibilidade de utilizar o FGTS para o abatimento, sendo permitido o saque de 20% do saldo ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor.
As adesões ao programa terão duração de 90 dias e podem ser realizadas diretamente com os bancos, pelo aplicativo oficial ou pelo portal desenrola.gov.br.
Como medida de proteção financeira, os cidadãos que renegociarem suas dívidas terão o CPF bloqueado para a participação em apostas on-line pelo período de um ano.
Além disso, o programa estabelece que débitos de até R$ 100 quitados por meio da plataforma resultarão na limpeza imediata do nome do consumidor nos órgãos de proteção ao crédito.
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