O município de Frederico Westphalen apresenta atualmente um cenário de consolidação econômica, contando com pouco mais de 10 mil vínculos de trabalho ativos e uma remuneração média de R$ 3.173,30, segundo dados do FGTAS/SINE. Apesar do dinamismo no mercado de trabalho, a disparidade entre a renda e os gastos básicos é o principal fator para as dificuldades na gestão financeira, especialmente entre as camadas da população com menor poder aquisitivo.
Segundo dados coletados entre o final de dezembro de 2025 e o início de janeiro de 2026, e divulgados pela Serasa, o custo médio de vida no Brasil atingiu R$ 3.520,00. O Rio Grande do Sul possui o 10º maior custo de vida do país, com uma despesa média mensal fixada em R$ 3.360, mais do que o dobro do valor do salátio mínimo, atualmente em R$ 1.621,00.
Para economista Adriano Reis essa diferença explica a dificuldade de gestão financeira enfrentada por grande parte das famílias.
– O custo de vida é o dobro de quem ganha um salário mínimo. Isso é importante fazer esse parâmetro. Por isso que às vezes as pessoas podem encontrar dificuldades nessa gestão de gastos –, afirma.
Mesmo com o custo elevado para o consumidor, Reis ressalta que o contexto reflete a diversificação da economia local, que se posiciona como um polo regional de comércio e, sobretudo, de serviços. Para o especialista, o aumento nos preços é um fenômeno que acompanha o fortalecimento do poder aquisitivo em setores específicos do município.
– A economia de Frederico Westphalen se destaca graças ao serviço. A prestação do serviço é fundamental. Muita gente diz que o agro é importante, sim, mas hoje o que mais representa para o município é o serviço –, destaca Reis.
Estratégias de controle e o papel dos serviços públicos
O Rio Grande do Sul figura na décima posição nacional em custo de vida, o que contribui para que o endividamento alcançasse 77,6% em 2025. Embora o índice de inadimplência tenha apresentado uma leve queda, o patamar de 29,1% da população brasileira ainda é considerado preocupante. Adriano Reis reforça que a educação financeira se tornou um item de sobrevivência para evitar o uso descontrolado de ferramentas de crédito.
– Quando você tem um custo de vida como esse, você tem que ter um controle muito rigoroso, fazer um bom planejamento financeiro para saber onde é que você está gastando. O principal ainda hoje é o cartão de crédito –, alerta Adriano Reis.
Além do planejamento individual, o economista aponta que a eficiência na oferta de serviços públicos é uma ferramenta direta para reduzir a pressão sobre o orçamento doméstico. Itens como saúde, transporte subsidiado e o custo das tarifas de energia e água são determinantes para o bem-estar das famílias que dependem de infraestrutura urbana eficiente.
"É importante ter um serviço público de saúde de qualidade para baixar esse custo de vida para a população. O transporte também, um serviço com algum subsídio governamental barateia bastante o custo de vida da localidade", conclui o economista.
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