Custo de vida elevado em Frederico Westphalen desafia gestão financeira familiar
Setor de serviços sustenta mercado de trabalho local, mas custo de vida exige rigor no controle de gastos das famílias
Publicado em 25/02/2026 às 10:34
Atualizado em 25/02/2026 às 11:01
Capa Custo de vida elevado em Frederico Westphalen desafia gestão financeira familiar

O município de Frederico Westphalen apresenta atualmente um cenário de consolidação econômica, contando com pouco mais de 10 mil vínculos de trabalho ativos e uma remuneração média de R$ 3.173,30, segundo dados do FGTAS/SINE. Apesar do dinamismo no mercado de trabalho, a disparidade entre a renda e os gastos básicos é o principal fator para as dificuldades na gestão financeira, especialmente entre as camadas da população com menor poder aquisitivo.

Segundo dados coletados entre o final de dezembro de 2025 e o início de janeiro de 2026, e divulgados pela Serasa, o custo médio de vida no Brasil atingiu R$ 3.520,00. O Rio Grande do Sul possui o 10º maior custo de vida do país, com uma despesa média mensal fixada em R$ 3.360, mais do que o dobro do valor do salátio mínimo, atualmente em R$ 1.621,00.

Para economista Adriano Reis essa diferença explica a dificuldade de gestão financeira enfrentada por grande parte das famílias.

– O custo de vida é o dobro de quem ganha um salário mínimo. Isso é importante fazer esse parâmetro. Por isso que às vezes as pessoas podem encontrar dificuldades nessa gestão de gastos –, afirma.

Mesmo com o custo elevado para o consumidor, Reis ressalta que o contexto reflete a diversificação da economia local, que se posiciona como um polo regional de comércio e, sobretudo, de serviços. Para o especialista, o aumento nos preços é um fenômeno que acompanha o fortalecimento do poder aquisitivo em setores específicos do município.

– A economia de Frederico Westphalen se destaca graças ao serviço. A prestação do serviço é fundamental. Muita gente diz que o agro é importante, sim, mas hoje o que mais representa para o município é o serviço –, destaca Reis.

Estratégias de controle e o papel dos serviços públicos

O Rio Grande do Sul figura na décima posição nacional em custo de vida, o que contribui para que o endividamento alcançasse 77,6% em 2025. Embora o índice de inadimplência tenha apresentado uma leve queda, o patamar de 29,1% da população brasileira ainda é considerado preocupante. Adriano Reis reforça que a educação financeira se tornou um item de sobrevivência para evitar o uso descontrolado de ferramentas de crédito.

– Quando você tem um custo de vida como esse, você tem que ter um controle muito rigoroso, fazer um bom planejamento financeiro para saber onde é que você está gastando. O principal ainda hoje é o cartão de crédito –, alerta Adriano Reis.

Além do planejamento individual, o economista aponta que a eficiência na oferta de serviços públicos é uma ferramenta direta para reduzir a pressão sobre o orçamento doméstico. Itens como saúde, transporte subsidiado e o custo das tarifas de energia e água são determinantes para o bem-estar das famílias que dependem de infraestrutura urbana eficiente.

"É importante ter um serviço público de saúde de qualidade para baixar esse custo de vida para a população. O transporte também, um serviço com algum subsídio governamental barateia bastante o custo de vida da localidade", conclui o economista.

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