Foto de Reprodução
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ofereceu denúncia formal contra o motorista de uma carreta que provocou um grave acidente em Chapecó no final de janeiro. O órgão imputa ao condutor 20 tentativas de homicídio com dolo eventual, sustentando que ele assumiu o risco de matar ao trafegar com o veículo em condições precárias.
Segundo a investigação, o motorista tinha ciência das falhas mecânicas e, mesmo após um princípio de incêndio nos freios antes de chegar à cidade, optou por não realizar os reparos necessários, priorizando a entrega de uma carga de madeira.
O acidente ocorreu na tarde de 30 de janeiro na Avenida Fernando Machado, resultando em 10 feridos e diversos veículos destruídos. Além da esfera criminal, a 11ª Promotoria de Justiça da Comarca de Chapecó pleiteia indenizações vultosas.
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O pedido inclui o pagamento de R$ 971.370,00 por danos materiais coletivos e R$ 100 mil por danos morais para cada uma das 20 pessoas que ocupavam os automóveis atingidos durante a colisão.
Laudo pericial confirma falhas determinantes no sistema de frenagem
A perícia técnica realizada na carreta e no semirreboque revelou um cenário crítico de conservação. O laudo apontou defeitos graves no sistema de freios, pneus desgastados e modificações irregulares na suspensão do veículo.
De acordo com os peritos, a falha no acionamento dos freios foi a causa determinante do acidente, que poderia ter sido evitado caso a manutenção preventiva estivesse em dia.
O documento reforça que o veículo apresentava condições "sabidamente letais" para o tráfego em vias públicas de grande movimentação.
A promotora Júlia Ferreira Santos destacou na denúncia que o condutor agiu com desprezo pela vida alheia. Momentos antes da tragédia, o motorista teria parado no acostamento para resfriar as chamas do sistema de freios com auxílio de terceiros, sendo informado sobre a proximidade de uma oficina mecânica.
Em vez de interromper a viagem, ele seguiu o trajeto, resultando no descontrole do veículo ao entrar no perímetro urbano. Para o MPSC, a ausência de óbitos deveu-se apenas a fatores externos, como a absorção do impacto pelos dispositivos de segurança dos carros atingidos.
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