Pesquisa da UFSM e IFFar define parâmetros científicos para o uso de dejetos de coelhos como fertilizante sustentável
Iniciativa integra economia circular e inovação tecnológica para reduzir custos na agricultura familiar e valorizar a produção de hortaliças e plantas aromáticas
Publicado em 27/05/2026 às 17:00
Atualizado em 27/05/2026 às 13:07
Capa Pesquisa da UFSM e IFFar define parâmetros científicos para o uso de dejetos de coelhos como fertilizante sustentável

Foto de Ana Carolina Kohlrausch Klinger | UFSM-FW

Uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen (UFSM/FW) e do Instituto Federal Farroupilha, Campus Frederico Westphalen (IFFar/FW), estuda o potencial dos dejetos de coelhos como uma fonte de adubação orgânica sustentável.

O projeto, que está no seu terceiro ano de execução com apoio do Fundo de Incentivo à Pesquisa (FIPE), preenche uma lacuna na literatura científica. Embora o uso desses resíduos seja uma prática antiga e comum entre produtores, a aplicação ocorre de forma empírica, sem critérios sobre a quantidade exata necessária para cada cultura.

Coordenado pela professora Ana Carolina Kohlrausch Klinger, docente do Departamento de Ciências Agronômicas e Ambientais da UFSM/FW, o projeto visa suprir a carência de dados técnicos na literatura sobre a nutrição vegetal com resíduos da cunicultura.

O objetivo central é oferecer aos agricultores familiares uma base científica que substitua o método de "tentativa e erro" por dosagens precisas que maximizem o crescimento das plantas. Segundo a docente, "o projeto surge de uma demanda real para reduzir custos dentro de sistemas familiares de produção e dar suporte técnico a um tema pouco explorado pela academia", explica.

Resultados práticos e limites nutricionais

Os testes já apresentam resultados significativos sobre a viabilidade de cada tratamento. No caso da alface, os pesquisadores identificaram que o tratamento com maior viabilidade situa-se no nível de 50 à 75% de dejetos de coelho, nível muito parecido com o da cultura da couve. Por outro lado, os ensaios com lavanda, ainda em andamento, estimam que a substituição total do substrato comercial pelo dejeto de coelho não gera diferenças negativas no desenvolvimento, o que representa uma economia direta para o produtor.

A qualidade do adubo também depende da dieta dos animais. No LEPEP (Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão em Produção) de cunicultura do IFFar, os coelhos recebem uma alimentação balanceada composta por ração comercial e volumosos, como capim-elefante, rami, aveia e subprodutos da alimentação humana, incluindo ramas de beterraba e cenoura. Esta integração reforça o conceito de agricultura circular, onde resíduos vegetais alimentam os animais e os dejetos destes retornam ao solo para nutrir novas culturas.

Inovação em manejo e preservação de recursos hídricos

Uma mudança estrutural nas instalações do IFFar revolucionou o recolhimento do material orgânico. A substituição das antigas canaletas por valas coletoras secas eliminou a necessidade de lavagem diária com mangueiras. Esta tecnologia simples preserva a água e garante que o dejeto permaneça seco e rico em nutrientes, facilitando o transporte e a aplicação pelo agricultor.

A coordenadora explica que "para que um produtor se aproprie de uma tecnologia, precisamos reduzir o número de operações. O sistema de valas permite que o adubo fique seco e pronto para o uso, exigindo menos esforço físico e maior eficiência". A simplicidade desta solução tecnológica é um dos pontos de destaque em apresentações internacionais realizadas pela equipe em eventos.

Impacto social e valorização no mercado

Desenvolvido a partir de uma das linhas de pesquisa do grupo “Temas Emergentes em Zootecnia”, o projeto integra estudantes dos cursos de Agronomia da UFSM/FW, Medicina Veterinária e Técnico em Agropecuária do IFFar/FW. A iniciativa promove a aproximação entre formação acadêmica e prática de campo, preparando os futuros profissionais para difundir métodos de produção ambientalmente corretos e socialmente justos.

Além dos impactos ambientais positivos, a utilização de adubação 100% orgânica reduz custos com insumos químicos e agrega valor comercial ao produto final, ampliando oportunidades de geração de renda para a agricultura familiar. O cronograma prevê a continuidade dos ensaios experimentais e a publicação de novos artigos científicos até janeiro de 2027, fortalecendo uma base de dados voltada à transformação de resíduos em alternativas produtivas sustentáveis.

Participam do projeto os estudantes Amanda Harnau Schuh, Léo Gustavo Erpen, Isabela Pozer, Germano Silvestre, João Vitor Agostini e Rhaysa Lima, além do técnico Marcelo Seibert, do pós-graduando Bruno Callai da Silva e das professoras Hilda Hildebrand e Denise Schmidt.

Fonte: UFSM/FW

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Almir Felin