Frederico Westphalen registra queda nos casos de dengue, mas vigilância estadual alerta para risco de reinfecção em 2026
Bióloga do CEVS, Valeska Lagranha adverte que circulação de novo sorotipo e atraso em notificações exigem cautela
Publicado em 29/01/2026 às 11:40
Capa Frederico Westphalen registra queda nos casos de dengue, mas vigilância estadual alerta para risco de reinfecção em 2026

O cenário epidemiológico da dengue em Frederico Westphalen apresenta uma transformação impressionante. Após enfrentar um ano "fora da curva" em 2024, com 3.711 casos confirmados, o município encerrou 2025 com apenas 20 registros — uma redução de aproximadamente 100%. Até a quarta semana de janeiro de 2026, a cidade mantém o controle com apenas um caso suspeito em investigação.

Apesar do otimismo regional, a Vigilância Estadual em Saúde adota um tom de cautela. Em entrevista, a bióloga Valeska Lizzi Lagranha, especialista do Programa de Arboviroses do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), ressalta que os números estaduais (37 casos confirmados até agora em 2026 contra 292 no mesmo período de 2025) ainda não permitem uma comparação definitiva devido ao atraso natural de notificações.

– Não podemos ainda afirmar com toda certeza que temos uma redução comparada ao mesmo período do ano anterior. Temos um atraso de cerca de duas semanas para a inserção dos dados nos sistemas oficiais. Muitos exames coletados nas primeiras semanas do ano ainda estão sendo processados e digitados –, explica Valeska.

O risco da reintrodução do Sorotipo 3

Para Frederico Westphalen e a região Norte/Noroeste, que historicamente apresentam altas incidências, a maior preocupação para 2026 não é apenas o volume de casos, mas a qualidade do vírus em circulação. Valeska alerta para a reintrodução do sorotipo 3, que não circulava de forma predominante há anos.

– Quando uma região é muito afetada num ano, como foi Frederico em 2024, a tendência é de queda nos anos seguintes pela imunidade da população ao vírus daquela época. Porém, se o sorotipo 3 entrar agora, todas as pessoas que já tiveram dengue podem se infectar novamente –, adverte a bióloga.

Ela reforça que, embora não seja uma regra, a segunda infecção tende a ser mais grave: "O organismo reage de maneira mais agressiva, o que pode levar a quadros de maior gravidade", reforça.

Sintomas, comorbidades e a importância da hidratação

A especialista esclarece que a dengue pode ser assintomática, mas, na maioria dos casos, os sinais são claros: febre, dor de cabeça, prostração e a característica dor retro-orbital (atrás dos olhos). Um ponto crítico destacado por Valeska é a descompensação de doenças pré-existentes.

– Mais de 80% dos óbitos por dengue no RS em 2024 ocorreram em pessoas com comorbidades. A dengue descompensa a hipertensão, o diabetes e quadros cardíacos –, afirma.

A orientação principal para quem suspeita da doença é a hidratação imediata e intensa. "O que hidrata corretamente? Um indivíduo de 70 kg precisa ingerir cerca de 4,5 litros de água por dia. A dengue só agrava se a pessoa não se hidratar corretamente", pontua.

ea2cfaf0-8585-4f73-bf00-d9fdea11f73d.jpg

Ações em Frederico Westphalen

Em Frederico Westphalen, a Secretaria Municipal da Saúde mantém o enfrentamento contínuo através dos Agentes de Combate às Endemias (ACE). Na última terça-feira (27), foi realizada a aplicação de inseticida (fumacê UBV costal) como medida complementar.

Já na manhã desta quinta-feira (29), os agentes de combate às endemias de Frederico Westphalen realizaram uma ação preventiva no Parque de Exposições, com foco no controle do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

A iniciativa faz parte do trabalho contínuo de monitoramento e eliminação de possíveis criadouros do inseto em pontos estratégicos do município. O Parque de Exposições é considerado um desses locais, por reunir grande circulação de pessoas e espaços que podem acumular água, favorecendo a proliferação do mosquito.

Contudo, Valeska Lagranha enfatiza que a responsabilidade é coletiva, especialmente para quem viaja neste período de veraneio. Ela recomenda uma varredura semanal de 15 minutos em pátios e residências para eliminar focos.

"A fêmea do Aedes aegypti põe centenas de ovos em um único ciclo. Se a pessoa vai viajar, precisa cuidar para não deixar pratos de plantas ou reservatórios mal vedados. Uma cisterna mal tampada pode se tornar um criadouro gigante", finaliza a bióloga.

Publicado por

Foto Almir Felin
Almir Felin
Fotos