Foto de GUSTAVO PRENDIN/SIMEPAR | DIVULGAÇÃO | AQUIVO
O mais recente relatório da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos elevou de forma expressiva o nível de preocupação global quanto à intensidade do El Niño para os próximos meses. Os dados indicam uma probabilidade de 81% de que o fenômeno atinja a classificação de "muito forte", caracterizada por um aquecimento das águas do Oceano Pacífico de pelo menos 2ºC acima da média histórica.
A projeção anterior estimava essa possibilidade em 63%, o que sinaliza uma piora abrupta no cenário climático mundial e acende o alerta para estados do Sul do Brasil, onde o evento costuma impulsionar o volume de precipitações.
De acordo com o documento oficial, os modelos matemáticos apontam uma tendência de consolidação desse aquecimento severo entre os meses de outubro e dezembro, situando o episódio atual entre os maiores registros históricos catalogados desde a década de 1950.
Embora os especialistas ponderem que a intensidade no oceano não se replique de maneira idêntica em todas as regiões do planeta, o panorama altera significativamente as probabilidades estatísticas em favor de eventos extremos, elevando o potencial para a ocorrência de tempestades severas, enchentes e movimentos de massa no Rio Grande do Sul.

El Niño já está no limiar de muito forte intensidade | NASA
Extensão do período de vigência e duplicação de riscos ambientais
A longevidade do El Niño surge como um dos fatores mais alarmantes no novo boletim, com os cientistas apontando 97% de chance de que o fenômeno persista até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte, correspondente ao outono na América do Sul.
Especialistas do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) alertam que a manutenção desse cenário por um intervalo prolongado significa a extensão temporal dos riscos hidrológicos.
Historicamente, os estudos da instituição demonstram que a probabilidade de cheias em rios gaúchos dobra durante a atuação do El Niño, fazendo com que eventos severos que ocorrem habitualmente em intervalos de dez anos passem a ter recorrência estimada de cinco anos.
Atualmente, os sensores de monitoramento indicam que as águas superficiais do Pacífico registram uma anomalia térmica de 1,2ºC acima da média, patamar que já configura o fenômeno em intensidade moderada.
Diante do aquecimento contínuo observado nas camadas subsuperficiais do oceano, defende-se a urgência de que a administração pública e o setor privado intensifiquem a execução de planos de contingência, modernizem os sistemas de monitoramento em tempo real e deem celeridade às obras de infraestrutura e contenção de cheias para mitigar potenciais impactos socioeconômicos.
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