Fenômeno El Niño pode provocar períodos de intensa chuva no restante de 2023
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Publicado em 18/05/2023 às 15:06
Atualizado em 18/05/2023 às 15:36
Capa Fenômeno El Niño pode provocar períodos de intensa chuva no restante de 2023

Foto de Arquivo/LA+

O El Niño deste ano deve ser, no mínimo, forte e começar no início de junho. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, aumenta as temperaturas do planeta e, ao Rio Grande do Sul, costuma trazer calor e chuva. Há chances também do fenômeno evoluir para um nível “muito forte”, de “Super El Niño”.

A previsão é de que o evento climático seja fraco nas três semanas iniciais, mas que sua intensidade progrida até setembro, com chances de causar enchentes e alagamentos no Estado durante a primavera, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A precipitação intensa deve chegar primeiro na região norte gaúcha, até agosto, a partir da metade inicial do inverno.

Especialistas

O meteorologista Gustavo Verardo da BaroClima Meteorologia, analisou que especialmente para a região Sul, o El Niño deve provocar uma grande quantidade de chuva, a partir da segunda quinzena de junho. Segundo Verardo, já há um aquecimento bem intenso do Oceano Pacífico na região do Equador e isso já é indício da formação do fenômeno, com expectativa de intensidade forte para 2023.

– “O El Niño tende a ser semelhante ao de ano 2014/2015 que foi um outro fenômeno com intensidade forte. O principal reflexo disso pro Sul do país, especialmente para o Rio Grande do Sul é do aumento quantidade de chuva”, destacou o meteorologista.

Gustavo adianta que a sequência de 2023 vai ser de muita chuva, com possibilidade de uma intensidade alta, provocando enchentes e tempestades severas. O período de chuva não necessariamente virá a ser seguido, mas, no entanto, quando ocorrer pode ser de alta intensidade. 

Por que isso acontece?

– “Porque a gente tem uma disponibilidade de vapor da água e umidade maior na atmosfera e tendo uma atmosfera mais quente, a gente tem a intensificação de frentes frias e sistemas de baixa pressão”, explicou Verardo quanto a formação do El Niño.

 Especificamente para a região, já com o inverno e primavera, que já tem tendência a chuvas mais regulares, com a presença do El Niño, a tendência é que haja a possibilidade de eventos mais intensos, inclusive, conforme Gustavo, com a necessidade de elaboração de planos de prevenção contra desastres naturais com relação à chuva. 

De acordo com o Coordenador Regional de Proteção e Defesa Civil com sede em Frederico Westphalen, Tenente Coronel Alexandre Moreira Pereira, quanto ao plano de contingência/prevenção, essas ações ficam a cargo do município e da Defesa Civil Municipal, o Estado em si auxilia na confecção cada plano. “Cada município tem a sua peculiaridade e envolve várias características para cada município, desde a capacidade de resposta e tipo de terreno”, justificou Pereira. 

O gerente regional da EMATER/RS, Luciano Schwerz, diz que conforme o Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), através dos mapas de anomalias, o mês de junho terá chuvas dentro da normalidade. 

– “Os modelos indicam que para a nossa região mais ao norte, nós vamos ter chuva dentro do mês de junho muito próximo das condições normais. Uma normalidade para o mês de junho é em torno de 160 a 180 milímetros de chuva”, explica Schwerz. De acordo com o Simagro, nas regiões de Sarandi e Passo Fundo, pode haver chuva acima do volume chegando a cerca de 200 milímetro, tratando-se é claro de uma previsão. 

Anomalia de precipitação Junho e Julho (Fonte: Simagro-RS)

 

Em relação a previsão da anomalia de temperatura, para a nossa região no mês de junho, pode haver um desvio da normalidade, acarretando em um período um pouco mais quente. Conforme analisado por Luciano, com o choque com a frente fria, pode haver episódios de chuva mais significativo. 

Anomalia de temperatura média do ar para junho (Fonte: Simagro-RS)

– “A chuva deve se manter dentro da normalidade, mas a distribuição e a intensidade podem variar, isso pode até mesmo causar algum problema. Por isso os produtores que vão estar fazendo a implantação das lavouras de trigo precisam, adotando boas práticas agrícolas na implantação de plantio em nível, boa cobertura de solo, quem não poder fazer um plantio de plantas e cobertura, precisa ter atenção, fazendo todo aquele procedimento para evitar um problema com erosão, porque mesmo que seja uma chuva dentro da normalidade em junho é um mês que chove bem, são de 180mm de chuva”, avaliou o gerente da EMATER. 

Quanto ao plantio, em relação a época do ano em que o El Niño deve prevalecer, segundo Schwerz, é um momento em que há a floração e formação dos grãos, com isso, o período de chuvas pode acarretar em problemas, desde doenças até no próprio manejo das culturas.

–  “É um cenário de muita atenção, de muito cuidado, onde o produtor precisa de boa orientação técnica, precisa fazer a implantação da lavoura observando os prognósticos climáticos, evitando semeaduras em que possam correr risco com erosão”, destaca Luciano.

Super El Niño

Os últimos “Super El Niños” ocorreram nas temporadas 2015/2016, 1997/1998 e 1982/1983. Nessas oportunidades, o fenômeno causou enchentes e alagamentos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Em 2015, por exemplo, o Guaíba atingiu em Porto Alegre seu maior nível desde a grande enchente de 1967. Já em 1983, o fenômeno causou um alagamento de grandes proporções na região catarinense do Vale do Itajaí (SC), após o rio Itajaí-Açu transbordar. 

Na nossa microrregião de Frederico Westphalen, em um muncípio próximo, em Iraí, lembramos do período recente no ano de 2014, em que aconteceu algo semelhante: choveu muito no período do inverno. Neste momento, segundos as previsões, há, segundo o meteorologista Gustavo Verardo, uma condição climática para ocorrer o mesmo neste ano, principalmente a partir do mês de agosto com a presença do El Niño. 

O aquecimento acelerado do Oceano Pacífico, que caracteriza o El Niño, também contribui para o aumento da temperatura global, que deve atingir recordes nos próximos anos. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada às Nações Unidas (ONU), as causas são o fenômeno e as mudanças climáticas causadas pelo efeito estufa. Segundo a OMM, há 98% de chance de que pelo menos um dos próximos cinco anos - além do período como um todo - seja os mais quentes já registrado na história.

 

*Com informações de GZH

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