Um novo teste de detecção precoce multicâncer, capaz de identificar sinais associados a mais de 50 tipos da doença a partir de uma única amostra de sangue, começou a ser comercializado no Brasil. Batizado de Galleri e desenvolvido pela empresa norte-americana Grail, o exame analisa fragmentos de DNA livre na circulação para localizar padrões de metilação característicos de células tumorais, indicando também a provável região de origem do sinal no organismo.
A tecnologia beneficia principalmente o rastreio de tumores em pâncreas, fígado, ovário e estômago, órgãos que atualmente não contam com exames preventivos de rotina para pessoas assintomáticas.
No país, a comercialização do teste é coordenada pela Genesis Genomics, joint venture formada pelo Hospital Israelita Albert Einstein e pelo Grupo Fleury. Oferecido no mercado privado pelo valor de R$ 6.990 e mediante prescrição médica, o exame é voltado prioritariamente a adultos com mais de 50 anos sem sintomas e a pacientes em remissão completa do câncer há mais de três anos.
A triagem não é indicada para menores de 22 anos, gestantes, pessoas sob tratamento oncologicamente ativo ou indivíduos já em processo de investigação diagnóstica de tumor.
Tecnologia atua como ferramenta complementar sem substituir exames preventivos de rotina
Especialistas e dirigentes das instituições responsáveis ressaltam que a biópsia líquida atua exclusivamente de forma complementar à medicina preventiva tradicional, não substituindo exames estabelecidos como mamografia e colonoscopia.
Um resultado positivo no teste não confirma o diagnóstico por si só, exigindo exames de imagem e biópsias complementares para a validação do quadro, assim como uma amostragem negativa não descarta de forma absoluta a existência de lesões pré-cancerosas ou tumores em estágios iniciais.
Estudos clínicos internacionais apontam alta especificidade do teste, reduzindo a incidência de falsos positivos, mas registram variação na sensibilidade conforme o avanço do tumor. Dados da pesquisa PATHFINDER 2, realizada na América do Norte, indicam sensibilidade de 21,4% para tumores no estágio I e de 63,2% no estágio IV.
Em ensaio clínico publicado no New England Journal of Medicine com mais de 142 mil voluntários na Inglaterra, pesquisadores salientaram a necessidade de acompanhamento em longo prazo para mensurar o impacto direto da ferramenta na redução da mortalidade e nos diagnósticos em estágios avançados.
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