Extremistas ainda em contradição ao resultado das eleições 2022 que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República, ocuparam a Esplanada dos Ministérios, neste domingo, 8, em protesto que resultou em atos de vandalismo danificando o Palácio dos Três Poderes que compreendem o Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal (STF) e Palácio do Planalto.
Por volta das 14h40, na tarde do domingo, os extremistas invadiram o Congresso Nacional sob uma chuva de bombas de gás lacrimogênio. Em seguida, conseguiram passar pelas barricadas da Polícia Militar do Distrito Federal e entrar no Palácio do Planalto, sede da Presidência da República.
Vidraças, cadeiras e mesas dos prédios públicos foram quebradas. Funcionários do Congresso Nacional que estavam de plantão foram ameaçados. O último alvo dos manifestantes extremistas foi o Supremo Tribunal Federal (STF). O prédio do órgão do Judiciário foi invadido por volta das 15h45. Inclusive, a porta com a inscrição de Alexandre de Moraes, do armário de togas do ministro, também foi arrancada e virou uma espécie de troféu dos extremistas.
O plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) ficou completamente destruído após a invasão dos extremistas que vandalizaram os prédios. As cadeiras, onde o público podia acompanhar os julgamentos da Corte, foram reviradas e vandalizadas. Até o Brasão da República não escapou e foi danificado.
As cadeiras dos ministros da Corte foram danificadas e jogadas para fora do prédio. Imagens que circulam na internet mostram pessoas sentadas nelas comemorando o ato antidemocrático e fazendo fotos como se fossem “ministros”.
Para invadir os prédios do Legislativo, Executivo e Judiciário, os manifestantes partiram para cima dos agentes da PM que faziam o isolamento dos prédios públicos. Os extremistas neste protesto invadiram também o Congresso Nacional e Palácio do Planalto, onde também subiram a rampa e conseguiram chegar até o terceiro andar, que abriga o gabinete do presidente da República. O controle dos prédios dos Três Poderes só foram retomados por volta das 20h. Cerca de 170 pessoas foram detidas no ato das manifestações pelas forças de segurança pública.
Intervenção Federal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decretou intervenção federal na segurança pública do DF para conter a depredação promovida pelos manifestantes.
A ordem vale até 31 de janeiro. Segundo o decreto, o objetivo é “pôr termo ao grave comprometimento da ordem pública”. O interventor nomeado por Lula é Ricardo Cappelli, atual secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Intervenção federal é uma medida de caráter excepcional e temporário que afasta a autonomia dos estados, Distrito Federal e municípios. A intervenção só pode ocorrer nos casos estabelecidos pela Constituição Federal:
-Quando houver coação contra o Poder Judiciário, para garantir seu livre exercício;
-Quando for desobedecida ordem ou decisão judiciária, ou;
-Quando houver representação do Procurador-Geral da República (PGR);
Lula estava em Araraquara, no interior de São Paulo, quando falou a jornalistas após manifestantes bolsonaristas avançarem pela Esplanada dos Ministérios e invadirem prédios dos Três Poderes.
O presidente defendeu que os responsáveis e financiadores dos atos em Brasília devem ser punidos. Lula também destacou a necessidade de punir os policiais militares que tenham se omitido, incluindo possíveis membros do governo federal. O petista afirmou, ainda, que o que aconteceu neste domingo, em Brasília, também é de responsabilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ex-presidente
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se pronunciou sobre os ataques violentos às sedes dos Três Poderes. Em seu perfil no Twitter, o ex-presidente afirmou que manifestações pacíficas “fazem parte da democracia”, mas que os atos registrados neste domingo “fogem à regra”.
Bolsonaro também rebateu as acusações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre sua influência nas ações violentas na Esplanada dos Ministérios.
-“Manifestações pacíficas, na forma da lei, fazem parte da democracia. Contudo, depredações e invasões de prédios públicos como ocorridos neste domingo, assim como os praticados pela esquerda em 2013 e 2017, fogem a regra”, escreveu Bolsonaro em suas redes sociais.
Rebatendo Lula, o ex-presidente tuitou: “repudio as acusações, sem provas, a mim atribuídas por parte do atual chefe do executivo do Brasil”, declarou Bolsonaro.
Detenções
Após o fim das ações e retomada do controle dos prédios públicos em Brasília, aproximadamente 1,2 mil pessoas que resistiam à desmobilização do acampamento em frente ao Quartel-General (QG) do Exército foram retiradas do local e detidas, na manhã desta segunda-feira. Os extremistas são conduzidos em cerca de 40 ônibus comuns do Governo do Distrito Federal à Superintendência da Polícia Federal (PF).
A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) iniciou a desocupação do acampamento por volta das 8h desta segunda-feira, 9. Os indivíduos tiveram uma hora para realizar a desocupação voluntária e o descumprimento acarretou as retenções.
Nos ônibus, eles são levados para uma averiguação e conferência de identidade para checar se há relação entre eles e as invasões em prédios públicos que aconteceram no domingo ao Palácio dos Três Poderes.
A operação da PMDF cumpre a determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que deu o prazo de 24 horas para a desmobilização do acampamento. Na mesma decisão, o magistrado afastou do cargo o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB). Além do efetivo da PM, 960 militares do Exército estão trabalhando na ação.
A Polícia Civil do Distrito Federal informou que das cerca de 400 pessoas encaminhadas ao Departamento de Polícia Especializada desde os ataques às sedes dos Três Poderes, 204 foram efetivamente presas. Os homens foram levados para o Complexo Penitenciário da Papuda e as mulheres para a Colmeia, penitenciária Feminina do DF. Esse número pode mudar a partir das investigações que acontecem conjuntamente entre Polícia Civil do Distrito Federal e a Polícia Federal.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública criou o email “denuncia@mj.gov.br” para receber informações sobre os atentados terroristas ocorridos neste domingo na capital federal.
Governo do RS
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, fez um pronunciamento durante live realizada nas redes sociais por volta das 21 horas deste domingo, 8. Leite anunciou que enviará 73 policiais do Choque da Brigada Militar para atuar em Brasília. As sedes do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e STF foram invadidas por bolsonaristas radicais na tarde deste domingo.
Acompanhado do chefe da Casa Civil, Artur Lemos, e do secretário de Segurança Pública, Sandro Caron, o governador disse que o Estado irá ajudar a evitar novas ocorrências no Distrito Federal. Leite também deixou claro que o Piratini está atento ao que acontece no Estado.
– O governo do Estado agirá com força e com firmeza para garantir a ordem constitucional e a integridade das instituições aqui o Rio Grande do Sul –, afirmou Leite.
O governador disse ainda que as tropas da Segurança Pública do RS estão de prontidão para agir e desobstruir qualquer local que esteja sendo bloqueado por manifestantes.
‘Caravanas’
O secretário da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Sandro Caron, afirmou que autoridades estaduais investigam a saída de caravanas de ônibus do Estado para participação nos atos antidemocráticos que provocaram destruição em Brasília, no domingo, 8.
Caron afirmou que conversou com os chefes da Polícia Civil (PC) e da Polícia Federal (PF), e que a PC gaúcha já abriu inquéritos sobre a situação.
-“São duas linhas que nós temos que ter aqui. Uma delas é a Brigada Militar, que está pronta e a postos para dar uma resposta firme e exemplar tão logo seja necessário. E a outra vertente de atuação é exatamente com a Polícia Civil que vem realizando investigações. A Polícia Federal também tem seus inquéritos para que a gente possa identificar organizadores, financiadores e pessoas envolvidas nesses fatos criminosos que ocorreram em Brasília e todas essas apurações referentes a essa situação aqui.
O secretário destacou que pediu prioridade ao chefe de polícia do Estado para o rápido andamento dessas investigações no sentido de responsabilizar os envolvidos nos ataques às sedes dos três poderes. Caron afirmou que ainda não tem os números exatos de ônibus que saíram do Estado, mas destacou que os órgãos de segurança trabalham para identificar a participação de gaúchos nas manifestações.
Caron informou que a inteligência da segurança pública do Estado monitora cerca de 10 concentrações de manifestantes contra o governo federal em solo gaúcho neste momento. As forças de segurança estão, segundo ele, agindo no sentido de cumprir a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para dispersar esses atos.
FOTO: Marcus Rodrigues/Metrópoles
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