Foto de João Vicente Magalhães / Rádio Palmeira
Uma pesquisa desenvolvida em Chapada está utilizando a ciência cidadã para estudar a biodiversidade e a arborização urbana do município. A iniciativa envolve estudantes, professores, pesquisadores e integrantes da comunidade e conta com a participação do professor Mark Fellowes, cientista e ecólogo do Reino Unido e professor da Royal Holloway, University of London.
Fellowes esteve na região e participou de entrevista à Rádio Palmeira, onde falou sobre a importância de aproximar a população dos estudos científicos e de compreender o papel da natureza dentro das cidades. Com carreira internacional dedicada à ecologia e à conservação, o pesquisador já desenvolveu trabalhos em diferentes países, incluindo Malásia, Estados Unidos, África do Sul, Índia e Brasil.
O projeto em Chapada tem como uma das principais ações o mapeamento das árvores existentes nas áreas urbanas. Os estudantes são treinados para utilizar ferramentas de coleta de dados e registrar informações como localização, espécie, características das árvores e os serviços ecossistêmicos proporcionados pela vegetação.
Estudantes participam da pesquisa
A iniciativa é coordenada localmente pela professora Cláudia, com participação de outros educadores, do biólogo e pesquisador Fábio Angioleto e da ONG PUMAS — Pessoas Unidas pelo Meio Ambiente, Agricultura e Sociedade.
Segundo os pesquisadores, a proposta é transformar os estudantes em participantes ativos da produção científica. Eles recebem orientação sobre métodos de pesquisa, fazem o levantamento das árvores e contribuem para a construção de uma base de informações que poderá subsidiar decisões futuras sobre a arborização do município.
Ao final do levantamento, a expectativa é elaborar um plano de arborização urbana para Chapada, identificando áreas que podem receber novos plantios e apontando estratégias para ampliar os benefícios ambientais proporcionados pelas árvores.
Para Mark Fellowes, o envolvimento da comunidade é um dos principais diferenciais do projeto. O pesquisador destacou a dedicação dos professores e o interesse dos estudantes em sair a campo para coletar informações, considerando que iniciativas semelhantes ainda são pouco comuns em escolas do Reino Unido.
Natureza também faz parte das cidades
Durante a entrevista, Fellowes explicou que a conservação da biodiversidade não deve ficar restrita a florestas, áreas rurais ou regiões consideradas remotas. Segundo ele, os ambientes urbanos também podem contribuir para a preservação de espécies e para a melhoria da qualidade de vida.
Nesse contexto, as árvores exercem papel importante. Além de oferecerem sombra e contribuírem para a redução das temperaturas, elas podem auxiliar na retenção da água da chuva, diminuir o escoamento superficial, oferecer abrigo e alimento para animais e proporcionar maior contato da população com a natureza.
O pesquisador também destacou os efeitos positivos das áreas verdes sobre o bem-estar das pessoas. A presença de vegetação em parques, ruas, jardins e quintais amplia as possibilidades de convivência com a natureza dentro das cidades.
Quintais também podem contribuir
Outro aspecto abordado durante a entrevista foi o potencial dos espaços particulares para a conservação ambiental e a produção de alimentos.
De acordo com os pesquisadores, quintais e jardins podem ser considerados pequenas unidades de biodiversidade e agricultura urbana. O plantio de árvores frutíferas, por exemplo, pode contribuir simultaneamente para a alimentação, para a presença de espécies animais e para a melhoria das condições ambientais.
Fábio Angioleto ressaltou que o crescimento da população urbana torna esse debate cada vez mais relevante. Para ele, pensar a cidade como espaço de conservação da natureza também significa reconhecer que a biodiversidade pode estar presente em pequenos espaços e não apenas em grandes áreas preservadas.
Chapada busca reconhecimento internacional
A iniciativa desenvolvida no município também está relacionada à busca pelo reconhecimento internacional da arborização urbana.
Durante a entrevista, foi citado o programa Tree Cities of the World, iniciativa internacional voltada ao reconhecimento de cidades que desenvolvem ações de planejamento, gestão e valorização das árvores e das florestas urbanas.
Alegrete, Rio Grande e Gramado já são citadas como cidades gaúchas inseridas na iniciativa. Com o trabalho de levantamento e planejamento atualmente desenvolvido, Chapada busca se tornar a quarta cidade do Rio Grande do Sul a obter o reconhecimento.
Experiência pode ser ampliada
A participação de um pesquisador internacional também amplia as possibilidades de divulgação dos resultados obtidos em Chapada. Fellowes afirmou que pretende contribuir com a análise dos dados e com a divulgação científica do trabalho, permitindo que a experiência desenvolvida no município possa chegar a outros públicos.
Para os envolvidos, a iniciativa demonstra que a produção científica pode ser realizada fora dos grandes centros universitários, especialmente quando existe mobilização entre escolas, pesquisadores, organizações e comunidade.
Além de gerar informações sobre a arborização e a biodiversidade local, o projeto busca formar estudantes com maior conhecimento sobre o meio ambiente e estimular a participação da população nas decisões relacionadas ao futuro das cidades.
A proposta é que os dados coletados possam contribuir para políticas públicas de arborização, conservação e planejamento urbano, utilizando a ciência como ferramenta para tornar Chapada um município mais verde e preparado para os desafios ambientais.
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