Professor da UFSM-PM recebe Prêmio O Futuro da Terra durante a Expointer 2026
Ricardo Zambarda Vaz foi reconhecido na categoria Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas por sua trajetória de pesquisa voltada à eficiência, produtividade e sustentabilidade no campo
Publicado em 03/09/2026 às 06:16
Capa Professor da UFSM-PM recebe Prêmio O Futuro da Terra durante a Expointer 2026

O professor da Universidade Federal de Santa Maria – Campus Palmeira das Missões (UFSM-PM), Ricardo Zambarda Vaz, recebeu na noite desta segunda-feira (31) o Prêmio O Futuro da Terra, na categoria Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas. A cerimônia ocorreu durante a Expointer 2026, no auditório da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

Em sua 30ª edição, o prêmio é promovido a partir de uma parceria entre o Jornal do Comércio e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapergs). A distinção reconhece pesquisadores, empreendedores, instituições e startups que contribuem para o desenvolvimento do setor primário por meio da inovação, do avanço tecnológico e da responsabilidade ambiental.

Reconhecimento a uma trajetória de pesquisa

Para Ricardo, a premiação foi recebida com surpresa, satisfação e, principalmente, gratidão. Embora o reconhecimento seja individual, o professor afirma que o resultado é fruto de uma trajetória construída coletivamente, com a participação de grupos de pesquisa, orientadores e colegas.

“Divido essa distinção com os grupos de pesquisa e colegas, ninguém faz isso sozinho”, afirmou.

Sua indicação está relacionada a uma carreira dedicada à pesquisa em áreas como bem-estar animal, produtividade e eficiência dos sistemas de produção. Os trabalhos desenvolvidos pelo professor buscam transformar questões observadas no campo em conhecimento científico e metodologias que possam ser utilizadas pelos produtores.

Segundo Ricardo, parte desse trabalho consiste em dar visibilidade científica a temas que muitas vezes são tratados como detalhes dentro dos sistemas produtivos, além de desenvolver alternativas simples, de baixo custo e aplicáveis a diferentes realidades.

“Não é uma produção única que justifica essa indicação, mas uma trajetória que conectou ciência e campo com um objetivo comum: fazer a cadeia produtiva ser mais eficiente, ética e sustentável”, destacou.

Ciência como ferramenta para o produtor

A relação entre universidade e setor produtivo é um dos pontos centrais da atuação do professor. Em um cenário marcado por mudanças climáticas e por exigências cada vez maiores do mercado, Ricardo considera que a pesquisa precisa ajudar o produtor a antecipar problemas e encontrar alternativas de adaptação.

Entre os desafios estão a necessidade de tornar a pecuária mais resiliente, transformar exigências do mercado em protocolos aplicáveis no campo e buscar ganhos de eficiência nos sistemas de produção.

“O nosso papel é pegar o problema do produtor, transformá-lo em pergunta científica e devolver uma decisão segura”, afirmou.

Para o professor, quando esse processo funciona, o conhecimento produzido na universidade deixa de estar restrito ao ambiente acadêmico e passa a contribuir diretamente para as decisões tomadas no meio rural.

Formação de novos pesquisadores

Ricardo também destaca a importância da formação de profissionais que possam dar continuidade à produção científica. Para ele, construir referências e contribuir para a trajetória de novos pesquisadores faz parte do trabalho desenvolvido ao longo da carreira.

“Que eu possa ser para alguém o mesmo que os meus colegas da PROGEPEC e os meus orientadores foram, e ainda são, para mim”, declarou.

O Prêmio O Futuro da Terra avaliou projetos e currículos dos indicados por meio de um colegiado formado por integrantes do Comitê de Assessoramento Científico e Tecnológico da Área de Ciências Agrárias da Fapergs. Os critérios consideraram mérito científico e impacto social.

Nesta edição, 14 pessoas foram contempladas em seis categorias: Prêmio Especial; Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas; Inovação e Tecnologia Rural; Preservação Ambiental; Startup do Agronegócio; e Reconhecimento 30 anos do Prêmio.

Três décadas dedicadas à Zootecnia

A trajetória acadêmica de Ricardo Zambarda Vaz começou na formação técnica, entre 1984 e 1986, no Colégio Agrícola General Vargas, em São Vicente do Sul, atualmente vinculado ao Instituto Federal Farroupilha (IFFar).

Em 1990, ingressou no curso de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), concluindo a graduação em 1995. Posteriormente, realizou estágio de aperfeiçoamento em bovinocultura de corte pelo CNPq, cursou mestrado na UFSM, concluído em 1998, e doutorado em Bovinocultura de Corte na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), concluído em 2008.

A experiência profissional inclui atuação como professor municipal em Santiago e técnico agrícola, além de trabalho na assistência a produtores, empresas de financiamento e indústria frigorífica. Em 1998, foi um dos sócios fundadores da PROGEPEC Consultores Associados Ltda., onde permaneceu até 2012.

A carreira docente teve passagens pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Campus de Santiago, e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Em 2018, Ricardo ingressou no quadro docente da UFSM – Campus Palmeira das Missões.

Produção científica

Atualmente, o professor é Associado 4 do Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas da UFSM e docente permanente dos Programas de Pós-Graduação em Zootecnia, em Santa Maria, e em Agronegócios, em Palmeira das Missões.

Sua atuação concentra-se na gestão, produção e análise sistêmica para a tomada de decisão nas cadeias produtivas de ruminantes, além de pesquisas relacionadas à indústria frigorífica, agronegócios e cadeias produtivas de carnes e pescado.

Ao longo da carreira, Ricardo soma 175 artigos publicados em periódicos, 23 capítulos de livros e 264 trabalhos em anais de congressos. Também participou da formação de pesquisadores e profissionais, com sete orientações de doutorado, 23 de mestrado, 44 trabalhos de conclusão de curso, 27 estágios curriculares e 30 iniciações científicas, todas com bolsas financiadas por órgãos de pesquisa.

O reconhecimento recebido na Expointer acrescenta mais um marco à trajetória do professor e evidencia a contribuição da pesquisa desenvolvida na UFSM-PM para aproximar conhecimento científico, produção rural e desenvolvimento sustentável.

Fonte: Ramon Mendes - Jornalismo RP / ASCOM - UFSM-PM

Publicado por

Foto Redação LA+
Redação LA+
Fotos