Foto de Luis Frey | Divulgação
O Brasil registrou 81 tornados até o mês de julho de 2026, segundo levantamento da Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas (Prevots). A instituição de meteorologistas voluntários projeta que o volume acumulado pode ultrapassar o recorde histórico de 92 ocorrências contabilizado no ano anterior.
O relatório da Prevots aponta uma tendência de elevação gradual nos registros desde 2018. No entanto, especialistas ponderam que o crescimento não pode ser associado diretamente às mudanças climáticas, mas sim ao aumento de registros audiovisuais feitos pela população por meio de smartphones. Estudos internacionais posicionam o país como o segundo mais propenso à incidência do fenômeno no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
A concentração de casos ocorre principalmente na Região Sul devido ao encontro de massas de ar quente e úmido com massas frias e secas. O choque térmico favorece o surgimento de tempestades do tipo supercélula, capazes de gerar granizo, ventos intensos e colunas de ar em rotação que atingem o solo. O episódio mais recente no Estado afetou os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, deixando quatro pessoas feridas e estragos materiais. O meteorologista da Universidade Federal de Pelotas, Vitor Castilho, explica o processo:
– As supercélulas se formam em condições onde há diferença de temperatura entre duas massas de ar: uma massa de ar mais quente e úmida e outra de ar mais frio e seco, que geram essas violentas tempestades que adquirem rotação. Essa rotação dentro da supercélula, em alguns casos, acaba se estendendo até o solo, fazendo com que ocorra o tornado –, afirma.
Desafios tecnológicos e medidas de prevenção
Apesar dos avanços na detecção de tempestades com antecedência de 24 a 48 horas, a previsão exata do ponto de toque do tornado no solo depende do monitoramento via radar meteorológico em tempo real.
Especialistas das universidades federais de Pelotas e Santa Maria alertam para a necessidade de ampliação e modernização da rede nacional de radares. A limitação de alcance dos equipamentos atuais — eficazes em um raio de até 250 quilômetros devido à curvatura da Terra — reduz a precisão dos alertas de curto prazo emitidos à população.
– O importante nesses radares é que tenham uma cobertura que seja feita ali numa área de 250 km. Até é possível ter informações sobre tempestades a uma distância maior, mas se perde muita qualidade nessa informação. Por efeito de curvatura da Terra, esse feixe de ondas vai, na verdade, tá atingindo muito mais longe o topo da tempestade e não a parte que tá próxima à superfície, que é onde os fenômenos de tempo severo estão acontecendo. Então, isso aumenta o número de equipamentos que é necessário, por exemplo, pra cobrir alguns estados –, aponta o o meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria, Murilo Lopes.
Além do déficit tecnológico, pesquisadores destacam a vulnerabilidade das cidades frente a eventos severos. Entre as medidas sugeridas para mitigar impactos estão a construção de abrigos subterrâneos, a instalação de sirenes de emergência, a integração de alertas via aplicativo e o treinamento contínuo das equipes de Defesa Civil com simulações de evacuação.
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