Brasil registra recorde histórico de mortes por câncer de colo de útero
Apesar de ser uma doença evitável, óbitos cresceram 13,4% desde 2022
Publicado em 25/03/2026 às 17:00
Capa Brasil registra recorde histórico de mortes por câncer de colo de útero

O Brasil atingiu o maior patamar de mortalidade por câncer de colo de útero desde o início da série histórica em 2000. Dados do DATASUS-SIM, analisados pelo Observatório da Saúde Pública da Umane, revelam que 7,5 mil mulheres perderam a vida devido à doença em 2024, superando os 7,2 mil registros de 2023.

O crescimento contínuo preocupa autoridades sanitárias, uma vez que o país dispõe de estratégias eficazes de prevenção, como a vacinação contra o HPV e o exame de Papanicolau, evidenciando uma lacuna crítica entre a existência da tecnologia médica e o acesso efetivo da população ao cuidado.

O perfil epidemiológico das vítimas expõe a profunda desigualdade no sistema de saúde. Em 2024, a maioria das mortes concentrou-se em mulheres pardas (48,3%), com baixa escolaridade (52,3%) e na faixa etária acima dos 65 anos.

Além disso, dados do Vigitel 2024 indicam que 12,5% das brasileiras entre 25 e 64 anos nunca realizaram o preventivo. Especialistas apontam que a prevenção não deve ser encarada como uma responsabilidade individual, mas como uma política ativa que inclua busca ativa de pacientes, horários estendidos em unidades de saúde e o fortalecimento do papel dos agentes comunitários.

Desafios na vacinação e barreiras de acesso

A vacinação contra o HPV é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal ferramenta para a erradicação deste tipo de câncer. Embora o Brasil tenha avançado na imunização de crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, atingindo 80% de cobertura em 2025, o índice ainda permanece abaixo da meta ideal de 90%.

A falta de informação adequada e barreiras logísticas impedem que a vacina chegue ao público-alvo no momento correto, comprometendo a eficácia da estratégia de eliminação da doença a longo prazo.

Para Fabiana Peroni, diretora do Grupo Mulheres do Brasil, o enfrentamento do problema exige uma comunicação mais direta e acolhedora. Muitas mulheres deixam de realizar os exames por medo, vergonha ou desconhecimento da necessidade do rastreamento periódico.

O investimento em letramento em saúde e na coordenação do cuidado é visto como o caminho necessário para reverter a curva de mortalidade, garantindo que o diagnóstico de lesões precursoras ocorra antes da evolução para quadros oncológicos graves.

Fonte: G1

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