Foto de Monica Fernandes/Divulgação Hospital Santo Antônio
O programa SUS Gaúcho, lançado pelo governo do Estado no fim de setembro, já começou a produzir resultados concretos, ampliando o acesso da população a serviços de saúde. Diversos hospitais já estão realizando mutirões para ofertar mais consultas e cirurgias em oftalmologia geral adulto e ortopedia de joelho, as especialidades que apresentavam as maiores filas de espera.
Negociações feitas por técnicos da Secretaria da Saúde (SES) com representantes de hospitais e prestadores de serviço garantiram que fossem abertas até o final do ano mais de 83 mil novas consultas oftalmológicas para adultos e mais de 8,4 mil novas consultas ou cirurgias de joelho. Até dezembro, o SUS Gaúcho repassará R$ 175 milhões para aumentar a oferta de procedimentos nessas duas áreas prioritárias.
– Com os termos de adesão já encaminhados pelos prestadores de serviço, esperamos chegar ao final do ano com a nossa meta de redução de 70% da fila para primeiras consultas, batida –, explicou a diretora do Departamento de Gestão da Atenção Especializada (DGAE) da SES, Lisiane Fagundes.
O Hospital Santo Antônio, em Santo Antônio da Patrulha, deu início aos atendimentos pelo programa e já realizou mais de 650 das 10 mil consultas em oftalmologia que fará até o final do ano, atendendo pacientes de todo o Litoral Norte. Janaína Conceição da Silva, 33 anos, moradora da cidade, foi atendida nesta quarta-feira (22/10) após dois anos esperando uma consulta.
– Me chamaram ontem para a consulta de hoje, foi bem rápido. Não estou enxergando muito bem do olho direito e parece que tem areia no olho. Agora espero ficar bem –, disse Janaína.
Também por meio do programa, o Hospital Regional de São Jerônimo já está realizando mutirão de cirurgias oftalmológicas, beneficiando pacientes que aguardavam pelo procedimento, além de cirurgias de joelho. E o Hospital São Francisco de Assis (HSFA), no município de Parobé, pretende realizar em outubro 92 cirurgias de joelho pelo programa, e irá realizar cerca de 200 novas cirurgias por mês a partir de novembro.
SUS Gaúcho
Lançado pelo governador Eduardo Leite e pela secretária da Saúde, Arita Bergmann, o SUS Gaúcho é um programa estratégico que representa um investimento adicional na saúde estadual de R$ 1,025 bilhão em 2025 e 2026. Até o final deste ano, o Sistema Único de Saúde (SUS) receberá mais R$ 267,7 milhões, além dos valores já definidos no orçamento. Para 2026, a previsão é que o acréscimo de recursos chegue a R$ 758 milhões.

O governador Eduardo Leite lançou o SUS Gaúcho em 25 de setembro, em ato no Palácio Piratini - Foto: Vitor Rosa/Secom
Esses valores contemplam, além das ações de redução de filas, as demais medidas que integram o programa, como a qualificação das portas de entrada e o novo aporte para transporte de pacientes.
Virada de página
Antes, havia dívidas bilionárias na saúde, o que demandou um intenso trabalho de reorganização das contas públicas. O Estado pagou os débitos de governos anteriores e realizou uma série de mudanças estruturais que culminaram em um acordo histórico com o Ministério Público, injetando novos recursos na área, o que está permitindo a realização de novos investimentos e programas.
Leite destaca que o SUS Gaúcho representa uma virada de página na gestão da saúde pública no Estado, com resultados concretos já perceptíveis em poucos dias de execução.
– Estamos colocando em prática um novo modelo de investimento e gestão da saúde, que faz o dinheiro chegar onde o cidadão realmente precisa, que são os atendimentos. O SUS Gaúcho é fruto do equilíbrio fiscal conquistado nos últimos anos e simboliza o compromisso do nosso governo com um sistema público mais eficiente, humanizado e acessível para todos –, afirmou o governador.
“Os novos recursos, decorrentes do acordo com o Ministério Público, possibilitaram colocar em prática as medidas de redução de filas, especialmente na oftalmologia geral adulto e na ortopedia joelho, que são as duas prioridades escolhidas para 2026. Também tem sido fundamental a parceria com os prestadores de serviços, o que garantirá agilidade no atendimento”, ressaltou Arita.
Outras ações do programa também já tiveram repasses efetuados. Por meio do SUS Gaúcho, o governo do Estado já destinou R$ 4,2 milhões para o transporte de pacientes, mais de R$ 2,8 milhões para unidades de pronto atendimento (UPAs) e R$ 980 mil para pronto atendimentos municipais (PAs), totalizando cerca de R$ 8 milhões. Até o fim do ano, deverão ser pagos, por meio dessas três iniciativas, mais de R$ 24 milhões.

Objetivo do governo é reduzir em até 70% as filas mais críticas e reforçar o atendimento de urgência e emergência - Foto: Vitor Rosa/Secom
As diversas frentes do SUS Gaúcho
Redução de filas
O SUS Gaúcho está investindo, nestes últimos três meses de 2025, R$ 175 milhões para atender pacientes de oftalmologia e de ortopedia. O objetivo é reduzir em 70% o número de usuários do SUS que aguardam atendimento nessas especialidades.
Em 2026, a redução das filas seguirá como prioridade, com R$ 180 milhões investidos e a ampliação do programa para as demais subespecialidades de oftalmologia e ortopedia, além de cirurgia geral, dermatologia, otorrinolaringologia e urologia. Em dois anos, o investimento será de R$ 355 milhões para reduzir as filas.
Urgência e emergência
Do total de recursos, R$ 21,75 milhões serão investidos, até o fim de 2025, nas chamadas portas de entrada, os serviços hospitalares de atendimento aos casos de urgência e emergência. Haverá um aumento de 40% nos valores repassados a 196 hospitais de todo o Estado, tanto no atendimento geral como no especializado. Em 2026, o investimento será de R$ 87 milhões.
Unidades de pronto atendimento
As 38 unidades de pronto atendimento (UPAs) habilitadas no Rio Grande do Sul que funcionam 24 horas por dia já receberam mais de R$ 2,8 milhões do governo do Estado. Até o fim do ano, esse valor chegará a R$ 8,6 milhões. Em 2026, serão repassados mais R$ 34,4 milhões.
Pronto atendimentos municipais
Em 22 municípios, um total de 26 serviços municipais de pronto atendimento estão sendo beneficiados com um novo incentivo. Até o momento, já foram pagos R$ 980 mil. O total em 2025 será de R$ 2,6 milhões e, em 2026, de R$ 28,6 milhões. O valor para cada um deles varia entre R$ 30 mil e R$ 50 mil mensais, conforme as médias de atendimentos médicos e de urgência em atenção especializada.
Transporte de pacientes
Atualmente, a ausência de pacientes em primeiras consultas ou em consultas especializadas disponibilizadas pelo SUS chega a 40%. Uma grande parcela delas não é realizada porque os pacientes não conseguem se deslocar até os municípios para os quais elas foram marcadas. Um dos motivos principais é que o transporte gratuito oferecido pelas prefeituras é insuficiente para atender à alta demanda.
Frente a esse desafio, o governo do Estado está apoiando financeiramente 488 municípios gaúchos para que eles possam garantir o transporte de pacientes até o local da consulta. Já foram repassados R$ 4,2 milhões. Até o fim de 2025, deverão ser pagos, no total, R$ 12,6 milhões. Em 2026, o valor será de R$ 50,4 milhões. Quanto maior a distância, maior será o valor repassado, garantindo que todos possam comparecer às consultas.
Tratamento em casa
A atenção domiciliar é um serviço que leva os cuidados de saúde às residências dos pacientes que não podem se deslocar para receberem atendimento. O Estado repassará R$ 2,83 milhões até o final de 2025 não só para as 69 equipes existentes no Rio Grande do Sul que prestam esse tipo de serviço como irá financiar a criação de 20 novas equipes, complementando o incentivo federal atualmente pago. Os valores variam entre R$ 3,9 mil e R$ 13 mil por local. Em 2026, o valor destinado será de R$ 11,3 milhões.
Atenção às pessoas com deficiência e reabilitação física
A atenção à pessoa com deficiência (PcD) e a área de reabilitação física receberão outros R$ 2,39 milhões do SUS Gaúcho em 2025 para o atendimento multiprofissional, com ortopedista, neuropediatra e psicólogo, entre outros profissionais. Além disso, serão fornecidos coletes ortopédicos. Em 2026, o valor destinado será de R$ 9,5 milhões.
Para complementar a tabela do SUS, atualmente defasada, serão destinados recursos para a entrega de cadeiras de rodas e muletas em 18 serviços de referência no Estado, reduzindo o tempo de espera e assegurando a mobilidade dos pacientes.
Ambulatório de feridas crônicas
Os serviços que atendem pacientes com feridas crônicas receberão R$ 2,4 milhões a mais do Estado em 2025 e R$ 9,6 milhões em 2026 para reforçar o atendimento multiprofissional, com enfermeiros (especialista e assistencial), técnico de enfermagem, assistente social, nutricionista e médico cirurgião vascular. Serão beneficiados 480 pacientes por mês.
Programa Assistir
Em 2025, também será ampliado em R$ 14 milhões o Programa Assistir, que repassa incentivos financeiros aos hospitais que mais realizam serviços para o SUS no Rio Grande do Sul, como consultas, por exemplo. Em 2026, o valor a ser destinado é de R$ 56 milhões. O objetivo é incorporar ao programa 58 novos serviços de referência e ampliar a oferta de primeiras consultas para o acesso ao atendimento especializado. As novas consultas serão oferecidas com base na prioridade por atendimento, a partir da regulação pelo Gercon, o sistema de gerenciamento da Secretaria da Saúde (SES).
Saúde mental
Para promover a saúde mental, prevenir agravos e reduzir internações hospitalares por transtornos mentais e comportamentais, o SUS Gaúcho investirá R$ 3,6 milhões em 60 municípios com até 15 mil habitantes em 2025. Em 2026, o valor investido será de R$ 14,4 milhões. Cada município contará com uma equipe composta por psicólogo, médico, terapeuta ocupacional, assistente social, enfermeiro ou outro profissional de saúde com formação ou experiência em saúde mental.
O incentivo estadual será de R$ 20 mil mensais por equipe. Serão considerados prioritários os municípios que possuem altas taxas de tentativa ou óbito por suicídio e altos índices de internação por transtornos mentais e comportamentais, bem como aqueles afetados pelas enchentes, entre outros critérios.
Tratamento intensivo
O Estado também vai ampliar o valor pago a hospitais do SUS que possuem leitos de tratamento intensivo (UTI) de alta complexidade (em oncologia, cardiologia, traumato-ortopedia, entre outros) ou leitos de UTI para pacientes vítimas de queimaduras graves.
Haverá um aumento no valor das diárias de 855 leitos de UTI, o que equivale a 55% do total disponível no Estado, em 28 hospitais de alta complexidade, e para os 15 leitos de UTI para pacientes com queimaduras. O valor destinado será de R$ 16,4 milhões em 2025 e de R$ 65,6 milhões em 2026.
Hospitais municipais e de pequeno porte
Os hospitais públicos municipais e os hospitais de pequeno porte (com até 50 leitos) receberão R$ 5,57 milhões em recursos em 2025 e R$ 22,3 milhões em 2026, reforçando o atendimento local em casos de menor gravidade. Os recursos serão destinados para 19 hospitais com até 99 leitos e para 14 hospitais acima de 100 leitos, além de 12 hospitais de pequeno porte.
Além de reforçar a estrutura local, evitando o deslocamento dos pacientes em alguns casos, o investimento vai desafogar o atendimento nos hospitais de grande porte, nos quais são atendidos os casos mais graves.
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