O vice-governador Gabriel Souza recebeu, nesta segunda-feira, 4, empresários e entidades do setor calçadista a fim de avaliar alternativas para diminuir os efeitos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O ramo coureiro-calçadista não está na lista de exceções, e o Rio Grande do Sul exporta boa parte da produção de calçados ao país. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, e a secretária da Fazenda, Pricilla Santana, também participaram da reunião.
Gabriel destacou que o Estado se reunirá com cada um dos setores afetados visando entender as demandas e encaminhar possíveis soluções. “Começamos com o setor coureiro-calçadista e vamos prosseguir durante os próximos dias conversando com as demais áreas da indústria, acompanhados das secretarias de Desenvolvimento Econômico e da Fazenda, além da InvestRS”, reforçou. “Cada polo tem suas angústias, seus dilemas e suas demandas. E nosso foco é a manutenção dos empregos.”
Para Polo, o setor calçadista é um dos pilares da economia e da geração de empregos no Rio Grande do Sul. “Somos o segundo maior produtor de calçados do país e o maior no segmento de couros. Tendo em vista que cerca de 30% da nossa produção vai para os Estados Unidos, estamos trabalhando intensamente para proteger nossa indústria e buscar alternativas que minimizem os impactos do cenário atual”, disse. “Não vamos medir esforços para manter esse setor ativo, forte e com acesso a novos mercados.”
Articulação
Os municípios produtores do Vale do Sinos e Vale do Paranhana serão os mais impactados. O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, e o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados do Estado do Rio Grande do Sul (Sicergs), Renato Klein, falaram na reunião sobre a necessidade de retomada de medidas do governo federal para incentivar o setor, pelo menos, nos próximos 90 dias.
Entre elas estariam as linhas de financiamento em dólar com juros internacionais, a ampliação do programa Reintegra para exportadores e a reedição do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEM), criado durante a pandemia da covid-19.
Ao governo do Estado, o setor pede a liberação de créditos acumulados de ICMS decorrentes da atividade exportadora da empresa.
– O vice-governador nos deu orientação para, dentro da competência da Sefaz, analisar o que pode ser feito em relação ao pleito apresentado pelo setor de devolução de crédito tributário acumulado. A secretaria assumiu o compromisso de fazer um estudo sobre o assunto com a maior brevidade possível –, afirmou Pricilla.
Gabriel explicou aos representantes do setor que, como o Estado encontra-se ainda em Regime de Recuperação Fiscal, não pode ceder incentivos que impactam na arrecadação – por isso, é preciso articular essas medidas com o governo federal para proteger os setores afetados.
– Nosso Estado é um dos mais impactados pela medida – que eu não chamo de tarifa de 50%, mas sim de embargo comercial, já que inviabiliza a exportação dos nossos produtos. Vamos articular com o governo federal uma forma de conceder esse auxílio necessário aos setores sem interferir nos nossos compromissos fiscais já estabelecidos –, explicou Gabriel. "Mas nossos esforços podem ir até onde o Estado alcança. O governo federal, inclusive, precisará fazer uma política para a manutenção de empregos nas principais empresas exportadoras atingidas.”
Nestaa terça-feira, Gabriel irá se reunir com a direção da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) para tratar do tema.
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