Debate sobre dívidas rurais no RS retoma proposta do fundo social em Brasília
Grupo de trabalho no MAPA tem 120 dias para apresentar soluções para produtores gaúchos afetados por eventos climáticos extremos
Publicado em 16/07/2025 às 10:14
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As negociações em torno do endividamento do setor agropecuário gaúcho tiveram um novo e importante capítulo nesta terça-feira, 15, em Brasília. Representantes do governo federal, parlamentares e entidades do agronegócio, incluindo a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), participaram de uma reunião do grupo de trabalho criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O objetivo é buscar alternativas para a renegociação das dívidas dos produtores rurais atingidos por eventos climáticos extremos.

O grupo terá um prazo de 120 dias para apresentar propostas concretas. Entre as alternativas discutidas, destaca-se o uso do fundo social como fonte de recursos para novas operações e garantias, além de possíveis mudanças nos critérios para acesso ao crédito rural.

O diretor-executivo da FecoAgro/RS, Sérgio Feltraco, enfatiza que o foco é viabilizar o uso do fundo social. "E que isso venha com premissas de uso também para atenuar ou participar de consequências aliadas às mudanças climáticas, o que encaixaria essa questão que está acometendo o Rio Grande do Sul e a agricultura em especial nos últimos anos", explicou Feltraco.

Propostas em discussão e próximos passos

A principal referência para os debates é o Projeto de Lei 5122, relatado pelo deputado Afonso Hamm. Esse texto foi construído a partir da mobilização das entidades gaúchas, em especial Farsul e Fetag, e propõe alternativas à renegociação tradicional, como o uso de Cédulas de Produto Rural (CPR) e ajustes em linhas de crédito rural. Feltraco pontua que, apesar das discussões, ainda há divergências sobre o volume de recursos disponíveis, e outras propostas, como a do senador Luiz Carlos Heinze, também estão em análise no Congresso.

Entre as possibilidades debatidas, está a criação de um fundo garantidor estadual, que facilitaria o acesso dos produtores a novas negociações de dívidas.

– Estava presente também a secretária da Fazenda do Estado, e esse debate é importante para que, em havendo essa possibilidade, se construa uma solução real para as garantias decorrentes das renegociações –, frisou Feltraco.

Os próximos passos envolvem a articulação do ministro Carlos Fávaro junto ao Ministério da Fazenda e à Casa Civil, além da demanda por ampliação dos limites autorizados pelo Conselho Monetário Nacional para renegociação – uma medida que pode beneficiar produtores não atendidos pelas regras atuais.

No Legislativo, continua a tentativa de unificação dos textos, reunindo pontos do PL 5122 e das propostas do senador Heinze. O objetivo é construir uma solução definitiva e abrangente para o endividamento rural do Rio Grande do Sul.

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