Hospital de Caridade de Palmeira das Missões alerta para aumento de casos de doenças respiratórias
Sistema de saúde local está mobilizado devido ao aumento de casos de bronquiolite em bebês
Publicado em 01/07/2025 às 09:33
Atualizado em 01/07/2025 às 09:38
Capa Hospital de Caridade de Palmeira das Missões alerta para aumento de casos de doenças respiratórias

Foto de Tribuna da Produção

Com a chegada do inverno, as doenças respiratórias voltam a preocupar as autoridades de saúde e famílias em todo o Rio Grande do Sul. Em Palmeira das Missões, o sinal de alerta já está ligado, com o sistema de saúde local mobilizado devido ao aumento de casos de bronquiolite em bebês. Somente em junho, até o dia 25, quatro crianças foram internadas com a doença, sendo que duas precisaram ser transferidas para hospitais com estrutura mais complexa, uma delas por transporte aéreo, devido à distância e às condições das estradas.

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) esclarece que o transporte aeromédico é um procedimento comum em situações que exigem acesso rápido a leitos de UTI, especialmente quando há longas distâncias ou vias precárias, sendo parte do fluxo regulatório normal organizado pelo Estado.

Os hospitais com atendimento regulado e que integram a rede SUS estão com as UTIs lotadas devido ao aumento dos casos respiratórios. A busca por leitos é feita tanto pelas instituições quanto pelo Estado, e nesta época do ano, a tarefa se torna ainda mais difícil, considerando o crescimento da demanda e as internações em hospitais referência em UTI Neonatal e Pediátrica.

O Hospital de Caridade de Palmeira das Missões registrou um aumento expressivo nos atendimentos pediátricos por doenças respiratórias:

  • Bronquiolite: Cerca de 9 internações em maio e 4 em junho (até dia 25), afetando crianças de 1 mês a 1 ano (10 meninos e 3 meninas internados).

  • Broncopneumonia: 1 internação em maio e 4 em junho, em crianças de 1 mês a 11 anos (3 meninos e 2 meninas).

  • Pneumonia (em adultos): 17 internações em maio e 10 em junho, em pessoas de 15 a 90 anos, com maior incidência entre idosos acima de 70 anos (14 homens e 13 mulheres).

Estado amplia resposta com telemedicina pediátrica:

Entrou em funcionamento na terça-feira, 24, o Programa de Telemedicina Pediátrica e Neonatal, desenvolvido pela Secretaria Estadual da Saúde (SES). O objetivo é melhorar o encaminhamento e o manejo de casos pediátricos durante o período de maior incidência de síndromes respiratórias, como a bronquiolite, neste inverno.

O programa atua na avaliação dos cadastros inseridos no sistema de regulação hospitalar (GERINT), facilitando decisões sobre internações e transferências para UTIs neonatais, pediátricas e enfermarias pediátricas. Médicos especializados em Medicina Intensiva Pediátrica prestam suporte às equipes hospitalares, orientando sobre o atendimento e oferecendo auxílio técnico. Essa assistência pode ocorrer tanto por demanda das unidades quanto de forma proativa, com contato direto das equipes de telemedicina para garantir as melhores condutas clínicas.

Desde sua criação, o programa tem contribuído para manter a qualidade do atendimento pediátrico e evitar o aumento desnecessário da mortalidade infantil nas faixas etárias mais vulneráveis. Em 2024, o programa ampliou sua atuação, registrando um aumento significativo nas solicitações de transferências para terapia intensiva neonatal, UTI pediátrica e enfermaria pediátrica, em relação ao ano anterior. Em 120 dias, foram realizadas 1.440 horas de atendimento especializado, com 1.438 pacientes acompanhados por telemedicina, monitorados continuamente pela Central de Regulação Hospitalar.

O fluxo de atendimento da UTI pediátrica funciona com uma rotina diária: um telefonista da regulação médica lista no sistema todos os pacientes que aguardam transferência e que estão cadastrados no GERINT. Em seguida, os médicos teleconsultores fazem contato com as equipes médicas das unidades solicitantes para troca de informações e apoio diagnóstico ou terapêutico, sugerindo as condutas mais adequadas. O médico da telemedicina registra o atendimento e atualiza a prioridade no sistema, comunicando também o médico regulador da Central.

Essa integração entre equipes e o uso da telemedicina tem sido fundamental para garantir respostas rápidas e eficientes aos casos graves, contribuindo para a redução da pressão sobre as UTIs e melhor atendimento às crianças que enfrentam complicações respiratórias durante o inverno.

Orientações para pais e familiares:

A bronquiolite é uma infecção viral que inflama os bronquíolos (pequenas vias respiratórias dos pulmões) e pode evoluir rapidamente, especialmente em crianças pequenas. Os principais sintomas são tosse, chiado no peito, febre e dificuldade para respirar.

Pais e responsáveis devem ficar atentos aos sinais de agravamento e procurar atendimento médico imediato em caso de respiração acelerada, gemência, dificuldade para mamar ou sinais de cansaço excessivo.

Fonte: Jornal Tribuna da Produção

Publicado por

Foto Almir Felin
Almir Felin