Em uma retrospectiva de 2024, Marcílio Laurindo Drescher, presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), refletiu sobre os desafios enfrentados pelo setor agrícola neste ano, com destaque para a cultura do tabaco. Durante entrevista à Rádio Luz Alegria, Drescher ressaltou os impactos climáticos, a valorização do produto e o cenário de mercado para 2025.
Marcílio destacou que a safra 2023/2024 foi severamente afetada pelas intensas chuvas que atingiram as principais regiões produtoras do Brasil – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ele informou que, em média, houve uma quebra de 22,7% na produtividade.
– A agricultura é desafiadora, e a cultura do tabaco não foge à regra. Apesar das adversidades climáticas, conseguimos manter a qualidade do produto. Isso garantiu preços elevados e boa remuneração para os produtores –, explicou Drescher.
O impacto positivo dos preços acima da tabela mínima ajudou os agricultores a compensarem as perdas em volume, incentivando inclusive um aumento de 9% na área plantada para a safra atual, 2024/2025.
Expectativa para 2025: qualidade em foco e mercados exigentes
O presidente da Afubra informou que a safra 2024/2025 está caminhando dentro da normalidade, mas alertou que o mercado será mais exigente quanto à classificação do tabaco, o que requer atenção dos produtores.
– A safra atual apresenta boas perspectivas em qualidade e produtividade, mas não será uma supersafra. No entanto, a demanda do mercado vai exigir cuidados rigorosos no manejo e na classificação do produto –, afirmou Drescher.
Ele também enfatizou que o tabaco brasileiro continua sendo reconhecido pela alta qualidade, o que sustenta sua posição de maior exportador mundial, atendendo a mais de 100 países.
“Esse reconhecimento é fruto do trabalho artesanal e da dedicação de nossos agricultores familiares. Porém, precisamos seguir investindo em tecnologia e boas práticas para manter a competitividade internacional”, reforçou.

Presidente da Afubra, Marcilio Laurindo Drescher, em entrevista à Rádio Luz e Alegria
Desafios e novas tendências no setor
Drescher comentou ainda sobre o impacto dos cigarros eletrônicos, cujo mercado no Brasil permanece em situação irregular devido à proibição pela Anvisa. Apesar disso, ele observou que outros países já regulamentaram a produção e comercialização desses dispositivos, criando um novo segmento de consumo de tabaco.
– A falta de regulamentação faz com que o Brasil perca uma fatia de mercado. É importante analisar essa questão para evitar que o contrabando e a clandestinidade prejudiquem a economia e a saúde pública –, afirmou.
O mercado ilegal de cigarros foi outro ponto de atenção na entrevista. Segundo Drescher, cerca de 40% dos cigarros consumidos no Brasil são provenientes do mercado clandestino, o que afeta a arrecadação de impostos e a qualidade do produto.
Encerrando a entrevista, Drescher deixou uma mensagem de confiança aos agricultores: “Devemos sempre olhar para frente, com fé e dedicação. A agricultura enfrenta desafios constantes, mas também oferece grandes oportunidades. Que 2025 seja um ano de colheitas produtivas e de fortalecimento do setor.”
A Afubra segue comprometida em apoiar os agricultores no enfrentamento dos desafios climáticos, tecnológicos e mercadológicos, fortalecendo o setor agrícola e a cultura do tabaco no Brasil.
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