'A agricultura é desafiadora, e a cultura do tabaco não foge à regra'
Em entrevista à Luz e Alegria, presidente da Afubra ressaltou os impactos climáticos, a valorização do produto e o cenário de mercado para 2025
Publicado em 10/12/2024 às 17:00
Capa 'A agricultura é desafiadora, e a cultura do tabaco não foge à regra'

Em uma retrospectiva de 2024, Marcílio Laurindo Drescher, presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), refletiu sobre os desafios enfrentados pelo setor agrícola neste ano, com destaque para a cultura do tabaco. Durante entrevista à Rádio Luz Alegria, Drescher ressaltou os impactos climáticos, a valorização do produto e o cenário de mercado para 2025.

Marcílio destacou que a safra 2023/2024 foi severamente afetada pelas intensas chuvas que atingiram as principais regiões produtoras do Brasil – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ele informou que, em média, houve uma quebra de 22,7% na produtividade.

– A agricultura é desafiadora, e a cultura do tabaco não foge à regra. Apesar das adversidades climáticas, conseguimos manter a qualidade do produto. Isso garantiu preços elevados e boa remuneração para os produtores –, explicou Drescher.

O impacto positivo dos preços acima da tabela mínima ajudou os agricultores a compensarem as perdas em volume, incentivando inclusive um aumento de 9% na área plantada para a safra atual, 2024/2025.

Expectativa para 2025: qualidade em foco e mercados exigentes

O presidente da Afubra informou que a safra 2024/2025 está caminhando dentro da normalidade, mas alertou que o mercado será mais exigente quanto à classificação do tabaco, o que requer atenção dos produtores.

– A safra atual apresenta boas perspectivas em qualidade e produtividade, mas não será uma supersafra. No entanto, a demanda do mercado vai exigir cuidados rigorosos no manejo e na classificação do produto –, afirmou Drescher.

Ele também enfatizou que o tabaco brasileiro continua sendo reconhecido pela alta qualidade, o que sustenta sua posição de maior exportador mundial, atendendo a mais de 100 países.

“Esse reconhecimento é fruto do trabalho artesanal e da dedicação de nossos agricultores familiares. Porém, precisamos seguir investindo em tecnologia e boas práticas para manter a competitividade internacional”, reforçou.


Presidente da Afubra, Marcilio Laurindo Drescher, em entrevista à Rádio Luz e Alegria

Desafios e novas tendências no setor

Drescher comentou ainda sobre o impacto dos cigarros eletrônicos, cujo mercado no Brasil permanece em situação irregular devido à proibição pela Anvisa. Apesar disso, ele observou que outros países já regulamentaram a produção e comercialização desses dispositivos, criando um novo segmento de consumo de tabaco.

– A falta de regulamentação faz com que o Brasil perca uma fatia de mercado. É importante analisar essa questão para evitar que o contrabando e a clandestinidade prejudiquem a economia e a saúde pública –, afirmou.

O mercado ilegal de cigarros foi outro ponto de atenção na entrevista. Segundo Drescher, cerca de 40% dos cigarros consumidos no Brasil são provenientes do mercado clandestino, o que afeta a arrecadação de impostos e a qualidade do produto.

Encerrando a entrevista, Drescher deixou uma mensagem de confiança aos agricultores: “Devemos sempre olhar para frente, com fé e dedicação. A agricultura enfrenta desafios constantes, mas também oferece grandes oportunidades. Que 2025 seja um ano de colheitas produtivas e de fortalecimento do setor.”

A Afubra segue comprometida em apoiar os agricultores no enfrentamento dos desafios climáticos, tecnológicos e mercadológicos, fortalecendo o setor agrícola e a cultura do tabaco no Brasil.

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