As precipitações registradas nas últimas semanas no Rio Grande do Sul acenderam o sinal de alerta para a cultura do trigo no ciclo atual. Embora o excesso de umidade na camada superficial do solo diminua o ritmo de desenvolvimento do cultivo e favoreça o aparecimento de fungos e bactérias, a Emater/RS-Ascar informa que é precoce estimar prejuízos diretos no rendimento do cereal, que teve a semeadura praticamente finalizada no território gaúcho.
O levantamento semanal da instituição aponta que 93% da área prevista de 814,2 mil hectares já foi semeada no Estado, restando apenas frações de terras em regiões de maior altitude e de calendário tardio.
De acordo com a entidade, a baixa incidência solar combinada com o solo encharcado prejudica a fotossíntese, desacelera a expansão foliar e causa o amarelamento das folhas inferiores, paralisando temporariamente a evolução das lavouras.
Projeção de safra e Importância do manejo de solo
Mesmo diante do quadro climático adverso, a estimativa média de rendimento permanece em aproximadamente 2,7 mil quilos por hectare. A avaliação fundamenta-se no fato de que a maior parcela das plantas encontra-se em fase vegetativa, mantendo potencial de recuperação caso o tempo firme nas próximas semanas. Se confirmada a média, a colheita gaúcha deve atingir 2,2 milhões de toneladas, volume cerca de 40% inferior à safra passada, que superou 3,6 milhões de toneladas.
Segundo a Emater, o cenário reforça a relevância de técnicas de conservação do solo para mitigar os impactos de eventos extremos frequentes. Lavouras preparadas com terraceamento, descompactação, plantio direto e palhada volumosa demonstram superioridade na absorção do volume hídrico, contendo processos erosivos e retenção de fertilizantes. Em contrapartida, áreas desprovidas de manejo conservacionista registram carregamento de terra e perda de nutrientes.
As recomendações técnicas para ampliar a resiliência do solo coincidem com as diretrizes do Plano ABC+ e com o programa estadual Operação Terra Forte, focado no combate aos impactos das variações climáticas.
A atual safra agrícola iniciou com retração de 30% na área plantada de trigo no Estado, decisão motivada pela margem de lucro apertada, volatilidade de preços, restrições na tomada de crédito, endividamento e prognósticos de instabilidade para o segundo semestre.
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