Organização Mundial da Saúde projeta aumento de 70% nos diagnósticos globais de câncer até 2050
Estimativa aponta que quase a totalidade da população mundial será impactada diretamente ou indiretamente pela doença nos próximos anos
Publicado em 15/07/2026 às 17:00
Capa Organização Mundial da Saúde projeta aumento de 70% nos diagnósticos globais de câncer até 2050

A Organização Mundial da Saúde emitiu um alerta global indicando que o câncer deve se consolidar como uma experiência quase universal nas próximas décadas. De acordo com projeções da entidade, cerca de 92% das pessoas serão afetadas pela enfermidade ao longo da vida, seja por meio de um diagnóstico individual ou pelo acompanhamento de familiares próximos em tratamento.

O levantamento mundial aponta ainda que uma em cada cinco pessoas receberá a confirmação de um tumor nos próximos anos, estimando-se que os registros anuais globais saltem de 20,6 milhões obtidos em 2024 para 35 milhões até o ano de 2050.

No documento, o diretor-geral da instituição, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pontuou que os avanços em campanhas antitabagismo e na imunização contra o HPV demonstram efeitos positivos, porém ressaltou que a patologia constitui uma crise de desenvolvimento gradual e profundamente desigual. A disparidade socioeconômica reflete-se diretamente nos índices de recuperação.

Enquanto a taxa de sobrevida de cinco anos para o câncer de mama ultrapassa 85% em nações de alto poder aquisitivo, o índice despenca para menos de 30% em territórios de baixa renda, onde menos de um terço dos países assegura a cobertura de tratamentos oncológicos em suas redes públicas.

Impacto socioeconômico e influência do estilo de vida contemporâneo

Além do apelo humanitário, a aplicação de recursos em prevenção demonstra alto retorno financeiro, gerando uma receita de nove dólares e cinquenta centavos para cada dólar investido pelos governos. Por outro lado, projeta-se que o impacto financeiro da doença consuma cerca de 0,55% do Produto Interno Bruto global entre 2020 e 2050, motivado primordialmente pela perda de produtividade decorrente de mortes precoces e invalidez.

Paralelamente, dados científicos reforçam que aproximadamente 40% dos novos diagnósticos poderiam ser evitados mediante a adoção de rotinas saudáveis e a eliminação de fatores de risco, como o consumo de bebidas alcoólicas, a obesidade e o tabagismo, este último apresentando declínio na média de usuários mundiais de 29,4% em 2005 para 19,5% em 2024.

Especialistas corroboram a tendência de crescimento contínuo dos casos na ordem de 10% a 20% a cada década. O oncologista Fernando Maluf esclarece que a elevação estatística é impulsionada por duas vertentes principais: o envelhecimento populacional global, que coloca uma maior parcela da sociedade na faixa etária de maior vulnerabilidade ao surgimento de neoplasias, e a degradação dos hábitos diários modernos, expressa na escalada dos índices de obesidade, na má alimentação, na poluição ambiental e no contágio por agentes infecciosos.

Fonte: O Globo

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