Foto de Polícia Civil | Divulgação
A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira, 14 de julho, a Operação Sophia para desarticular uma organização criminosa que utilizava de forma indevida a imagem de uma menina de três anos, moradora de Campo Bom, em tratamento contra o câncer, para criar falsas campanhas de arrecadação financeira na internet.
A ofensiva policial, coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos, resultou na prisão de dezesseis suspeitos em cinco estados brasileiros.
Ao todo, os agentes mobilizaram-se para cumprir dezenove mandados de prisão preventiva e dezessete ordens de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. No território gaúcho, as ações concentraram-se em Passo Fundo, no Norte do Estado, onde foi cumprido um mandado de prisão e outro de busca contra um investigado de integrar o núcleo financeiro do grupo.
Segundo as investigações, o suspeito utilizou uma empresa própria para registrar uma conta de passagem em intermediadoras de pagamento, arrecadando cerca de trinta e um mil e setecentos reais em doações via Pix antes de dispersar os valores para outros integrantes.
Estrutura tecnológica e dinâmica do esquema de fraudes
O esquema consistia no monitoramento de redes sociais em busca de histórias reais de vulnerabilidade, principalmente de crianças acometidas por enfermidades graves, cujas imagens eram replicadas em anúncios patrocinados fraudulentos para ampliar o alcance do golpe.
Os criminosos utilizavam técnicas de tecnologia avançada, como ferramentas de inteligência artificial, clonagem de voz, manipulação de áudio e vídeo e dublagem labial para simular apelos de socorro legítimos.
Os anúncios clonados direcionavam as vítimas para páginas falsificadas que imitavam plataformas conhecidas de financiamento coletivo, utilizando intermediadoras de pagamento, empresas de fachada e servidores de internet baseados no exterior para ocultar o destino final do dinheiro.
Origem das investigações e movimentação financeira
O inquérito policial teve início após a denúncia apresentada pela mãe da criança, que percebeu o uso não autorizado de fotos e vídeos da filha em publicidades pagas nas redes sociais, enquanto a família mantinha apenas um perfil oficial no Instagram para compartilhar a rotina do tratamento.
Os investigadores conseguiram rastrear cerca de duzentos e noventa e quatro mil reais vinculados diretamente à chave Pix da campanha falsa investigada. A análise das contas bancárias revelou movimentações financeiras ainda mais expressivas, com uma das contas apontada como centralizador financeiro movimentando mais de um milhão e setecentos mil reais no período analisado.
As buscas visam apreender computadores, celulares e documentos para robustecer as provas sobre a divisão de tarefas do grupo.
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