Exportações do agro gaúcho caem 12,1% em janeiro
Farsul vincula o resultado à menor oferta de produtos estratégicos, como a soja, ainda impactada por efeitos climáticos
Publicado em 12/02/2026 às 09:54
Capa Exportações do agro gaúcho caem 12,1% em janeiro

As exportações do Rio Grande do Sul iniciaram o ano de 2026 com um recuo nos indicadores de volume e faturamento. Dados divulgados pela Farsul nesta terça-feira, 10, apontam que o estado embarcou 1,44 milhão de toneladas em janeiro, gerando uma receita de US$ 1,06 bilhão.

O desempenho representa uma queda de 12,1% em quantidade e de 13,7% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior. A entidade vincula o resultado à menor oferta de produtos estratégicos, como a soja, ainda impactada por efeitos climáticos, e ao cenário econômico desfavorável em mercados parceiros.

O agronegócio segue como o pilar central do comércio exterior gaúcho, sendo responsável por 73% do valor total exportado e 87% do volume. Apesar da queda geral, o setor de grãos registrou movimentos distintos: enquanto o trigo enfrenta a desvalorização de preços no mercado internacional, o arroz alcançou um recorde histórico para meses de janeiro.

O cereal teve como principais destinos a Venezuela, o Senegal e os Países Baixos, escoando o excesso de oferta interna. Já a pecuária de corte apresentou um crescimento expressivo nas vendas de animais vivos para a Turquia, que triplicou o investimento em relação ao ano passado.

Diversificação de destinos marca o comércio de proteínas e derivados

No segmento de carnes, a China permanece como o principal comprador da proteína bovina, embora o estado tenha registrado um aumento nas vendas para o Canadá e México, compensando a redução de embarques para os Estados Unidos. No setor de frango, os exportadores buscaram novos mercados na Europa e na África, equilibrando a ausência de compras chinesas no período.

Nas Filipinas e no Chile, o destaque ficou para a carne suína, que mantém fluxos constantes de importação do produto gaúcho. Em contraste, o setor de fumo e derivados sofreu uma queda drástica, com as vendas para o mercado chinês reduzidas à metade.

A Ásia, excluindo o Oriente Médio, consolida-se como o maior parceiro comercial do agronegócio gaúcho, absorvendo US$ 514 milhões em produtos. A China lidera o ranking por países, com 18% de participação no faturamento, seguida por Índia e Indonésia.

O relatório da Farsul também destaca o impacto das tensões comerciais globais, que contribuíram para uma queda de 38% nas receitas geradas por vendas aos Estados Unidos. No setor florestal, a celulose também apresentou retração, acompanhando a tendência de redução de oferta e demanda observada em outros itens da pauta exportadora estadual.

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