Polícia Civil deflagra Operação Cartão Vermelho para investigar fraudes em competições esportivas no RS
Dirigentes, treinadores e atletas de time da Terceira Divisão são alvos de buscas em São Gabriel por manipulação de resultados e uso de identidade falsa em jogos
Publicado em 18/11/2025 às 14:40
Capa Polícia Civil deflagra Operação Cartão Vermelho para investigar fraudes em competições esportivas no RS

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro de Organizações Criminosas (DRLD-OC), deflagrou a Operação Cartão Vermelho. O foco da investigação são os crimes de fraude em competição esportiva, falsidade ideológica, falsa identidade e associação criminosa supostamente praticados por membros de um time de futebol que disputa o Campeonato Gaúcho da Terceira Divisão e a Copa Federação Gaúcha de Futebol (Copa Ruy Carlos Ostermann).

Na tarde deste domingo, 16, foram cumpridas quatro ordens judiciais de busca e apreensão e buscas pessoais em vestiários e setores de um Estádio Municipal em São Gabriel, além de residências de dirigentes, treinadores e atletas. Três ordens judiciais de medidas cautelares diversas da prisão também foram deferidas para cessar a continuidade delitiva e proteger a integridade das competições.

Núcleo da fraude e escalada de crimes

Segundo o Delegado de Polícia Max Otto Ritter, as investigações tiveram início a partir de denúncias recebidas nos canais de inteligência da Polícia Civil e por meio de uma notitia criminis encaminhada pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF).

O núcleo inicial da investigação policial foi uma partida realizada em Alvorada contra o time sub-20 do Internacional. O resultado do jogo, uma goleada de 7 a 0 após o placar apertado de 1 a 0 no primeiro tempo, corroborou uma denúncia prévia de manipulação que indicava a ocorrência de cerca de cinco gols na segunda etapa, evidenciando um suspeito declínio competitivo da equipe investigada.

Em acréscimo, a Polícia Civil apurou que em um jogo contra o Juventude, o clube infrator teria escalado três atletas inativos no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF, utilizando a identificação de outros três atletas ativos, configurando crimes contra a fé pública, como falsidade ideológica e falsa identidade.

A Polícia suspeita da prática de ilícitos em outros jogos disputados e não descarta o envolvimento direto de dirigentes, treinadores e jogadores. Alguns dos investigados já estão sendo monitorados por órgãos de integridade no esporte por condutas similares em diversos outros Estados da Federação, como Sergipe e Paraná.

A Polícia Civil considera a probabilidade de o clube estar sendo usado como instrumento para a prática organizada de fraudes desportivas e crimes conexos, caracterizando uma associação criminosa voltada à manipulação de resultados. O Delegado Max Ritter ressaltou que a manipulação esportiva compromete a credibilidade das competições e exige uma resposta institucional firme.

Foram apreendidos documentos, aparelhos celulares e computadores, que serão analisados para corroborar a materialidade delitiva e a autoria dos crimes.

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