Vigilância em Saúde monitora aumento de casos de dengue no RS
Divisão Epidemiológica também ressaltou a importância dos municípios manterem seus planos de contingência para o enfrentamento das arboviroses
Publicado em 12/01/2024 às 08:38
Atualizado em 12/01/2024 às 09:06
Capa Vigilância em Saúde monitora aumento de casos de dengue no RS

Foto de Arquivo LA+

O monitoramento dos casos de dengue no Rio Grande do Sul, realizado pela Secretaria da Saúde (SES), por meio do Centro de Vigilância em Saúde (Cevs), apresenta um alerta para o aumento de registros da doença, durante as duas primeiras semanas de 2022, 2023 e 2024. Conforme dados do Painel de Casos de Dengue RS, nas duas primeiras semanas de 2022 foram registrados 63 casos confirmados; em 2023, 42; e em 2024, 216.

A chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Cevs, Roberta Vanacôr Lenhardt, afirma que outro fator de alerta é a ocorrência de casos confirmados de dengue durante todos os meses do ano – anteriormente, ocorriam somente nos períodos de calor. Isso demonstra que não há mais sazonalidade na circulação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da doença.

– Atualmente, a presença do evento climático El Niño, com chuvas volumosas associadas a altas temperaturas, predispõe ainda mais para o surgimento e manutenção de mais criadouros do mosquito vetor. Essa situação chama a atenção para a importância do cuidado com o meio ambiente, tanto por parte da sociedade, como dos gestores públicos –, disse Roberta.

Em todo o ano de 2022, o Rio Grande do Sul apresentou 66.812 casos confirmados e 66 óbitos. Em 2023, o Estado apresentou um número total de casos confirmados, até o momento, de 38.221 e 54 óbitos em razão da doença. Apesar de o número absoluto de óbitos ter sido menor do que no ano de 2022, a análise de dados demonstra uma elevação na letalidade da doença, considerando o número de casos confirmados.

O painel eletrônico com esses e outros dados está disponível em Dengue RS. São disponibilizadas informações atualizadas e de forma acessível para os profissionais de saúde, gestores e população em geral. São dados sobre o cenário epidemiológico e ambiental, sistematizados por região de saúde e município.

– Trata-se de uma ferramenta de apoio à gestão, fornecendo informações com relação ao número de casos notificados e nível de alerta em que o município e ou região de saúde se encontram. O painel informa, inclusive, a descrição das ações a serem implementadas para controle e mitigação dos riscos, bem como o cálculo para organização das ações assistenciais –, explicou a chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Cevs.

Plano de Contingência

Para enfrentamento ao risco de aumento de casos e de óbitos de dengue, a SES conta com o plano de contingência das arboviroses urbanas (dengue, zika e chikungunya). O material orienta as ações de vigilância, controle do vetor e atenção à saúde, conforme o nível de alerta de cada região e cidade.

Também foi adotada, desde 2022, a emissão de comunicados de risco semanais, todas as terças-feiras. Os comunicados contemplam as 30 Regiões de Saúde do Estado, levando em consideração os diagramas de controle de casos notificados de dengue exceto os descartados, bem como dados ambientais e ocorrência de casos graves e óbitos. O objetivo é sinalizar as regiões de saúde com maior risco para epidemia de dengue e demais arboviroses.

– Diante desse cenário, o enfrentamento da dengue precisa ser realizado de forma conjunta. A população também faz parte desse processo, eliminando possíveis criadouros e revisando interna e externamente as áreas da residência, ao menos uma vez por semana –, frisou Roberta.

Além disso, também são atitudes necessárias por parte da população: o descarte adequado de objetos que possivelmente acumulem água, o uso de repelente para proteção e a procura por um serviço de saúde diante das manifestações dos primeiros sintomas compatíveis com dengue e na ocorrência de sinais de alarme.

A chefe da Divisão Epidemiológica também ressaltou a importância dos municípios manterem seus planos de contingência para o enfrentamento das arboviroses 2022/2023 atualizados, atentos à situação epidemiológica de sua região. A notificação de casos suspeitos de dengue deve ser realizada em até 72 horas da suspeita, conforme Portaria SES 210/2022; casos graves, gestantes e óbitos devem ser notificados em até 24 horas.

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Almir Felin