Março é o mês em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher. De fato, há muitas conquistas para comemorar, sendo elas a garantia dos direitos reprodutivos, do direito ao voto, da Lei Maria da Penha, a inserção no mercado de trabalho, entre outras. Vale lembrar que apenas comemorar não é o suficiente, pois precisamos estar atentas ao fato de que constantemente esses direitos são ameaçados.
Nós mulheres geralmente estamos envolvidas em mais de uma esfera social, portanto, damos conta de várias demandas concomitantemente - do trabalho, do estudo, dos afazeres domésticos, do cuidado dos/as filhos, dos/as familiares, do/a companheiro/a. A maneira como nós mulheres somos criadas socialmente diz que temos a capacidade de dar conta de muitas coisas ao mesmo tempo, mas será mesmo?
Também somos ensinadas que o cuidado do outro, a dedicação aos filhos e ao relacionamento vem em primeiro lugar. Por estarmos sempre cuidando, podemos não ser cuidadas e mais ainda, podemos não desenvolver práticas de autocuidado, que envolve a saúde mental. Desse modo, quando nós mulheres cuidamos de nós mesmas?
Alguns estudos indicam que mulheres são mais suscetíveis a desenvolverem transtornos mentais do que homens, em função das alterações endócrinas que ocorrem no período pré-menstrual, pós-parto e menopausa e das desigualdades de gênero que envolvem a sobrecarga do trabalho doméstico e as altas taxas de violência. Além dos fatores biológicos e sociais que colaboram para a diferença entre os percentuais de homens e mulheres, há alguns fatores de risco tais como as condições e suporte psicossociais, situação socioeconômica, estilo de vida e de saúde.
Outros dados epidemiológicos indicam que as mulheres apresentam maiores taxas de prevalência de transtornos de humor, tais como ansiedade e depressão em detrimento dos homens. A depressão acomete duas mulheres para cada homem e é a principal causa de incapacidade laboral. A pandemia do Covid-19 foi um fator estressor que desencadeou ou agravou o adoecimento psíquico nas mulheres que já tinham alguma questão de saúde mental, tendo em vista as inúmeras demandas que precisaram dar conta durante o período pandêmico.
Pensar nas questões de ordem social é de suma importância quando falamos em saúde mental da mulher, já que as desigualdades de gênero contribuem para o adoecimento psíquico destas. É comum que as mulheres sejam maioritariamente responsáveis pelos afazeres domésticos, pelo cuidado e pela educação dos/as filhos/as, que conciliem trabalho e estudo e que desempenhem várias demandas ao mesmo tempo.
Se socialmente construímos algumas crenças, verdades e formas de agir, podemos também socialmente reconstruir. Algumas formas de promover mudanças sociais é educar crianças de forma igualitária, para que meninos e meninas contribuam de maneira igualitária em afazeres e responsabilidades, é compreender que homens e mulheres podem desenvolver os mesmos papéis e responsabilidades, a fim de promover maior equidade entre os gêneros.
Estudos sugerem que mulheres donas de casa além de estarem mais propensas a desenvolverem Transtornos de Humor também apresentam mais somatização - dores de cabeça, insônia, dor estomacal, cansaço e perda de ânimo, em especial em mulheres de baixa renda, pouca escolaridade e em situação ocupacional desfavorável.
Os Transtornos Alimentares também são mais frequentes em mulheres, por causa da pressão estética colocada sob seus corpos. Construímos nossa imagem corporal e nossa satisfação ou insatisfação também com base nas concepções sociais, a mídia, é uma importante influenciadora nesse processo. Vemos na TV e nas redes sociais a disseminação de corpos ideais que produzem e reforçam o padrão de beleza.
Vale destacar que nossa saúde física e mental é influenciada por vários fatores. Nosso corpo funciona como um todo, dessa maneira, somos seres biopsicossociais, somos afetados/as por questões biológicas, sociais e psicológicas. Portanto, muitas mulheres podem não adoecer, se não tiverem predisposições biológicas/genéticas. Já, quando temos tais predisposições, os Transtornos Mentais podem ser desencadeados sob influência dos fatores estressores.
Se identificar sintomas e sinais de alerta procure ajuda! Sua saúde mental importa.
Psicóloga Estéfani Medeiros CRP 07/32117
Psicoterapia para crianças, adolescentes e adultos. Psicoterapia presencial e online.
Abordagem Psicanalítica. (55) 9-96145943
@psiestefanimedeiros
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