Produtores rurais das regiões Norte e Noroeste do Rio Grande do Sul se mobilizaram nesta terça-feira, 13, em protesto pela renegociação das dívidas agrícolas, diante dos prejuízos severos causados pela estiagem que atingiu o Estado durante a safra de verão.
Em Tio Hugo, no km 213 da BR-386, cerca de 120 agricultores de ao menos 16 municípios iniciaram o ato por volta das 9h da manhã, cobrando especialmente a securitização das dívidas, medida que permitiria o parcelamento de débitos com condições mais favoráveis e maior acesso a crédito. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que a manifestação ocorreu de forma pacífica, sem interrupções no trânsito.
No Noroeste, outro grupo de cerca de 50 produtores se reuniu em Cruz Alta, a partir das 10h, reforçando o pedido por políticas públicas que aliviem o impacto financeiro da estiagem sobre as atividades agrícolas.
Além dessas regiões, outras 10 cidades gaúchas tiveram manifestações nesta terça-feira, incluindo Júlio de Castilhos, São Sepé, Pantano Grande, São Pedro do Sul, São Vicente do Sul, Cacequi, Guarani das Missões, Vila Nova do Sul, São Gabriel e Formigueiro.
Apesar das reiteradas reivindicações desde o início do ano, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, declarou em entrevista no dia 4 de maio que a securitização comprometeria o orçamento do novo Plano Safra, com lançamento previsto para junho.
Teixeira também destacou que a proposta seria desigual, pois nem todos os produtores enfrentam inadimplência. O ministro afirmou que irá reunir entidades representativas do setor para debater soluções alternativas.
Nota da Farsul
A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) publicou uma nota lamentando e tornando pública a sua preocupação com a falta de ações efetivas do governo federal em relação às perdas ocorridas no Rio Grande do Sul. Confira:
“Como é bastante conhecido pelo governo federal, o Rio Grande do Sul enfrenta uma crise de perdas decorrentes do clima sem precedentes na sua História, o que gerou um atraso econômico irrecuperável em relação aos demais estados e um endividamento de dimensão e perfil inadministráveis para um grande contingente de produtores gaúchos.
E importante destacar que, apesar de todas as assustadoras informações de perdas e de endividamento relatadas pela Farsul ao governo federal, até este momento não tivemos sequer a publicação do voto do Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizando as instituições financeiras a cumprirem aquilo que já consta no Manual do Crédito Rural (MCR), apesar da reunião extraordinária da sexta-feira passada. Esta premeditada falta de ação tem gerado um verdadeiro caos, pois estamos em época de pleno vencimento de custeios, investimentos e prorrogações e o governo sabe perfeitamente disso, mas ao não votar a prorrogação opta por enviar centenas de milhares de produtores gaúchos para inadimplência ou para busca de soluções com juros de 2% a 3% ao mês.
Além do mais, a maior parte da dívida foi realizada com recursos livres, o que exige a criação de uma linha do Fundo Social do Pré-sal que até agora não se avançou de forma consistente.
O remédio, se chegar, de novo será pequeno, restrito e atrasado, diferente dos discursos e dos “outdoors” espalhados pelo país.”
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