Custos de produção estabilizam, mas preços recebidos por produtores voltam a cair
Alta de custos e recuo na receita pressionam rentabilidade no setor agropecuário do RS em maio
Publicado em 25/06/2026 às 10:05
Capa Custos de produção estabilizam, mas preços recebidos por produtores voltam a cair

O setor agropecuário do Rio Grande do Sul operou sob o signo da disparidade econômica durante o mês de maio de 2026. O balanço mensal divulgado pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul revelou que o Índice de Inflação dos Custos de Produção apresentou estabilidade, enquanto o Índice de Inflação dos Preços Recebidos Pelos Produtores Rurais registrou queda, interrompendo um ciclo de valorização que vinha sendo observado no campo nos meses anteriores.

O custo de produção encerrou o período com variação quase nula, assinalando uma discreta alta de 0,04%. Os técnicos da federação apontam que o alívio momentâneo nas despesas operacionais decorreu diretamente da desvalorização cambial, que barateou a aquisição de insumos importados essenciais, como fertilizantes e defensivos químicos.

A retração nos preços do óleo diesel também contribuiu para o resultado, diminuindo as despesas logísticas com fretes e o uso de maquinários nas propriedades.

Apesar do alívio pontual nas planilhas mensais, a tendência histórica aponta para uma retomada na pressão sobre as margens dos produtores. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador de custos avançou para 3,11%, confirmando uma tendência de alta após o período deflacionário verificado em 2025, enquanto o acumulado do ano de 2026 já atinge a marca de 5,94%, com forte concentração nos meses de março e abril.

Pelo lado das receitas, o índice de preços recebidos recuou 1,98% no mês, puxado pelas cotações em baixa da soja, do arroz e da suinocultura, acumulando uma retração de 7,64% em 12 meses.

O relatório econômico detalha ainda um forte descasamento entre os valores praticados na porteira e o custo final suportado pelos consumidores nos supermercados, medido pelo IPCA Alimentos. Enquanto os preços pagos aos produtores acumulam retração em 12 meses, a inflação dos alimentos nas gôndolas mantém-se pressionada, registrando alta de 3,87% no mesmo intervalo temporal.

Na avaliação dos analistas da Farsul, o comportamento oposto dos índices comprova que a inflação alimentar não é gerada no setor primário, originando-se nas etapas de industrialização, distribuição e logística, além de fatores da conjuntura macroeconômica.

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