A persistência das chuvas no mês de outubro e a ocorrência do fungo giberella em algumas lavouras estão impactando a colheita da safra de trigo no Rio Grande do Sul. Apesar dos desafios, a estimativa de produção permanece em 3,7 milhões de toneladas. A situação da safra e a comercialização foram debatidas na reunião virtual da Câmara Setorial do Trigo nesta segunda-feira, 10.
O gestor da Emater/RS-Ascar, Alencar Rugeri, destacou que o excesso de chuva em outubro prejudicou o peso hectolitro (PH) do trigo e atrasou a colheita, além de favorecer a giberella. Ele alertou que, com 40% da colheita concluída, "praticamente metade da safra ainda [está] na lavoura, e isso é uma fragilidade em termos das principais doenças de final de ciclo."
A Conab compartilha a percepção da Emater, registrando uma grande variabilidade de produtividade nas lavouras, oscilando entre 2.000 kg e mais de 4.000 kg por hectare. A estimativa oficial de produtividade da Conab é de 3.200 kg por hectare em uma área cultivada de 1,15 milhão de hectares.
Comercialização e apoio governamental
O mercado de trigo é avaliado como delicado, com preços muito baixos que desestimulam o produtor.
O Governo Federal anunciou o apoio ao escoamento de até 148 mil toneladas de trigo do RS via leilões Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural) e PEP (Prêmio de Escoamento da Produção). O presidente da Fecoagro-RS, Paulo Pires, criticou a medida, classificando-a como "insignificante frente à produção do estado", criando um balizador irreal para a comercialização.
O diretor do Moinho Santa Maria, Tino Antoniazzi, reconheceu o quadro de preços baixos, mas assegurou que "a venda é garantida" e que as exportações estão funcionando. Ele expressou a crença de que, com o preço no "fundo do poço", a tendência é de melhora.
Encaminhamentos da Câmara Setorial
Um dos encaminhamentos da reunião foi solicitar ao Governo Federal maior aporte de recurso para apoio à comercialização. Além disso, foi solicitado que o Governo estabeleça um volume maior para o Rio Grande do Sul nos leilões PEP e Pepro já agendados, possivelmente remanejando demandas do Paraná, devido à descapitalização crítica dos produtores gaúchos para a obtenção de crédito rural.
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