Preço do leite cru tem sexta queda consecutiva no Brasil e recua 19% em relação a 2024
Superlotação do mercado interno devido ao aumento da produção e alta importação de lácteos pressiona cotações, levando o preço médio a R$ 2,44 por litro em setembro
Publicado em 31/10/2025 às 09:21
Capa Preço do leite cru tem sexta queda consecutiva no Brasil e recua 19% em relação a 2024

O preço do leite cru registrou a sexta baixa consecutiva no campo, caindo 4,2% de agosto para setembro de 2025, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP.

A “Média Brasil” chegou a R$ 2,4410 por litro, representando uma queda real de 19% em relação a setembro de 2024. O Cepea projeta que essa desvalorização persista até o final do ano devido ao mercado doméstico estar amplamente abastecido.

A abundância de oferta é resultado de dois fatores principais:

  1. Crescimento da produção interna: Investimentos realizados após margens favoráveis em 2024, juntamente com a sazonalidade da primavera/verão (melhora das pastagens), impulsionam a oferta. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) subiu 5,8% de agosto para setembro, acumulando alta de 12,2% no ano.

  2. Aumento das importações: A disponibilidade total foi reforçada pelo aumento de 20% nas importações de lácteos em setembro, totalizando 198,1 milhões de litros em equivalente leite, sendo que quase 80% desse volume corresponde a leite em pó.

Apesar de as exportações terem crescido 11% no mês, o volume total de importações nos nove primeiros meses de 2025 (1,65 bilhão de litros equivalentes) é considerado alto pelo setor.

O excesso de oferta manteve o mercado saturado, com o consumo incapaz de absorver o volume. Isso resultou em estoques elevados e compressão das margens industriais, especialmente nos segmentos de Leite UHT e Queijo Muçarela. Esses produtos registraram desvalorizações no atacado paulista em setembro de 2,87% e 2,08%, respectivamente.

Nas indústrias, a baixa rentabilidade tem se traduzido em redução dos preços pagos ao produtor. Embora o Custo Operacional Efetivo (COE) tenha recuado 0,9% na Média Brasil, essa queda é insuficiente para compensar a desvalorização do leite, estreitando as margens dos pecuaristas e gerando dificuldades para cobrir o custo de produção.

O poder de compra do produtor também se deteriorou: em setembro, foram necessários 26,5 litros de leite para adquirir um saco de 60 kg de milho, um aumento de 5,4% frente a agosto.

Projeção para o futuro

O cenário de curto prazo indica continuidade da pressão de baixa nos preços. A tendência é que as quedas sucessivas provoquem uma desaceleração gradual na produção, mas parte desse efeito será compensada pelo aumento sazonal de oferta no Sudeste e Centro-Oeste.

O Cepea projeta uma possível estabilização dos preços em dezembro, quando as indústrias planejam o abastecimento para o início de 2026. Uma recuperação mais consistente das cotações é esperada apenas a partir do segundo bimestre de 2026, quando a oferta tende a recuar no Sul e o mercado pode reencontrar um novo ponto de equilíbrio.

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