Foto de Isabele Kleim/Divulgação
O setor leiteiro do Rio Grande do Sul enfrenta um cenário de grave crise, que tem motivado um alerta por parte da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando). Segundo a entidade, a situação é resultado da falta de controle nas importações e da ausência de medidas efetivas de proteção ao produtor nacional.
O presidente da Gadolando, Marcos Tang, relembrou que a entidade vem alertando para o agravamento do cenário há anos: "A Gadolando não se orgulha, mas lembra que há três anos já alertávamos para o risco de colapso no setor, quando expusemos uma faixa de luto dizendo que estavam matando o produtor de leite. Não queríamos ser profetas, mas a conta chegou”.
O impacto das importações
Tang destacou que o principal problema é a entrada descontrolada de produtos importados, especialmente o leite em pó, que é usado por indústrias para fabricar derivados. Essa prática, segundo ele, cria uma competição desleal com o produto nacional e causa "prejuízos enormes ao produtor local".
O dirigente salienta que mesmo produtores tecnificados, com investimentos em genética e tecnologia, estão enfrentando dificuldades para se manter, levando ao abandono da atividade, com alto custo social e econômico.
Três frentes para a recuperação
Para a Gadolando, a recuperação do setor depende de ações articuladas em três frentes principais:
Regulamentação urgente: Medidas rápidas para disciplinar importações e criar mecanismos de apoio, como a compra de leite pelo governo em caráter emergencial.
Campanhas de incentivo ao consumo: Aumentar o consumo per capita no Brasil, que está entre 160 e 170 litros anuais, abaixo da recomendação de 200 litros da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Trabalhar a exportação: Embora seja um processo de médio e longo prazo, a exportação é vista como fundamental para o equilíbrio da cadeia produtiva.
Marcos Tang concluiu que a sobrevivência de milhares de famílias e de uma das cadeias mais importantes do agronegócio exige um esforço conjunto entre produtores, indústria, comércio e poder público, ressaltando que a crise no Rio Grande do Sul é acentuada pelas perdas decorrentes dos últimos cinco anos de problemas climáticos.
Publicado por
