Na Terra Indígena Guarita, localizada na região noroeste, em Redentora, a população de cerca de 7 mil kaingangs enfrenta um desafio adicional: a incidência de duas doenças raras. Nove crianças foram diagnosticadas com galactosemia clássica pelo Serviço de Genética Médica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), referência em doenças raras. Além disso, outras três foram identificadas com albinismo.
A constatação desses casos raros levou à realização de uma visita assistencial à comunidade entre os dias 15 e 17 de abril, com o intuito de iniciar um projeto de pesquisa e assistência específico para a população local.
A galactosemia é uma doença causada pela deficiência de uma enzima que quebra a galactose, presente no leite, resultando em problemas metabólicos. Já o albinismo é uma condição genética que torna a pessoa mais suscetível a doenças como câncer de pele, além de causar lesões na retina, devido à ausência de melanina no corpo.
A visita da equipe médica foi o primeiro passo para o projeto de pesquisa, que ainda está em fase de análise e aprovação. A ideia é prestar assistência dentro da realidade local e captar informações para entender melhor as necessidades de saúde da população. O projeto também visa identificar a prevalência das variantes genéticas responsáveis por essas condições na comunidade.
A iniciativa é considerada fundamental para a comunidade, que enfrenta desafios de acesso a tratamentos e medicamentos. A visita também teve o objetivo de ouvir as necessidades de saúde e as colocações dos indígenas para realizar uma construção conjunta. A equipe estará em contato com órgãos de saúde indígenas, treinando, transmitindo conhecimento e debatendo com os agentes de saúde locais.
O projeto é pioneiro e tem como objetivo construir uma política de atendimento específica para essa população, que inclui não apenas o tratamento das doenças, mas também a busca por mais parcerias nas áreas de saúde, educação e cultura.
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