Foto de Andre Santos / Ilustração / Arquivo LA
Nesta quarta-feira, 14, inicia a Quaresma, período que antecede a ressureição de Jesus Cristo. O Bispo Diocesano da Diocese de Frederico Westphalen, Dom Antonio Carlos Rossi Keller, divulgou uma mensagem aos fiéis da Diocese de Frederico Westphalen, ressaltando a importância da fraternidade e amizade social. O tema centra da mensagem de Dom Antonio, convergiu com tema central da Campanha da Fraternidade que foi lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nesta quarta-feira, 14, que aborda como tema central “Fraternidade e amizade social” e como lema: “Vós sois todos irmãos” (Mateus 23,8), nos convida ao cultivo da amizade como forma de autêntico amor ao próximo. O objetivo da Campanha deste ano é o de propor e despertar a beleza da fraternidade humana, aberta a todos, para além dos nossos gostos e preferências, em um caminho de verdadeira penitência e conversão.
Leia a mensagem do Bispo Diocesano de Frederico Westphalen, Dom Antonio Carlos Rossi Keller:
Prezados Diocesanos,
Nesta quarta-feira de Cinzas iniciamos o tempo santo da Quaresma, tempo precioso para repensar e aprofundar a nossa fidelidade a Cristo.
Tempo de incremento da oração, da prática do jejum e da abstinência, tempo do exercício da caridade.
Neste ano, a Campanha da Fraternidade, que tem como tema “Fraternidade e amizade social” e como lema: “Vós sois todos irmãos” (Mateus 23,8), nos convida ao cultivo da amizade como forma de autêntico amor ao próximo. O objetivo da Campanha deste ano é o de propor e despertar a beleza da fraternidade humana, aberta a todos, para além dos nossos gostos e preferências, em um caminho de verdadeira penitência e conversão.
É importante também, durante este tempo sagrado, frente à enorme confusão hoje reinante no mundo, especialmente frente a incompreensão por parte de grande parte das pessoas, em relação à fé cristã, recordar que a nossa fé, o nosso ser cristão, não é a adesão a uma decisão ética ou a um pensamento filosófico, nem uma simples “prática” de alguns costumes tradicionais, mas o encontro com uma pessoa que mudou o curso da história e da nossa vida.
Num tempo como o nosso, que parece ter perdido os fundamentos da fé, é necessário reafirmar que o cristianismo não é um sistema intelectual, um pacote de dogmas, um moralismo, mas é um encontro, uma história de amor, um acontecimento, e a Quaresma é um sinal sacramental de um encontro particularmente intenso e vivo com Jesus.
É o que pretendemos nesta Quaresma: encontrar Jesus, para podermos nos deixar configurar por Ele, no cumprimento amoroso dos exercícios quaresmais.
Somos convidados, a viver tudo isso refazendo, especialmente, as diferentes etapas do caminho da iniciação cristã.
Desde as suas origens, vivia-se o tempo da Quaresma como o tempo certo para a preparação imediata para o Batismo, que era administrado na grande Vigília Pascal. Um tempo como o de uma viagem rumo ao evento da Páscoa.
Assim, a Quaresma, para nós cristãos, é um caminho para o acontecimento pascal, para esta imersão em Cristo que gera uma renovação total da nossa vida.
Este é o tempo para redescobrirmos a beleza e a alegria de pertencer a Cristo, na sua Igreja.
Assim como os catecúmenos viviam e hoje vivem o tempo dos 40 dias como um tempo imediato de preparação para o Batismo, também nós, já cristãos, podemos reviver um “catecumenato espiritual renovado”, graças ao qual recuperamos o sentido profundo do nosso Batismo, para redescobri-lo e desfrutá-lo em profundidade.
A Quaresma é, portanto, um tempo favorável para nos dizer novamente o que nos tornamos no Batismo.
Devemos entender que o Batismo que recebemos nos fez “filhos no Filho” e isso envolve uma ruptura entre o antes e o depois: primeiro as trevas, agora a luz; primeiro a escravidão do pecado, agora a liberdade dos filhos de Deus; E uma passagem do velho para o novo!
Assim, neste período sagrado somos convidados a reorientar nossas escolhas e decisões em Cristo.
Grandes ideais e valores permanecem abstrações, se nos falta o encontro com Alguém que nos torna capazes de coisas novas, novas atitudes e novos gestos.
É Cristo quem faz novas todas as coisas.
É Ele quem possibilita a realização do verdadeiro amor a Deus, da autentica justiça, da solidariedade fraterna, fundamentada na verdade do mandamento do amor, que não se extingue.
A Liturgia dos Domingos da Quaresma vai nos ajudar neste caminho de redescoberta da riqueza do nosso Batismo e, sobretudo, os textos do Evangelho de São Marcos comunicam-nos a alegria do encontro com Cristo, que para nós é modelo de como enfrentar as tentações do demônio (1o Domingo), de como nos deixar transfigurar pela Graça (2o Domingo), de como sermos zelosos no cumprimento do verdadeiro culto que se deve dar a Deus (3o Domingo), da importância de deixar-nos iluminar pela luz de Cristo (4o Domingo) e de como devemos fazer morrer em nós o pecado, para surgir em nós a vida nova em Cristo (5o Domingo).
Em nossas comunidades paroquiais acontecerão diversas propostas de oração e de encontros, mas não esqueçamos o essencial:
– fidelidade à Eucaristia dominical;
- a confissão sacramental, como um gesto de autêntico desejo de conversão;
– a oração pessoal e comunitária, reservando espaços para o silêncio e a meditação;
- o exercício piedoso da Via Sacra;
- o jejum e a abstinência de carne, como sinais de penitência, de desapego dos nossos gostos e de reparação pelos nossos pecados e pelos pecados do mundo inteiro;
- um gesto concreto de caridade para com os pobres e necessitados, pensando também na Campanha da Fraternidade, através do cultivo da amizade e da oferta no Domingo de Ramos.
Que o Senhor nos ajude, nos sustente, nos proteja!
Boa Quaresma!
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