Mais de 380 pessoas, entre professores das redes municipal e estadual, monitores escolares e funcionários de APAEs de Coronel Bicaco, Redentora, Miraguaí e Braga participaram, na tarde da quarta-feira (6/12), do evento organizado pelo Centro Regional de Referência do Programa TEAcolhe em parceria com a Administração Municipal de Coronel Bicaco. A programação, realizada no CTG Tropeiros de Campo Santo, foi aberta com as manifestações das secretárias municipais de Saúde e de Educação, respectivamente, Adriana da Silva Benites e Caroline Della Flora.
Na sequência, o neurologista Ricardo Bortoluz, explanou sobre valências, sintomas e tratamento para o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele ressaltou que não existe idade exata para diagnosticar o TEA, no entanto, atrasos no desenvolvimento natural da criança podem ser indicativos de autismo. — Existem sinais de alerta em cada faixa etária — complementou o médico.
Ricardo Bortoluz afirmou que o transtorno aparece mais em indivíduos do sexo masculino. — O autismo nasce com a pessoa. Ninguém contrai ou desenvolve — reiterou o neurologista. Entretanto, frisou que há outras deficiências que provocam retardos neurais.
O palestrante destacou ainda que no país está em vigor uma legislação determinando a triagem, via SUS, de bebês entre 18 e 24 meses mesmo que não apresentem sintomas de TEA. — O diagnóstico de autismo se baseia na funcionalidade da criança. Já o tratamento utiliza terapias para fazer a criança ganhar habilidades que não desenvolveu — explicou Ricardo Bortoluz.
A programação continuou com a palestra ministrada pela neuropsicopedagoga, Josiana Hertel. Ela citou as maneiras corretas de tratar o autista na escola e pediu para que os docentes hajam o mais naturalmente possível diante de casos de TEA.
Josiana Hertel sugeriu aos professores que realizem atividades diferenciadas visando entrosar a turma e o aluno com autismo. Concomitantemente, disse que devem ser evitadas metáforas, expressões de duplo sentido e ironias. — O autista não consegue lidar bem com as coisas que não compreende — esclareceu a palestrante.
A neuropsicopedagoga também falou da tríplice contingência, solicitando aos educadores que fiquem atentos ao antes e depois das crises. — Nos casos de agressividade, observar o que motivou a mudança no comportamento. Não podemos tolerar a agressão só porque o aluno é autista. Precisamos ajudar ele a entender os sentimentos — finalizou Josiana Hertel.
Após o término das palestras, o neurologista e a neuropsicopedagoga foram agraciados com mimos. Ainda foi servido um coquetel de confraternização.
— Foi um momento de muito conhecimento, pois os professores passam a entender como intermediar a socialização e aprendizagem da criança autista — ponderou a secretária Caroline Della Flora. Ela reconhece que a demanda de alunos com TEA está crescendo. — As palestras do neurologista e da neuropsicopedagoga mostraram que os autistas podem aprender normalmente, desde coisas simples até as questões mais complexas — acrescentou a secretária.
— Agradeço todos os profissionais que participaram dessa importante capacitação. Nós da Secretaria de Saúde, juntamente com a Educação, estamos sempre trabalhando em conjunto para o bom desempenho aos atendimentos de pessoas com TEA — reforçou a secretária Adriana da Silva Benites.
Grupo terapêutico e de saúde mental:
Atendendo aos pedidos de familiares de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a Administração Municipal instituiu, em setembro do ano passado, o Grupo Terapêutico e de Saúde Mental ‘Pais e Amor’. O objetivo é oferecer atendimento psicossocial para fortalecer a saúde mental e abrir espaço para a troca de experiências. Os encontros são mensais e coordenados por profissionais da Secretaria Municipal de Saúde. Coronel Bicaco está cadastrado no Programa TEAcolhe, do Governo do Estado. O município faz parte do Centro Regional de Referência com sede em Constantina.
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