ChatGPT: impactos e benefícios desta inteligência artificial
Tecnologia pode transformar o mercado de trabalho, a educação e a sociedade como um todo
Publicado em 10/04/2023 às 14:44
Atualizado em 10/04/2023 às 15:27
Capa ChatGPT: impactos e benefícios desta inteligência artificial

Peça para o Chat escrever uma redação sobre o desmatamento na Amazônia. Em menos de um minuto, a redação estará pronta, com introdução, desenvolvimento e conclusão. 

A ferramenta é capaz ainda de traduzir textos de vários idiomas, indicar filmes e livros. Uma nova inteligência artificial que tem chamado atenção pela quantidade de coisas que é capaz de fazer. 

O ChatGPT foi criado pela empresa OpenAI, de Elon Musk. Foi lançado em novembro do ano passado, e em dois meses teve um número de usuário recorde de 100 milhões. Foi o aplicativo que mais rápido atingiu essa marca.
Perguntei ao Chat para que falasse sobre ele. Eis a resposta:
 

{“Olá! Eu sou o ChatGPT, um modelo de linguagem desenvolvido pela OpenAI, com base na arquitetura GPT-3.5. Meu propósito é processar e gerar texto em uma variedade de tarefas, como tradução, geração de texto e até mesmo conversação.
Eu fui treinado em uma grande quantidade de dados de linguagem natural, permitindo-me gerar textos coerentes e relevantes em resposta a uma ampla gama de perguntas e tópicos. Além disso, sou capaz de aprender e me adaptar com o tempo, melhorando a qualidade das minhas respostas à medida que sou alimentado com mais dados.
Minha função como modelo de linguagem é ajudar as pessoas a obter informações precisas, esclarecer dúvidas e fornecer orientações em uma variedade de tópicos. Eu posso responder perguntas sobre ciência, tecnologia, história, literatura, entre outros temas, além de ajudar a criar resenhas, traduzir textos, sugerir ideias para escrita e muito mais.
No entanto, vale lembrar que apesar de eu ser um modelo de linguagem bastante avançado, eu não sou um ser humano e não possuo emoções ou experiências pessoais. Meu principal objetivo é ajudar as pessoas com informações precisas e imparciais, e espero poder ser útil para você!”}.


O ChatGPT foi disponibilizado pela Open AI ao público em 30 de novembro de 2022, e o interesse em experimentá-lo superou todas as expectativas. Tudo o que você precisa fazer para experimentar é fazer login e começar a conversar, como em uma sala de bate-papo. Por enquanto, o Open AI está coletando principalmente feedback, então o software é gratuito.

Todos os sinais apontam para que a IA se torne uma parte regular do nosso trabalho e da nossa vida cotidiana mais cedo até do que pensávamos, e o ChatGPT com certeza é uma das inteligências artificiais mais impressionantes que surgiram, publicamente, nos últimos tempos. 

A velocidade do uso da plataforma também não é de se ignorar. Em apenas 5 dias após sua estreia, em novembro de 2022, eles alcançaram 1 milhão de usuários. A empresa dona do bot OpenAI já existe há mais de 7 anos e tem o Elon Musk entre investidores/fundadores. Mas só agora com o Chat GPT que ganhou essa notoriedade mundial.

Mas como essa ferramenta funciona? Quando alguém pergunta para o Chat GPT para que ele escreva uma mensagem de aniversário, um artigo ou uma música, por exemplo, o que a ferramenta está fazendo a partir desses comandos? Como ela processa essas informações e produz os materiais? 

Para o Bacharel em Ciência da Computação e Especialista em Gestão de TI, Tiago Sarturi, trata-se de um modelo de linguagem a partir de muita informação e uma grande quantidade de dados. 

– Todas as informações que o ChatGPT cria são geradas com base em dados e em algoritmos que ajudam ele a modelar essas respostas. Então quando a gente faz uma pergunta para o chat, ele analisa o que foi solicitado e utiliza esses modelos para que consiga gerar uma resposta relevante para aquilo que foi solicitado. E o ChatGPT tem o poder também de refinar essas respostas, com base no que o usuário vai digitando e vai solicitando para ele –, explicou.

Além de responder perguntas, o ChatGPT é capaz de resolver equações matemáticas, escrever textos completos, corrigir códigos de programação, fazer resumos e outras atividades. Ainda que a plataforma não seja regida por quaisquer padrões éticos, ela cumpre a lei. Portanto, se você pedir os 10 passos para arrombar o carro trancado de alguém, ele não dirá. O modelo, hoje, depende de um conhecimento que foi colocado dentro dele. Logo, ele não consegue puxar coisas mais atuais, pois tudo que ele "sabe sobre o mundo" vai até o ano de 2021.

Se a inteligência artificial faz até trabalho de escola, como fica a educação?
O novo ChatGPT também vem gerando debates no setor de educação. Com um potencial ainda desconhecido de riscos e oportunidades, a nova ferramenta vem causando preocupações e estimulando que escolas e universidades repensem suas formas de ensino e avaliação. Acompanhando de perto essas movimentações e com o objetivo de contribuir com as conversas, auxiliando mantenedores, coordenadores, professores e pais a lidar com a novidade, especialistas do SAS Plataforma de Educação reúnem os principais pontos levantados até agora, aos quais a comunidade escolar deve ficar atenta. 

O professor Ademar Celedônio (Diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS) conta que “o ChatGPT é um modelo de linguagem com Inteligência Artificial, criada pela startup OpenAI, capaz de responder sobre quase tudo e gerar textos muito bem elaborados e coerentes – por enquanto, pois vem recebendo diversos investimentos e poderá fazer muito mais que isso e muito em breve”.  Já para Tiago Sarturi, é preciso haver uma consciência por parte do usuário, para não utilizar totalmente a ferramenta para a criação de textos.

– O chat foi treinado com muita informação. Esse modelo de dados tem mais 1,3 trilhão de parâmetros. Então isso permite que o ChatGPT crie textos e informação de diversos conteúdos. Mas uma coisa que tem que estar bem claro é que ele se limita aos dados que tem conhecimento. É preciso ter atenção, porque ele pode fazer se dar uma informação que talvez não esteja em um contexto correto. Então o sistema pode sim criar textos que são originais, que são informativos, e isso também na questão do plágio, ficar muito difícil de identificar. Como ele tem uma quantidade enorme de dados, então consegue fazer essa criação de textos, que são praticamente originais da própria plataforma. Então seria mais uma consciência de uso também, de não usar ela na íntegra para fazer um texto, mas sabendo que ele tem a capacidade hoje de criar alguns textos limitados com aquilo que ele conhece –, destacou Sarturi.

Ampliação dos mecanismos de controle e mitigação de plágios
Um dos principais pontos levantados pelos educadores até agora é a preocupação em relação ao plágio nos trabalhos escolares. Além de os textos desenvolvidos pela ferramenta não trazerem as fontes das quais as informações foram retiradas, os alunos podem entregar trabalhos em seu nome, mas feitos inteiramente pelo ChatGPT. De acordo com os especialistas do SAS, isso exigirá que novas ferramentas de identificação de plágio sejam criadas e mais ações de conscientização sejam trabalhadas junto aos alunos, com reforço de conteúdos sobre ética e direitos autorais.

Adaptação dos materiais didáticos e trilhas formativas
Apesar de ainda desconhecidos, é possível afirmar que os potenciais dessa nova ferramenta são inúmeros e devem impactar tanto o dia a dia dos alunos, quanto o futuro do trabalho. Profissões poderão mudar ou acabar, e outras certamente surgirão. Por isso, será importante que os conteúdos trabalhados em aula considerem as novas realidades a partir do surgimento dessa ferramenta, com atividades que incluam trabalhar nos alunos as habilidades para usar soluções como essa, além de mantê-los informados sobre algo tão atual e que, muito provavelmente, também será cobrado nas provas de vestibular. Dentro das trilhas formativas do novo Ensino Médio, que já vem sendo implementado nas escolas, poderão ser incluídas, por exemplo, atividades mais alinhadas às novas possibilidades de carreira. “Parte importante do aprendizado é o aluno ter consciência e compreensão sobre o mundo em que vive. Portanto, incluir essas temáticas atuais nos conteúdos lecionados é indiscutivelmente relevante”.

Construção de cultura mais digital na escola
O uso de tecnologias nas escolas não é uma discussão nova. Debates sobre Educação 5.0 e a própria reforma do Ensino Médio já convidam as instituições escolares a adotarem ferramentas digitais em seu dia a dia, tanto com os alunos, quanto na gestão da escola em si. Para os alunos, soluções digitais podem oferecer mais autonomia e protagonismo em seu processo de desenvolvimento, além de prepará-los para o que encontrarão no mercado de trabalho no futuro. Para os professores, elas podem auxiliar no direcionamento dos planos de ensino, disponibilizando aos docentes dados e análises sobre as turmas e sobre cada estudante individualmente, além de permitirem uma variação maior de dinâmicas nas atividades práticas. Para as escolas, também podem contribuir com dados e análises, além de trazer mais agilidade nos processos e assertividade nas decisões de negócio da instituição. Para isso, Ademar defende: “Não existe escola com cultura digital sem que os professores estejam devidamente capacitados e munidos de ferramentas e estrutura para isso, e sem que essa cultura alcance a escola de ponta a ponta. Ou seja, precisaremos treinar constantemente os nossos educadores e adotar novas posturas e soluções também na maneira como administramos as escolas”. 

Para o professor Idelfranio, a chegada da solução e o fácil acesso a ela por parte dos alunos são uma oportunidade para que os educadores melhorem e evoluam processos.

– Inovações como essa continuarão surgindo e cada vez mais rápido. Por isso, a forma como iremos lidar com essas mudanças, assim como já tivemos que lidar com outras – como quando houve o surgimento da internet, por exemplo – e a agilidade com que faremos isso é o que vai determinar os impactos. Temos neste momento a chance de aproveitar essa nova ferramenta para engajar mais os alunos em sala de aula, ensiná-los a utilizar ferramentas como essa para o seu desenvolvimento e de forma ética, os prepararmos para as profissões do futuro, agregar a solução aos nossos modelos de ensino e evoluir em processos de administração e gestão das próprias escolas. Por isso, será fundamental olharmos para o novo ChatGPT e demais novas soluções que surgirem, torná-las nossas aliadas no processo de ensino e aprendizagem –, afirmou.

E, segundo os especialistas, este processo não precisa necessariamente ser tão difícil para os educadores, apesar de trazer mudanças e novidades. Por isso, eles reforçam a importância de as escolas se manterem atentas às discussões do setor e, principalmente, buscarem por consultorias especializadas, para garantir a constante atualização de conteúdos e práticas já com orientações sobre como isso deve se dar de acordo com a realidade de cada escola, garantindo assim uma transição mais sutil e benéfica para todos os envolvidos.

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