Caso Bernardo: Leandro Boldrini vai a novo julgamento na segunda, 20
Promotora Lúcia Callegari confia na condenação de Boldrini
Publicado em 17/03/2023 às 13:26
Atualizado em 17/03/2023 às 13:29
Capa Caso Bernardo: Leandro Boldrini vai a novo julgamento na segunda, 20

Foto de MPRS / Reprodução

O réu Leandro Boldrini iniciará o julgamento na próxima segunda-feira, 20 de março, em Três Passos. Leandro é suspeito pelo assassinato do filho Bernardo Uglione Boldrini em 2014, quando o menino tinha 11 anos. Ele responde pelos crimes de homicídio quádruplo qualificado - motivo torpe, motivo fútil, uso de veneno e dissimulação -. ocultação de cadáver e falcidade ideológica.

Para o Ministério da Administração Pública do Rio Grande do Sul (MPRS), que será representado no plenário pelos deputados Lúcia Helena de Lima Callegari e Miguel Germano Podanosche, o júri deve ser prorrogado por até três dias. Além do réu, serão ouvidas dez testemunhas - quatro citadas apenas pelo MPRS, uma por ambas as partes e as outras cinco apenas pela defesa. Os debates terão início após a audição das testemunhas e o interrogatório do arguido. MP e defesa terão 1 hora e 30 minutos cada para se manifestar. Levará uma hora para responder, se houver. O júri será transmitido ao vivo pelo YouTube e Facebook do LA+.

Em entrevista ontem na residência do MP em Porto Alegre, a procuradora Lúcia Callegari destacou algumas das teses que vai reforçar durante o julgamento para convencer os jurados. Uma delas é que Leandro foi extremamente negligente como pai do menino. "Bernardo era frequentemente deixado fora do quintal de sua casa, mesmo quando o pai e a madrasta estavam em casa." Quando o filho foi dado como desaparecido, três dias depois da última aparição de Bernardo, "Boldrini trabalhava normalmente", destaca o procurador.

Segundo o MP, outro ponto importante são as drogas usadas para matar Bernardo. Segundo o autor, Boldrini forneceu os medicamentos, portanto a receita com carimbo e assinatura próprios.

O caso da promotoria também deve ser fortalecido pelos vídeos, que tentaram ser deletados do celular de Boldrini, e que mostravam brigas familiares e o menino Bernardo pedindo socorro. Há muitas evidências para o Ministério Público mostrar que o crime foi premeditado.
Para ele, a questão patriótica é outro motivo para a morte de Bernardo, já que a guarda da criança foi analisada pela justiça. Após perder a guarda, Leandro, além de não ter mais direito à herança de Bernardo, provavelmente teria que pagar uma pensão ao menino. O facto de não ter tutela não significa que já não tem obrigação sucessória, frisa o procurador.


Contrariando a posição do Ministério Público, no júri de 2019, a procuradora Lúcia Callegari afirma que se Leandro Boldrini se recusar a responder às perguntas do Ministério da Administração Pública, ele respeitará e não fará perguntas. Esse foi justamente o ponto que a defesa atacou no primeiro júri, o que levou à reversão da condenação de Leandro Boldrini pela Justiça do RS.

Leandro Boldrini segue cumprindo pena na Penitenciária de Alta Segurança (Pasc) de Charqueadas. Ele também responde judicialmente ao processo que pede sua punição pelo crime de tortura contra Bernard. Neste julgamento, que não irá a júri popular, todas as etapas processuais já foram superadas e aguarda-se o julgamento do Tribunal de Primeira Instância da Comarca de Três Passos.

Quanto aos demais réus do caso Bernardo, as condenações do júri de 2019 não mudaram. Evandro Wirganovicz já está em liberdade após cumprir parte da pena em regime fechado. Sua irmã Edelvânia Wirganovicz evoluiu de uma modalidade fechada para uma semiaberta. Graciele Ugulini, madrasta de Bernardo, segue cumprindo pena em regime fechado, com previsão de transição para regime semiaberto em 2026.

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Diego Macagnan