Pai de vítima do incêndio na Boate Kiss concede entrevista à LA
A tragédia em Santa Maria completa dez anos nesta sexta-feira, 27
Publicado em 27/01/2023 às 12:51
Atualizado em 27/01/2023 às 15:03
Capa Pai de vítima do incêndio na Boate Kiss concede entrevista à LA

Darci Andreatta, pai de Ariel Nunes Andreatta, que perdeu sua vida há 10 anos atrás na madrugada de 27 de janeiro de 2013 após incêndio na Boate Kiss em Santa Maria, residente em Jóia, há cerca de 177km de distância de Santa Maria, Darci e mãe, Elizete Nunes Andreatta, pais de um jovem que havia iniciado os estudos no primeiro semestre de Tecnologia em Alimentos na Universidade Federal de Santa Maria, teve sua trajetória interrompida pela “negligência”, conforme relata o pai Darci Andreatta. 

Durante a programação da Rádio Luz e Alegria AM 1160 desta quinta-feira, 26, Darci Andreatta concedeu entrevista ao jornalista Diego Macagnan que falou sobre esta trajetória de 10 anos após a tragédia.

Como foram os 10 anos em busca de justiça?

– “É difícil de descrever porque o caso é muito complexo, é um caso sem precedentes. Se indignamos pelo fato que houve muita negligência pública, mas a gente tem que sobreviver, porque não há outra alternativa para nós, a não ser sobreviver e lutar pelos nossos direitos para que a justiça seja feita. Já se passaram 10 anos e a gente não tem resposta. A resposta que a gente teve foi jogada por terra. Seguimos em frente, enquanto nós pudermos, eu e a minha esposa a gente vai lutar por Justiça juntamente com a Associação”, destaca Andreatta. 

Julgamento e associação 

Os acusados que foram responsabilizados por provocar o incêndio na casa noturna de Santa Maria chegaram a ser condenados, mas o júri foi anulado pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do RS no ano passado. O colegiado considerou que houve falhas em procedimentos formais no julgamento realizado em 2021. 

A AVTSM (Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria) foi criada oficialmente no dia 23 de fevereiro de 2013. A AVTSM tem como um dos principais objetivos o de lutar pela defesa dos direitos e interesses dos que sofreram com a morte de seus entes queridos, bem como daqueles que sobreviveram ao ocorrido. Dez anos após o ocorrido, os familiares da Associação, juntamente com o coletivo ‘Kiss Que Não Se Repita’ formado por amigos de vítimas do incêndio na Boate Kiss, se reúnem em programação que segue até amanhã, em Santa Maria, em atividades que resgata a memória das vítimas que partiram tragicamente. 

Qual é o papel que busca desenvolver a AVTSM? 

– “Busca entre todos através da convivência a questão da justiça! Porque se houve vítimas, houve culpados. E até então procurando pela justiça não houve resposta. Inclusive, houve até uma época em que uns pais foram processados por fazerem as manifestações. A gente clama por justiça e ainda se sente ofendido por isso”, relata o pai Darci. 

Como é visto a anulação do júri realizado em 2021?

– “Sobre os autos do processo que se passaram quase dez anos de investigação, e aí com o julgamento já começou errado e seguiu errado. Quando o juiz lia a sentença dos acusados já havia o habeas corpus preventivo e, particularmente eu não sabia que isso existia na lei. Os réus queriam apontar as vítimas como culpadas e eles como bonzinhos, essa é a impunidade da sociedade”, relata o pai do Ariel Andreatta. 

Homenagem às vítimas 

Seu Darci Andreatta saiu de Jóia nesta quinta-feira, 26, para ir até Santa Maria participar da programação organizada pela AVTSM e pelo coletivo Kiss Que Não Se Repita, onde ocorre no centro do Estado a exibição de documentário, conversas, homenagens e celebrações, inclusive com a presença da jornalista Daniela Arbex que escreveu o livro utilizado como base da produção da Minissérie da Netflix, ‘Todo Dia a Mesma Noite’.

O pai de Ariel Nunes Andreatta e de sua mãe Elizete Nunes Andreatta, se juntam em Santa Maria com a amiga de Ariel (em fotos), Janine Barbosa da Silva, que conforme mencionado por Darci e referenciado pela foto, a amiga da vítima tatuou o nome dele no braço pela eternidade. “Eles não voltam, mas temos que lutar pelos nossos direitos em honra à memória dos que partiram”, finaliza Darci Andreatta. 

 

 Legenda: Janine Barbosa da Silva e Elizete Nunes Andreatta

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Foto Andre Santos
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