Falta de chuvas na região ocasiona perdas em lavouras de soja e milho
Em Frederico Westphalen, perdas estimadas na safra de milho chegam a 45%
Publicado em 13/01/2023 às 15:35
Atualizado em 13/01/2023 às 15:45
Capa Falta de chuvas na região ocasiona perdas em lavouras de soja e milho

A estiagem que atinge o Rio Grande do Sul tem causado impacto significativo no setor agrícola. As lavouras tiveram a situação de danos agravada com a continuidade do fenômeno La Niña, com insuficiência de chuvas e altas temperaturas na maior parte das regiões do Estado. As produções de soja e milho estão entre as principais culturas atingidas. As perdas são maiores no Centro e Oeste do Estado, com metade da safra comprometida. A situação também é crítica em Frederico Westphalen, onde as perdas estimadas na safra de milho chegam a 45%.

De acordo com o gerente regional da Emater/RS ASCAR, Luciano Schwertz, a estiagem se caracterizou pela irregularidade, atingindo algumas regiões específicas. Na região do Médio Alto Uruguai houve uma perda grande no potencial produtivo. 

– A estiagem que atingiu a safra 2022/2023 foi diferente de outros anos pela sua heterogeneidade. Em alguns locais a estiagem foi até mais severa do que em anos anteriores, e em outras regiões houveram pancadas de chuvas que trouxeram melhores condições para o desenvolvimento das culturas. De maneira geral, na nossa região, que abrange 42 municípios do Médio Alto Uruguai e do Rio da Várzea, nós tivemos uma perda na cultura do milho de 45% do potencial produtivo. Temos uma expectativa de uma produtividade média de 80 sacas/hectare, sendo que a expectativa inicial era de mais de 145 sacas/hectare –, avaliou Schwertz.

Em relação às lavouras de soja, ainda em implementação nas lavoras gaúchas, a cultura tem se desenvolvido de maneira irregular em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. A falta de chuvas tem prejudicado a cultura, ocasionando atraso no plantio. De acordo com o Informativo Conjuntural produzido e divulgado nesta quinta-feira, 12, pela Emater/RS-Ascar, a evolução da semeadura, que aconteceu em pequenas áreas onde ainda havia umidade das chuvas mais volumosas, não alterou a proporção estadual, mantida em 96% implantados. A área projetada para a safra 2022/2023 é de 6.568.607 hectares. Já a produtividade está estimada em 3.131 kg/ha.

No total, cerca de 80% das lavouras se encontram em desenvolvimento vegetativo, que ocorre de maneira irregular e desuniforme pela variação dos teores de umidade nos solos. Em locais onde o déficit hídrico é mais grave, as lavouras apresentam menor porte, encurtamento dos entrenós, amarelecimento dos primeiros trifólios e até morte de plantas, principalmente nas bordas das lavouras e em topografia de solos rasos. Já em lavouras onde ocorreram chuvas, o estado geral das lavouras é mais próximo da normalidade.



A região do Médio Alto Uruguai conta com aproximadamente 420 mil hectares de soja plantadas. De acordo com Luciano Schwertz, ainda pode ocorrer uma safra dentro da normalidade.

– As lavouras implantadas no início de novembro já estão na fase reprodutiva e enfrentaram comprometimento de seu potencial produtivo. No entanto, na grande maioria das lavouras houve atraso no plantio, e a soja encontra-se ainda em desenvolvimento vegetativo, podendo haver uma safra dentro da normalidade se houver incidência de chuvas –, apontou o gerente da Emater/RS-Ascar.

Conforme indica o Informativo da Emater, as lavouras em floração alcançam 19% no Estado, com aumento da emissão dos botões florais, tornando-as mais sensíveis ao estresse hídrico. A reposição de umidade é urgente para não ocorrer o abortamento floral. As perdas de produtividade já são apontadas e são distintas entre as regiões, dependendo da distribuição e dos volumes irregulares das chuvas. 

Avalia-se uma redução na produtividade nas regiões administrativas da Emater/RS-Ascar de Bagé, Ijuí, Pelotas e Santa Maria. Nas outras regiões administrativas os danos não são significativos até o momento. No entanto, há necessidade de cautela com essas estimativas, pois podem ser revertidas, dependendo da capacidade de recuperação da cultura, ou ainda aumentar, caso se prolongue o período seco.

A principal prática de manejo consiste no controle de ervas daninhas de modo a evitar a competição por água e nutrientes. O monitoramento de pragas é voltado principalmente para ácaros, insetos beneficiados por condições de clima seco e quente. É crescente o número de produtores que estão adotando a pulverização com drones, seja adquirindo o equipamento, ou contratando as empresas que prestam o serviço. Como as pulverizações são realizadas com baixo volume de calda por hectare, recomenda-se atenção para as condições de temperatura e umidade relativa para evitar perdas das gotas por evaporação. 

Ações visam reduzir danos
Além de perícias realizadas em lavouras para cobertura de seguros agrícolas, a Emater/RS-Ascar tem trabalhado em diversas ações para amenizar os impactos causados pela estiagem, como elaboração de laudos para o decreto de situação de emergência dos municípios, limpeza de fontes e nascentes de água, bem como projetos para melhorias na qualidade dos solos e na implementação de políticas públicas, como o programa Avançar RS, que liberou a construção de 400 açudes na região, além de instalação de sistemas de irrigação e outros planejamentos para auxiliar os produtores nesse momento difícil.

Programa Monitora Ferrugem no RS
O laudo apresentado pela Emater/RS-Ascar mostra os resultados do monitoramento de esporos do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática da soja, em Unidades de Referência Técnica no estado do Rio Grande do Sul.

Esta informação, aliada a outras práticas de manejo da cultura da soja, serve de subsídio para a tomada de decisão dos agricultores. O período que se destacou por presença de esporos nas regiões Noroeste e Nordeste do Estado. A detecção de esporos é um indicativo da presença do patógeno no ambiente, e nestes locais recomenda-se, aos técnicos e aos produtores, a observância das condições climáticas para o manejo da ferrugem.

Milho
A área estimada de cultivo para a safra 2022/2023 é de 831.786 hectares. A produtividade estimada inicialmente é de 7.337 kg/ha. A área semeada alcançou 93% da projetada inicialmente. As lavouras tiveram a situação de danos agravada com a continuidade do fenômeno La Niña, com insuficiência de chuvas e altas temperaturas na maior parte das regiões do Estado.

De modo geral, as perdas são maiores no Centro e Oeste do Estado. As regiões administrativas da Emater/RS-Ascar mais afetadas são: a de Santa Maria, com perdas estimadas em até 50%; a de Frederico Westphalen, 45%; as de Bagé, Ijuí e Santa Rosa, superiores a 30%; as de Erechim e Pelotas, 20%; e as regionais de Lajeado, Soledade e Passo Fundo apresentam redução de rendimento entre 3% e 9%. As de Caxias do Sul e Porto Alegre não foram afetadas.

Outra particularidade nas perdas é que a distribuição irregular das chuvas provocou diferentes resultados em lavouras, até dentro de um mesmo município. As perdas são menores onde houve uma eventual ocorrência de chuvas em volumes significativos e maiores na ausência ou onde ocorreu pequeno índice pluviométrico. Em termos de época de semeadura, as menos afetadas foram as implantadas no cedo, antes do mês de agosto. As plantadas posteriormente apresentam maiores danos, pois os períodos de florescimento e enchimento de grãos coincidiram com períodos críticos de ausência de umidade e altas temperaturas. 

De acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita de grãos do RS encolheu em 2 milhões de toneladas sobre a pesquisa anterior. Com dados coletados no final de dezembro.

Quarto levantamento da safra 22/23 - Rio Grande do Sul (12 de janeiro de 2023)
Total de grãos
: 38,52 milhões de toneladas
Soja: 20,23 milhões de toneladas
Milho: 4,69 milhões de toneladas

Conab atualiza estimativa da safra 2022/23
A produção de grãos na safra 2022/23 no país está estimada em 310,9 milhões de toneladas. Se confirmado, o volume representa um incremento de 14,5%, ou seja, 39,3 milhões de toneladas a mais a serem colhidas do que na temporada passada. É o que mostra o quarto levantamento da safra de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nesta quinta-feira, 12. Com relação à estimativa anterior, divulgada em dezembro, quando foram projetadas 312,2 milhões de toneladas, os dados mostram um ajuste no volume total produzido, por influência do clima adverso em algumas regiões produtoras, em especial no Rio Grande do Sul, impactando a produtividade principalmente de milho e soja.

– O início da semeadura sofreu um leve atraso, influenciado pelo excesso de chuvas e baixas temperaturas em parte dos estados das regiões Sul e Sudeste. Houve também restrições hídricas, aliadas à baixa umidade do solo em parte da região Centro-Oeste e no Matopiba, mas o plantio foi finalizado dentro do calendário agrícola –, destaca a superintendente de Informações da Agropecuária da Conab, Candice Romero Santos.

Principal produto cultivado no país, a soja está com o plantio próximo da conclusão, com expectativa de produção para a oleaginosa em 152,7 milhões de toneladas, 22,2% superior à da safra 2021/22. O desenvolvimento das lavouras é considerado satisfatório em grande parte das regiões, com precipitações ocorrendo em bom volume e periodicidade. “Porém, principalmente no Rio Grande do Sul, a má distribuição das chuvas, tanto em volume como em regularidade, afeta o potencial das lavouras na maioria das regiões. Já em Mato Grosso, as chuvas volumosas e abrangentes nas principais regiões produtoras favoreceram o desenvolvimento das lavouras no maior estado produtor do grão”, reforça o presidente da Conab, Guilherme Ribeiro.

O plantio do milho primeira safra também entra na reta final, restando apenas áreas no Rio Grande do Sul e no Matopiba para concluírem as operações. As condições climáticas variaram nas regiões produtoras, com excesso de precipitações em Goiás e Minas Gerais, e baixos volumes ou mesmo ausência de chuvas no Maranhão e no sul do Brasil. A produção prevista para este ciclo é de 26, 46 milhões de toneladas, 5,7% superior ao obtido na temporada passada.

Dentre as culturas de inverno, destaque para o trigo. Com a colheita encerrada, a produção do cereal atingiu um novo recorde, estimada em 9,8 milhões de toneladas, volume 27,2% acima quando comparado à safra passada. O resultado é influenciado tanto pelo crescimento da área quanto pelas boas condições climáticas.

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