A tarifa de energia elétrica deve exercer nova pressão sobre o orçamento doméstico em 2026, com projeções de alta que superam o índice oficial de inflação. Instituições financeiras e consultorias do setor estimam reajustes que variam entre 5,1% e 7,95%, enquanto o mercado prevê um IPCA de 3,95%.
O movimento é atribuído à combinação de reservatórios abaixo da média histórica, maior dependência de usinas termelétricas e o expressivo aumento nos subsídios setoriais. Para este ano, o volume de subsídios embutidos na conta de luz deve atingir R$ 47,8 bilhões, um crescimento de 17,7% na comparação com o ano anterior.
O sistema de bandeiras tarifárias, que penaliza o consumo em períodos de escassez hídrica, é um dos principais fatores de risco. Embora o país opere atualmente sob a bandeira verde, a transição climática para o fenômeno El Niño pode agravar a seca nas regiões Norte e Nordeste, forçando o acionamento de bandeiras amarela ou vermelha.
Segundo economistas, caso o ano termine sob a bandeira vermelha no patamar 2, o aumento real da energia pode chegar a 12%, consolidando o item como um dos grandes vilões do custo de vida, a exemplo do que ocorreu em 2025, quando a alta superou os 12,3%.
Reservatórios e encargos pressionam custo do megawatt-hora
Apesar de o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico apontar níveis de armazenamento considerados satisfatórios no início de 2026 — com o Sudeste/Centro-Oeste operando em 54,8% de sua capacidade —, especialistas alertam que a chegada do período seco exigirá o uso constante de térmicas.
Esse modelo de geração é significativamente mais caro e impacta diretamente o preço final ao consumidor. Além do custo de geração, a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que financia descontos para produtores rurais e famílias de baixa renda, continua sendo um componente de peso, tendo subido 177% nos últimos 15 anos frente a uma inflação de 122%.
O Ministério de Minas e Energia e o Operador Nacional do Sistema Elétrico mantêm o monitoramento constante das bacias hidrográficas, especialmente na Região Sul e no Rio Paraná. O setor busca alternativas para mitigar os reajustes, mas a alta nos encargos e o fim de descontos excepcionais, como os viabilizados anteriormente por recursos de Itaipu, limitam o espaço para reduções.
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