Nascida em Sobradinho, caminhoneira mais velha do Brasil morre aos 96 anos
Pioneira das rodovias iniciou carreira na década de 1950 e percorreu o país por quase seis décadas sem registros de acidentes
Publicado em 24/02/2026 às 08:58
Capa Nascida em Sobradinho, caminhoneira mais velha do Brasil morre aos 96 anos

A comunidade rodoviária e o estado do Rio Grande do Sul despediram-se, neste domingo, 22 de fevereiro, de Nahyra Schwanke, reconhecida como a caminhoneira mais velha do país. Natural de Sobradinho e nascida em 1929, Dona Nahyra faleceu aos 96 anos em Não-Me-Toque, onde residia. Sua trajetória de mais de 70 anos de estrada transformou-a em um ícone de resistência feminina em um setor predominantemente masculino.

A relação com o volante começou precocemente aos 12 anos, quando operava tratores na propriedade rural da família, assumindo responsabilidades profissionais após a enfermidade do pai.

A carreira oficial nas rodovias consolidou-se em 1958, quando, aos 27 anos, adquiriu seu primeiro caminhão, um Ford S600. Durante décadas, Nahyra transportou safras de trigo, arroz e cevada, garantindo de forma independente o sustento da casa e a formação acadêmica de sua filha.

Em seu auge operacional, a motorista mantinha jornadas de até 15 horas diárias, acumulando médias mensais de 10 mil quilômetros percorridos. Mesmo diante dos desafios logísticos e sociais da época, ela registrou uma marca notável de segurança, encerrando sua jornada profissional sem infrações ou envolvimento em acidentes.

Dona Nahyra encerrou suas atividades profissionais apenas nos últimos anos, após enfrentar questões de saúde naturais da idade avançada. Seu último veículo de trabalho foi um Mercedes Axor 2536, modelo que simbolizou a modernização da frota acompanhada por ela ao longo de mais de meio século de profissão.

Aposentada, ela dedicava-se ao convívio familiar e aos seus animais de estimação. O velório e o sepultamento ocorreram no domingo, no Cemitério Evangélico de Não-Me-Toque, sob forte comoção de familiares e admiradores de sua história.

O legado deixado por Nahyra Schwanke é destacado por especialistas do setor de transportes como fundamental para a abertura de espaço às mulheres nas estradas brasileiras. 

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