Na tarde desta sexta-feira, 9, o prefeito de Tenente Portela, Rosemar Sala, liderou uma reunião estratégica no Gabinete Municipal para tratar da reposição salarial dos servidores públicos. O encontro reuniu funcionários concursados do quadro geral de todas as secretarias, assegurando uma discussão abrangente sobre a valorização da categoria frente ao cenário econômico atual.
Durante a reunião, o gestor apresentou uma proposta de reajuste salarial total de 5%. Este índice é composto por 4,26% referentes à reposição inflacionária medida pelo IPCA e 0,74% de ganho real. Além disso, o prefeito assumiu o compromisso de abrir uma nova rodada de negociações em maio, com a possibilidade de conceder um aumento adicional de aproximadamente 1,5%, a depender do comportamento das receitas municipais e de decisões judiciais em curso.
A proposta recebeu o aval dos servidores presentes e será enviada à Câmara de Vereadores em regime de urgência no início da próxima semana. O objetivo da administração é garantir que o projeto seja aprovado em sessão extraordinária a tempo de ser incluído na folha de pagamento de janeiro.
Entretanto, o tom da reunião também foi marcado por preocupações financeiras. O prefeito Rosemar Sala alertou para um cenário orçamentário atípico, revelando que o município iniciou o ano sem um orçamento aprovado pela primeira vez na história recente. O impasse ocorre após a Câmara de Vereadores, liderada pela bancada de oposição, retirar R$ 1,8 milhão do orçamento do Executivo para 2026.
Segundo o prefeito, a manobra da oposição visou ampliar os recursos do Legislativo sob a justificativa de criar uma reserva para a compra de um terreno para sede própria. No entanto, Sala criticou a emenda, afirmando que ela também encobre aumentos significativos em despesas com diárias, passagens e locomoção.
Ele destacou que o planejamento dos vereadores prevê dobrar os gastos com diárias, destinando cerca de R$ 250 mil a mais apenas para essa finalidade neste ano.
O Executivo tentou vetar a modificação na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), mas o veto foi derrubado pela maioria oposicionista. Como consequência da não aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA), a prefeitura está operando sob o sistema de "um doze avos", utilizando como base o orçamento de 2025 para garantir serviços essenciais e o pagamento dos salários.
Além do conflito político local, o prefeito apontou outros fatores externos que pressionam as finanças de Tenente Portela em 2026. Entre eles estão o impacto na arrecadação devido à nova faixa de isenção do Imposto de Renda, as incertezas trazidas pela Reforma Tributária e o pagamento de benefícios dos servidores que estavam congelados desde a pandemia, conforme a Lei 173.
A expectativa agora recai sobre a Câmara de Vereadores. O projeto de reajuste deve ser protocolado na segunda-feira e a administração municipal espera que, apesar das divergências políticas, o Legislativo aprove a matéria com agilidade para não penalizar o funcionalismo público.
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