Eduardo Leite lança a campanha “Não maquie, denuncie” para prevenção da violência contra as mulheres no Rio Grande do Sul
De janeiro a outubro, 69 mulheres foram mortas e 220 foram vítimas de tentativas de feminicídio no Estado
Publicado em 04/12/2025 às 08:40
Atualizado em 04/12/2025 às 08:43
Capa Eduardo Leite lança a campanha “Não maquie, denuncie” para prevenção da violência contra as mulheres no Rio Grande do Sul

Foto de Vitor Rosa/Secom

O governador Eduardo Leite e a secretária da Mulher, Fábia Almeida Richter, lançaram nesta quarta-feira, 3, a campanha para prevenção da violência contra as mulheres “Não maquie, denuncie”. O ato realizado no Palácio Piratini reuniu representações de entidades de atendimento à mulher, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Em sua fala, Leite destacou que governar vai além de executar obras ou organizar o orçamento público. “A sociedade cobra de um governo a entrega material: o asfalto, o hospital, o equipamento público. E é natural que assim seja. Nosso Estado enfrentou momentos difíceis, com crise fiscal e baixa capacidade de investimento, e sabemos o peso dessa cobrança. Mas liderar um governo não pode se limitar apenas a entregar infraestrutura. Nosso papel é também promover avanços civilizatórios, transformar hábitos e fortalecer valores coletivos. Por isso, essa campanha nos lembra que a violência contra a mulher não começa no feminicídio. Ela começa quando alguém tenta silenciar, limitar, controlar. E isso não pode ser normalizado”, enfatizou o governador.

Fábia apresentou a política da nova pasta e detalhou os eixos de atuação no enfrentamento à violência, com foco na prevenção, proteção e monitoramento. Ela ressaltou também que a mulher só consegue denunciar quando se sente verdadeiramente segura.

– A segurança não se resume à polícia. Ela nasce do vínculo. A mulher precisa saber para quem está se entregando. É por isso que as equipes locais e a rede de cuidado são fundamentais. Por isso, nosso primeiro passo foi mapear todos os serviços institucionais, conhecê-los e organizá-los, para que a mulher saiba exatamente onde buscar ajuda –, relatou a secretária.

Foto mostra a secretária da Mulher Flávia Richter falando aos convidados em ato no Palácio Piratini
Secretária Flávia Richter citou que vítimas só conseguem denunciar quando se sentem verdadeiramente seguras - Foto: Vitor Rosa/Secom

Não maquie, denuncie

A diretora de Publicidade e Marketing da Secretaria de Comunicação, Natacha Gastal, apresentou os detalhes da campanha e destacou que o objetivo vai além da divulgação. “Nós não estamos apenas lançando uma campanha. Estamos apresentando um posicionamento público. A violência contra a mulher não é um problema das mulheres, é um problema da sociedade. Esse é um ponto de virada na forma como o Estado comunica e assume essa responsabilidade”, sustentou.

Natacha lembrou que as barreiras à denúncia não são apenas legais ou administrativas, mas culturais. “A violência não começa no feminicídio. Ela começa nos pequenos sinais, nas agressões invisíveis, nas frases normalizadas, nas piadas que silenciam. Durante décadas, nos ensinaram a perdoar, a compreender, a tratar como normal quem nos violenta. E isso mantém a violência no espaço privado, quando deveria ser tratada como uma questão social. A violência contra a mulher não pode ser uma narrativa naturalizada”, comentou.

O conceito da campanha, segundo ela, utiliza a maquiagem como recurso estético e metáfora. “A maquiagem pode esconder, mas também pode revelar. Queremos que as pessoas enxerguem o que está por trás das marcas invisíveis da violência. Não é brincadeira, não é piada, não é instinto masculino, não é liberdade de expressão. Se uma mulher não está segura em casa, na rua ou no trabalho, algo no ecossistema social está falhando. Enquanto uma mulher não estiver segura, nenhuma de nós estará”, reforçou.

Indicadores da violência

De acordo com o Observatório Estadual da Segurança Pública, de janeiro a outubro deste ano, 69 mulheres foram mortas e 220 foram vítimas de tentativas de feminicídio no Estado. Além disso, nesse mesmo período, cerca de 40 mil mulheres denunciaram algum tipo de violência. Os dados indicam ainda que a maioria dos casos de violência acontece dentro da casa da vítima ou do suspeito, revelando que o companheiro da mulher é o principal agressor.

Tendo em vista esse cenário, a campanha do governo tem como objetivo principal o incentivo às denúncias e o acolhimento das vítimas, tanto por parentes e amigos quanto pelas entidades, com foco na proteção das mulheres. Porém, para que haja uma mudança efetiva de comportamento coletivo, é fundamental que também se estabeleça e se incentive uma comunicação aberta sobre o assunto com os homens e entre os homens.

Secretaria da Mulher

Criada pelo governador Eduardo Leite, em setembro deste ano, a Secretaria Estadual da Mulher (SDM) reforça o combate ao feminicídio. A Pasta é formada por dois departamentos (de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e de Articulação, Cuidado Integral e Promoção à Autonomia Econômica) organizados em sete eixos de atuação: prevenção, proteção, acolhimento, articulação, empreendedorismo, qualificação e saúde.

Em novembro, a secretaria promoveu o 1º Encontro Estadual de Mulheres, que reuniu representantes de quase cem municípios gaúchos no auditório do Ministério Público. O evento representou um momento de escuta para ajudar na compreensão da realidade e das fragilidades que os municípios enfrentam nesta agenda.

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Almir Felin