Antônio Vilson Bernardi assume coordenação do CIGRES
Ex-prefeito de Iraí quer fortalecer reaproveitamento de resíduos, ampliar conscientização sobre separação do lixo e garantir vida útil ao aterro sanitário
Publicado em 08/07/2025 às 14:41
Atualizado em 09/07/2025 às 09:31
Capa Antônio Vilson Bernardi assume coordenação do CIGRES

Foto de Arquivo LA+

O ex-prefeito de Iraí, Antônio Vilson Bernardi, conhecido como Vilsinho, assumiu há cerca de 50 dias a coordenação-geral do Consórcio Intermunicipal de Gestão de Resíduos Sólidos (CIGRES), com sede em Seberi. 

– Eu estava fora da política, só dando aula no colégio, quando recebi o convite. Aceitei o desafio porque conheço o CIGRES desde dentro, fui tesoureiro da diretoria, mas agora, na coordenação, vi que é muito mais complexo do que parece. É bem organizado, mas tem muitos desafios –, afirma Bernardi.

Hoje, o CIGRES reúne 31 municípios e gera cerca de 86 empregos diretos, incluindo motoristas, operadores de máquinas, equipe da esteira de triagem, químicos e responsáveis pela estação de tratamento de chorume. A operação funciona em dois turnos, das 7h às 19h, e recebe uma média de 65 toneladas de resíduos por dia.

Separação do lixo ainda é desafio
Bernardi enfatiza a importância da separação adequada do lixo na origem. Segundo ele, atualmente o consórcio consegue reaproveitar entre 12% e 14% dos resíduos recebidos.

– Se a população separasse corretamente o lixo seco do orgânico, esse índice poderia facilmente dobrar. O mesmo caminhão pode fazer a coleta, mas o material chega mais limpo e mais fácil de ser reaproveitado. Isso tem impacto direto no meio ambiente e no custo para os municípios –, reforça.

Como exemplo, ele cita materiais simples do cotidiano, como tubos de desodorante spray ou embalagens de pasta de dente. “Se vão pro lixo do banheiro, acabam descartados. Mas se forem pro lixo seco, viram alumínio ou papelão que pode ser vendido”, explica.

Estrutura e investimentos
Com mais de 20 anos de atuação, o CIGRES é considerado um modelo de gestão de resíduos e recebe visitas de outros gestores em busca de inspiração. Recentemente, o consórcio recebeu recursos federais para adquirir novos equipamentos.

– Compramos nove caminhões – cinco abertos e quatro prensas – e ampliamos o recolhimento direto em 16 municípios. Também temos escavadeiras, tratores de esteira, carregadeiras, tudo para garantir o funcionamento da logística interna do aterro –, detalha Bernardi.

O local possui 27 hectares de área, dos quais sete estão licenciados para operação. A quarta célula de depósito de resíduos está em uso e, segundo Bernardi, deve ter capacidade por mais dois anos e meio. Por isso, um novo edital será lançado em breve para buscar soluções tecnológicas que reduzam a quantidade de material que vai ao aterro.

“É preciso pensar no futuro agora”
“Estamos nos antecipando. O processo para licenciar e preparar uma nova célula leva tempo. Tem que planejar, baixar o solo, instalar geomembrana, que é uma lona especial que impede contaminação do solo e direciona o chorume para tratamento. Os primeiros aterros não tinham isso, hoje a FEPAM exige, e com razão”, explica.

Além da geomembrana, Bernardi destaca que o aterro hoje é eficiente e não emite odores. “Há 15, 20 anos, passava-se na BR e sentia o cheiro. Hoje não se sente mais nada, almoçamos lá dentro do CIGRES, é um ambiente saudável”, garante.

Conscientização e geração de receita
O coordenador também destaca o papel da população na sustentabilidade do sistema. “Cada tonelada de lixo custa para o município, mas o material reaproveitado gera retorno. No último leilão, conseguimos arrecadar entre R$ 190 mil e R$ 200 mil, divididos proporcionalmente entre os municípios”, afirma.

Ele também elogia iniciativas locais, como os ecopontos de vidro e projetos de compostagem em universidades e escolas. “Se cada casa separar corretamente, o ganho é coletivo. É um gesto simples, mas que reduz o volume no aterro e melhora a sustentabilidade da gestão de resíduos da região.”

Para finalizar, Bernardi deixa um apelo direto: “Separem o lixo. Separo o meu em casa, e sei que se torna hábito. Isso faz toda a diferença para o CIGRES e para o meio ambiente.”

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Almir Felin