Tratamento contra câncer de mama é testado na rede pública com 100% de eficácia inicial
Procedimento inovador, que congela células tumorais, pode substituir cirurgias para tumores de até 2 cm
Publicado em 05/02/2025 às 10:40
Atualizado em 05/02/2025 às 15:20
Capa Tratamento contra câncer de mama é testado na rede pública com 100% de eficácia inicial

Pela primeira vez no Brasil, a crioablação — técnica que utiliza o congelamento para destruir células cancerígenas — foi testada na rede pública e apresentou 100% de eficácia inicial em tumores de até 2 centímetros. O estudo, conduzido por professores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é pioneiro na América Latina no uso desse método para tratar o câncer de mama.

De acordo com o mastologista Afonso Nazário, chefe das Disciplinas de Mastologia da Unifesp e médico do HCor, o procedimento é minimamente invasivo e não exige internação.

“É destruir o tumor pelo frio. Inserimos uma agulha guiada por ultrassom, com anestesia local. A sonda atinge temperaturas entre -140°C e -150°C, eliminando as células tumorais completamente”, explicou.

Resultados promissores e nova fase do estudo

Na primeira etapa da pesquisa, foram incluídas pacientes com tumores únicos, de até 2,5 cm, que já seriam submetidas à cirurgia. Cerca de duas a três semanas antes do procedimento cirúrgico, as pacientes passaram pela crioablação e, posteriormente, foram analisadas para verificar se ainda havia células tumorais. Nos casos com tumores de até 2 cm, o método apresentou 100% de destruição das células cancerígenas.

Com esses resultados, um novo estudo será iniciado em 2025, abrangendo 15 centros de mastologia no estado de São Paulo e envolvendo 350 pacientes tratadas exclusivamente com a crioablação. O objetivo é comparar a eficácia do procedimento com o método tradicional, que é a cirurgia. A previsão é que os estudos sejam concluídos até 2027.

O procedimento já é utilizado em países como Estados Unidos e Israel e tem aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No entanto, como ainda não está incluído no rol de procedimentos da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), não pode ser ofertado no SUS nem na rede privada.

A expectativa dos pesquisadores é que os resultados do novo estudo viabilizem a inclusão da técnica na saúde pública, reduzindo em até 30% a fila de cirurgias para câncer de mama no Brasil.

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