Avanços na medicina abrem 'Nova Era' na luta contra o Alzheimer
Novos medicamentos prometem retardar a progressão da doença, mas desafios permanecem para garantir acesso global
Publicado em 09/01/2025 às 17:00
Capa Avanços na medicina abrem 'Nova Era' na luta contra o Alzheimer

Pesquisas recentes no campo da medicina indicam progressos significativos na prevenção e tratamento do Alzheimer, apontando para uma “nova era” no combate à demência, considerada uma das doenças mais temidas globalmente. Estima-se que mais de 50 milhões de pessoas vivam com demência, com cerca de 10 milhões de novos casos diagnosticados a cada ano.

Em Portugal, aproximadamente 200 mil pessoas são afetadas pela demência, sendo o Alzheimer responsável por até 70% dos casos, conforme informações do CNS - Campus Neurológico e da Associação Alzheimer Portugal. A doença, caracterizada pela neurodegeneração progressiva e irreversível, culmina na perda total de autonomia dos pacientes.

Novos medicamentos 

Dois medicamentos inovadores, Lecanemab e Donanemab, têm mostrado potencial para alterar o curso do Alzheimer em fases iniciais. Ambos foram aprovados pelas autoridades reguladoras dos Estados Unidos e Reino Unido, e o Lecanemab também recebeu aprovação na União Europeia em 2024 para uso restrito a pacientes em estágios iniciais da doença.

Segundo o professor Jeff Cummings, da Universidade de Nevada, esses avanços representam uma oportunidade única para tratar o Alzheimer em uma escala global. “Estamos realmente numa nova era. Abrimos a porta para entender e manipular a biologia da doença para o benefício dos pacientes”, afirmou.

Desafios de acessibilidade e pesquisa avançada

Apesar dos avanços, os custos elevados, os efeitos colaterais como inchaço cerebral e hemorragias, além das limitações de infraestrutura médica em regiões desfavorecidas, permanecem obstáculos significativos. Novos estudos buscam alternativas mais acessíveis, como medicamentos administrados por injeção subcutânea ou até comprimidos orais.

Cummings destacou, durante evento da Alzheimer’s Disease International (ADI), que a meta final é desenvolver medicamentos em forma de comprimidos de uso diário, capazes de reduzir a inflamação associada ao Alzheimer. Testes em medicamentos derivados de semaglutida, um composto usado para tratar diabetes, podem oferecer resultados promissores ainda neste ano.

Prevenção e futuro da luta contra o Alzheimer

Embora a cura ainda pareça distante, especialistas apontam que cerca de 40% dos casos de Alzheimer poderiam ser prevenidos ao abordar fatores de risco como tabagismo, consumo excessivo de álcool e exposição à poluição. A detecção precoce também avança, com a aprovação de diagnósticos baseados em exames de sangue pela Food and Drug Administration (FDA), facilitando o acesso a tratamentos experimentais.

Enquanto a ciência avança, o número de pacientes diagnosticados com Alzheimer cresce diariamente, reforçando a necessidade de esforços conjuntos entre governos, cientistas e a sociedade para enfrentar os desafios impostos pela doença que “rouba” memórias e autonomia.

Publicado por

Foto Almir Felin
Almir Felin
Fotos